Gazeta Esportiva.com
·09 de março de 2026
Votação da reforma do estatuto do Corinthians é encerrada após bate-boca entre Stabile e Tuma

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A reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians que votaria o projeto de reforma do estatuto do clube na noite desta segunda-feira, no Parque São Jorge, foi marcada por uma forte discussão entre o presidente Osmar Stabile e o presidente do CD, Romeu Tuma Júnior.

(Foto: André Costa/Gazeta Press)
Logo no início do encontro, Stabile acusou Romeu de interferir na gestão da diretoria executiva. Ele alegou ter sido ameaçado por Tuma.
“Vou trazer uma situação difícil, mas tenho que colocar no Conselho ao invés de colocar na imprensa. A gente tem passado por uma situação difícil na administração por interferência constante do presidente do Conselho Deliberativo. Ele tenta a todo momento interferir na gestão. Na sexta, ele chegou até mim enquanto eu jantava e disse: ‘Ou você faz o que eu quero ou vou te f…”. Foram essas palavras. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. É muito lamentável. Eu tenho testemunha aqui”, afirmou Osmar.
“Fora isso, tenho esses documentos enviados constantemente, toda semana, solicitando informações sobre as decisões que eu estou tomando decisões. Eu tomo as melhores decisões para o Corinthians. Quero dizer o seguinte: a interferência é constante. Não posso aceitar mais isso, não aceito desde o começo. Quem administra o Corinthians é o presidente, você não tem que saber nada do que acontece. Não aceito essa interferência, ter que responder sempre 30, 40, 50 pontos. Não posso aceitar isso, gente. Ou mudamos o Corinthians e resolvemos nosso problema internamente… Ele vazou uma informação para um jornalista e pediu para ligar para mim, e era mentira. Não posso aceitar mais gente vazando informações dentro do Corinthians”, acrescentou.
Na sequência, Romeu Tuma Júnior respondeu Stabile e negou as acusações. Ele afirmou que não ameaçou o presidente, mas admitiu incômodo com a suposta contratação de um profissional que teria escondido as grades da sede social e liberado acessos não autorizados no dia 20 de janeiro de 2025. Na ocasião, houve uma grande confusão após a suspensão da reunião que votaria o processo de impeachment do então presidente Augusto Melo.
“O que o presidente falou não é verdade. Não falei isso. Eu falei que a diretoria dele contratou um indivíduo que escondeu as grades. Você está muito nervoso, está parecendo o Augusto [Melo]. Ele contratou uma pessoa que está sendo investigada pela Polícia, ele escondeu a grade do clube, conduziu invasores ao quinto andar. Essa pessoa foi contratada pelo clube. Eu falei para você que se não tomasse providência eu falaria para a imprensa. E falei”, disse Romeu Tuma.
Após o bate-boca, um grande tumulto tomou conta do auditório do Parque São Jorge. Houve discussão entre vários conselheiros e até empurrões. Um dele chegou a apontar o dedo para Romeu. O conselheiro Rubens Gomes, Rubão, também pediu a palavra e sugeriu que o caso fosse analisado pela Comissão de Ética.

Conselheiros do Corinthians discutem no auditório do Parque São Jorge (Foto: André Costa/Gazeta Press)
Inicialmente, Tuma suspendeu a reunião por dez minutos. No entanto, como a confusão não cessou, o presidente do Conselho deu o encontro como encerrado por entender que o caso foi armado para impedir a votação da reforma do estatuto.
Romeu informou que levará a votação diretamente para a Assembleia Geral dos sócios, em data a ser definida. Ele se apega no artigo 45, inciso II, letra A do atual estatuto do Corinthians, que prevê a possibilidade de aprovar a reforma estatutária por meio da Assembleia Geral, desde que a necessidade da mesma seja reconhecida pelo Conselho. Veja o que diz o artigo:
“A Assembleia Geral reunir-se á:
II – Extraordinariamente, a qualquer tempo, para:
A – aprovar a alteração deste Estatuto, nos termos do Código Civil, quando expressamente convocada para esse fim, reconhecida, preliminarmente, pelo CD, a necessidade da alteração.”
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O tema já se arrasta desde o ano passado no Parque São Jorge. O novo estatuto deveria ser votado em dezembro de 2025, porém conselheiros decidiram adiar o processo para discutir melhor alguns dos termos do anteprojeto. A princípio, o desejo de Tuma era concluir o rito até o fim do último ano.
Alguns conselheiros entendem que não houve tempo hábil para discutir todos os tópicos abordados no anteprojeto, apresentado em outubro do ano passado. O documento aborda itens como o direito de voto ao Fiel Torcedor e a transformação do clube em SAF. Na última sexta-feira, o Cori (Conselho de Orientação) enviou a Romeu Tuma um ofício sugerindo votação parcial.
Foram realizadas dez audiências públicas para debater os principais itens do texto. Os encontros, vale dizer, tiveram baixo quórum. Desde 2024, a Comissão da Reforma do Estatuto trabalha no projeto, que foi desenvolvido a partir de discussões internas e conversas com movimentos organizados externos, como a Gaviões da Fiel.









































