Jogada10
·01 de abril de 2026
Yamal repudia cânticos islamofóbicos em Espanha x Egito e cobra respeito: “Intolerável”

In partnership with
Yahoo sportsJogada10
·01 de abril de 2026

O atacante Lamine Yamal repudiou publicamente os cânticos islamofóbicos entoados por torcedores da seleção espanhola durante o amistoso contra o Egito, nessa terça-feira (31). O episódio ocorreu no RCDE Stadium, em Barcelona, durante o empate sem gols com os egípcios em preparação para Copa do Mundo e motivou uma investigação oficial da Federação.
A reação do astro espanhol se deu por cânticos de “quem não pular é muçulmano”, logo após um coro de vaias ao hino egípcio. Além do jogador, que mantém relação direta com a religião islâmica, jornais locais também trataram repudiaram o episódio, tratando-o como “vergonhoso” e “desrespeitoso”.
Nascido na Espanha e filho de pai marroquino, Lamine Yamal mantém relação direta com a religião islâmica e, inclusive, praticou o Ramadã entre 17 de fevereiro e 19 de março de 2026. Ele contextualizou sua identidade para explicar por que o episódio fere e ultrapassa o ambiente esportivo.
“Sou muçulmano, graças a Deus. Ontem no estádio ouviu-se o cântico de “quem não bote é muçulmano”. Eu sei que focava na equipe rival e não era nada pessoal contra mim, mas como muçulmano não deixa de ser uma falta de respeito e meio intolerável”, declarou.
Na sequência, ampliou a crítica ao comportamento observado nas arquibancadas. “[…] Aqueles que cantam essas coisas: usar uma religião como zombaria em um campo deixa-os como pessoas ignorantes e racistas. Futebol é para curtir e torcer, não para desrespeitar as pessoas pelo que elas são ou pelo que acreditam. Dito isto, graças às pessoas que vieram nos animar, nos vemos no mundial”, publicou em seu Instagram.
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por @lamineyamal
O caso se encaixava no protocolo antidiscriminação da Fifa, que prevê medidas para casos de ofensas de natureza racial, religiosa ou de identidade, mas o árbitro búlgaro Georgi Kabakov optou por não acioná-lo.
Já com a bola rolando, o sistema de som do estádio interveio nas manifestações e solicitou o encerramento dos cânticos. O alerta surgiu em forma de mensagem no telão e, mesmo com a ocorrência, o árbitro manteve a decisão de seguir com o duelo.
Nas quatro linhas, a Espanha não conseguiu transformar posse em efetividade e ficou no empate sem gols com o Egito. O adversário, por sua vez, se destacou pela solidez da defesa — consistente até o apito final. O amistoso integrou a reta final de preparação para Copa do Mundo de 2026.
A Federação Espanhola de Futebol, o Espanyol e o governo espanhol condenaram publicamente as manifestações em Barcelona e, juntos, abriram investigação para identificar e punir responsáveis. Além disso, o ministro do Desporto do Governo da Catalunha, Beni Álvarez, mostrou profundo descontentamento com o sucedido.
“O mundo do futebol, infelizmente, está a tornar-se num nicho para grupos de extrema-direita. Abre-se um veículo para discurso de ódio, algo que devemos impedir”, alertou o governante.









































