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·06 de setembro de 2026

Zé Elias analisa elenco do Corinthians, avalia Diniz e comenta situação financeira do clube

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

Revelado pelas categorias de base do Corinthians e identificado com o clube desde os primeiros passos no futebol, Zé Elias participou do Resenha do Lounge, realizado em um camarote da Neo Química Arena, e falou sobre diferentes assuntos relacionados ao momento alvinegro. O ex-volante avaliou o elenco comandado por Fernando Diniz, comentou as perspectivas da equipe para a temporada, abordou a situação de Memphis Depay, as dívidas do clube e o projeto SAFiel, além de relembrar sua formação no Parque São Jorge.

Atualmente comentarista da ESPN, Zé Elias disputou 161 partidas pelo Corinthians, sendo 155 como titular. Foram 80 vitórias, 50 empates e 31 derrotas, além de dois gols marcados. Entre suas conquistas estão o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 1995, além da Copa Bandeirantes de 1994.


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Foto: Divulgação / Corinthians

A estreia pelo profissional aconteceu ainda aos 16 anos, em setembro de 1993, na vitória por 2 x 0 sobre o Cruzeiro, no Mineirão. O volante permaneceu no clube até 1996 e ficou conhecido como “Zé da Fiel”.

Zé Elias vê limitações no atual elenco

Ao analisar o grupo disponível para Fernando Diniz em 2026, Zé Elias apontou setores nos quais considera que o Corinthians não possui peças do mesmo nível para realizar substituições. Para o ex-jogador, a situação interfere diretamente na possibilidade de o treinador administrar o desgaste ao longo da temporada.

“Eu acho que é nítido, acho que todo mundo pode ver que o elenco do Corinthians tem suas limitações. Tem algumas posições que são problema, especialmente para o Fernando Diniz, para fazer a gestão do grupo, para fazer aquele famoso rodízio, para você ter uma qualidade sempre, um jogo sempre com a mesma regularidade, vamos dizer assim, e você não perder qualidade e, com isso, você perde performance. Você tem alguns problemas. Por exemplo, na lateral direita tem o Matheuzinho, na lateral esquerda tem o Bidu, você não tem substituto para eles na mesma altura. No meio-campo, agora, com a saída de alguns jogadores, você tem três volantes que precisa revezar.

Tem a possibilidade aí de você trazer um camisa 10, que infelizmente só tem o Garro que faz essa função, ou talvez o Bidon, mas o Bidon é mais jogador de frente, não de jogar de costas. E, no ataque, a gente não precisa nem falar. Tem as dificuldades do Yuri Alberto quando ele fica fora, agora tem o Pedro Raul, mas são dois atacantes com características diferentes, com modos diferentes, e aí você tem que fazer uma montagem dos 11 titulares para poder atender exatamente essas características.

O Memphis é um outro tipo de jogo, já não é um 9, é um 9,5, vamos dizer assim, fica um pouco entre o camisa 9 e o camisa 10, que aí você tem como fazer em determinadas situações, em determinados adversários, você consegue fazer isso. Mas é claro que o Corinthians tem muitos problemas de elenco e, por isso, a gente oscila bastante. A forma de jogar do Fernando Diniz muitas vezes ameniza esse tipo de situação.”

Relação com Diniz e avaliação do estilo de jogo

A análise sobre Fernando Diniz também passou por uma relação antiga entre os dois. Zé Elias contou que conhece o treinador desde a adolescência, quando ambos tiveram contato no futsal, e destacou a evolução do estilo utilizado pelo técnico ao longo da carreira.

“Bom, eu conheço o Fernando Diniz desde os meus 13 anos de idade. Nós jogamos juntos no futsal. Quando eu saí do Corinthians aqui e fui jogar futsal na GM, ele já estava lá, então nós temos uma amizade de quase mais de 30 anos. Eu acho que o estilo de jogo que ele tem é um estilo único, diferente do futebol brasileiro. Talvez ele tenha sido, talvez não, com certeza o pioneiro nessa questão de saída de bola, de confiança, de sair tocando lá de trás.”

Apesar de elogiar a proposta, o ex-volante ponderou que a equipe precisa reconhecer situações em que é necessário abandonar a construção curta.

“Eu acho que existem momentos em que ele pode fazer isso e momentos em que ele não tem que fazer isso. Ele já deixou bem claro que fala assim: ‘Não, eu não obrigo nenhum dos meus jogadores a fazer esse tipo de situação. Eles estão instruídos a, caso tenha algum problema, eles podem dar o chutão, inverter pressão e tal’. Mas é difícil, porque o futebol é muito da repetição e ele treina muito como futsal. Ele veio do futsal, então ele tem a repetição e isso vem automático nos jogadores. Então, é natural que tenha uma saída de bola, que eles vão procurar fazer o que treinaram durante a semana. Eles não vão sair daquilo que foi planejado.”

“Mas eu acho assim: se você tem a possibilidade de fazer isso e se beneficiar, como ele muitas vezes consegue, eu acho que é válido, mas precisa ter um entendimento de: ‘Opa, agora eu não consigo fazer, agora eu vou fazer algo diferente’. E eu acho que, ao longo da carreira, desde que ele surgiu no Votoraty, depois veio o Audax e todos os times por onde ele passou, ele foi se adaptando, entendendo, e eu acho que aqui no Corinthians é a fase de amadurecimento dele, de teste, porque, quando ele assume, ele fica, acho que são nove ou dez jogos sem perder, sem tomar gol, e ele se adapta a isso sabendo das dificuldades. Isso é uma vantagem realmente que o Diniz até vem mostrando no Corinthians, não só o estilo ofensivo, mas um cara que, em 13 jogos, não tomou gol. O estilo dele parece que está se aperfeiçoando ainda mais e o Corinthians abriu essas portas para ele.”

Ex-volante acredita em Corinthians competitivo na temporada

Questionado sobre as perspectivas para a sequência de 2026, Zé Elias demonstrou confiança na possibilidade de o Corinthians competir, sobretudo em torneios eliminatórios. Ao mesmo tempo, citou as limitações do elenco como um obstáculo maior em uma competição longa como o Brasileirão.

“Eu acho que o Corinthians tem condições de brigar, né? É lógico que vai chegar um determinado momento, em determinados jogos, com algumas equipes, eu acho que existe a questão das substituições, que isso pode mudar um pouquinho a forma de jogar do Corinthians. Mas, no Campeonato Brasileiro, é um pouco mais difícil, porque você tem rodada após rodada, um campeonato longo, ida e volta, viagens.”

“O torneio, quando ele é um torneio de mata-mata, você joga 180 minutos. O próprio Fernando Diniz falou, né? ‘Nós erramos contra o Inter, o espírito, a forma de jogar, e acabamos pagando por isso’. Então, acho que o Corinthians, aos poucos, vai mudando, vai se moldando às dificuldades. O Corinthians sempre teve isso como característica. Desde a época em que eu jogava aqui, sempre foi assim. E o Corinthians tem algo que poucos times têm, que é a sua torcida. Isso aí acaba fazendo com que o time, especialmente, saia da sua zona de conforto e jogue um pouco mais além daquilo que a gente espera, muito por conta do apoio dos torcedores.”

SAFiel e a crise financeira do Corinthians

A situação administrativa também entrou na conversa. Ao ser perguntado por um torcedor sobre a SAFiel e possíveis caminhos para solucionar as dívidas do Corinthians, Zé Elias classificou o projeto como uma alternativa interessante, embora considere necessários alguns ajustes.

“Eu acho que a SAFiel pode fazer alguns ajustes, sem dúvida alguma. Acho que é um projeto legal, são ideias boas, mas com alguns ajustes. Mas, antes da SAFiel, a gente tem que resolver os problemas que nós temos agora. Eu acho que isso é o mais importante. Eu vejo aí muita gente na intervenção, intervenção. Eu já peço isso há muito tempo, não é só de agora.”

“Quem acompanha o meu trabalho na ESPN sabe que eu já falei que o Corinthians precisaria de uma movimentação como essa, na época que houve no Cruzeiro. Lá, naquele momento, eu já tinha pedido isso. Porque a gente sabe que, infelizmente, quem sofre, quem paga e quem continua pagando são os torcedores. Então, o clube… A gente tem uma máxima dentro do vestiário, que nós falamos o seguinte: o dirigente passa, o treinador passa, os jogadores passam e o clube fica. Então, muitas das pessoas que fizeram o que fizeram com o clube não pensaram no que estavam fazendo. Jogaram para a torcida e, infelizmente, prejudicaram e acabaram deixando o Corinthians nessa situação. Mas eu acho que a SAFiel é uma das boas ideias que nós temos para sanar essas dívidas que são tão difíceis de sanar.”

Bidon, Raniele e a identificação com o estilo de Zé Elias

Na comparação com jogadores do elenco atual, Zé Elias citou José Martínez, que deixou o Corinthians, como alguém com quem se identificava pela maneira de competir. Entre os atletas que permanecem no clube, destacou Breno Bidon.

“Tinha um, mas ele aprontou e foi mandado embora, que era o Martínez. Que era o que brigava. Eu acho que eu me via muito nele, de lutar, brigar até o fim, de criar essa confusão, esse espírito corinthiano. O jeito de ser, de representar os torcedores dentro de campo. Eu gosto muito do Bidon. Eu acho que, pelo fato de ele ser canhoto, então eu me identifico muito com ele. E ele está num processo, como eu falo, de evolução muito bom. Ele precisa de alguns entendimentos, e aí cada treinador vai mostrar para ele o que precisa ser feito, para ele poder evoluir ainda mais. Mas eu acho que ele é o cara de quem eu mais me aproximo.”

Ao ser lembrado sobre Raniele, o ex-volante também fez elogios ao camisa 14.

“Mas, assim, eu pensei muito no Martínez pelo espírito, de briga, de confusão. Quem assistiu jogando, eu era um pouco assim. Então, era mais nesse sentido. E o fato da perna esquerda. Mas eu acho que o Raniele é um dos principais jogadores desse elenco. No jogo agora contra o Rosario Central, ele, o Gustavo e o Gabriel foram sensacionais. Ele é muito bom jogador.”

“Inclusive, já falei para ele uma vez. Encontrei com ele no Rio de Janeiro e dei os parabéns pelo trabalho que ele vinha fazendo, porque é sensacional. Ele, daquela leva que veio do Cuiabá, foi o único que permaneceu. E o Raniele é um cara que, se ele tiver que sair sangrando, com o uniforme todo sujo do gramado, com certeza ele vai estar saindo.”

Zé Elias analisa permanência de Memphis sob duas perspectivas

Um dos principais assuntos da conversa foi Memphis Depay. Zé Elias separou sua opinião entre o desejo como torcedor e a análise financeira feita como comentarista. Embora tenha destacado a qualidade esportiva do neerlandês, mostrou preocupação com o peso do contrato diante das dívidas do Corinthians.

“Existem duas visões. A visão minha de torcedor. É lógico que eu gostaria do Memphis no Corinthians. Quem não gostaria? É um bom jogador, um jogador que traz qualidade para a equipe, que dá confiança para alguns jogadores. Como torcedor, eu gostaria que ele permanecesse.Agora, dentro da minha função como comentarista, eu tenho que analisar o todo. O Corinthians hoje deve 3 bilhões. Ontem saiu recentemente que o Corinthians, só para empresários, deve 240 milhões. Além dos empresários, que não foi.

Você tem ainda ex-jogadores que não cobraram o Corinthians porque gostam do Corinthians. Também que vai ser muito dinheiro. E aí você tem que fazer a soma. Os números estão aí. São 150 milhões em dois anos. Só com uma cláusula que, se o Corinthians atrasar uma parcela, ele pode pegar os 150 milhões e ir embora. Com juros, com uma série de coisas. Então, aquilo que seria 70 ou 90, aí vocês fazem o cálculo, se torna muito maior.”

Na sequência, o ex-jogador relacionou a discussão aos atrasos enfrentados pelo elenco e questionou a sustentabilidade desse cenário.

“E acho que o Corinthians está na hora de começar a assumir a sua responsabilidade e acabar com as dívidas. Porque a gente estava conversando e falei para você que quem está pagando tudo isso são os torcedores. O torcedor que vem no estádio, o torcedor que paga o ingresso, que torce, ele é que paga, com sofrimento, com tudo aquilo que nós estamos acompanhando. E, na minha visão, acho que é muito caro para uma situação em que o Corinthians se encontra.”

“Eu fui jogador de futebol durante 26 anos. O Corinthians deve salários para os jogadores. Aí como é que você vai conversar com o jogador? Ele vai falar assim: ‘Olha, vem cá, Guilherme, o teu salário está atrasado, nós vamos negociar para daqui dois meses, um mês, a gente acerta e tal’, e aí você negocia e acerta um contrato de 150 milhões. Não sei se vocês lembram, mas o Hugo, 20 dias atrás, o Hugo falou que essa questão do salário atrasado está nos atrapalhando, a gente precisa ter um pouco mais de confiança. Então, são uma série de fatores juntos que transformam em uma situação muito difícil e complicada. O erro do Osmar foi ter deixado até a situação onde chegou. Eu acho que ele poderia ter jogado primeiro com o Memphis, que: ‘Olha, Memphis, assim, assim, assim’, e depois com os torcedores. Esse é o grande problema.”

Atrasos podem afetar confiança dentro do vestiário

A experiência como jogador também serviu de base para Zé Elias explicar como diferenças salariais e atrasos nos pagamentos são recebidos pelo elenco. Para ele, o problema não está no valor recebido por outro atleta, mas no descumprimento do que foi acertado individualmente.

“Quem me acompanha sabe, sou muito sincero e direto no que falo. O jogador não está muito preocupado em quanto ele está ganhando, em quanto você está ganhando ou não. O importante é que o meu, no 30º dia, vai cair. Entendeu? A partir do momento em que isso não acontece, você começa a gerar situações ruins, você começa a gerar cobrança, expectativa, porque o Memphis, o Yuri ou qualquer jogador do Corinthians que assinou o contrato, eles pediram. Se o Corinthians acertou, o problema não é deles. Se o Corinthians não consegue pagar com o que foi acordado, o problema não é do jogador, entendeu? Porque existiu um comum acordo para que esse contrato fosse assinado.”

“E isso é ruim, é o que eu te falei, é ruim, porque você chega no vestiário, talvez você não fique chateado, talvez não, com certeza você não vai brigar com o jogador, porque a culpa não é dele. Mas, como o diretor, ele vai perder credibilidade, ele vai ficar… Ele vai chegar no vestiário, ninguém vai acreditar, ele vai perder o respeito, e aí você perde o grupo. Por isso que eu falei, são muitas coisas que acontecem nos bastidores que muitas vezes os torcedores não entendem como é que funciona. E é uma coisa que… É aquela bola de neve. Ela começa pequenininha, pequenininha, pequenininha e, quando você vê, ela vira uma avalanche e você perde tudo.”

Jogadores do Corinthians com potencial de Seleção Brasileira

Zé Elias ainda foi questionado sobre atletas do Corinthians que poderiam ganhar oportunidades na Seleção Brasileira. Breno Bidon foi um dos primeiros nomes mencionados.

“Vamos esperar. O Ancelotti já falou que vai ser uma nova Seleção. Eu acho que o Bidon tem grandes possibilidades. Eu não sei a idade do Bidu, peço perdão, porque são muitos jogadores e eu não sei a idade dele. Qual a idade do Bidu? Mas deve ter chance, com certeza.”

Depois, ao ampliar a análise, o comentarista incluiu Matheus Bidu e Matheuzinho entre os nomes com potencial de convocação.

“O Corinthians hoje tem jogadores selecionáveis? Primeiro, precisa entender como o Ancelotti vai montar o time da Seleção Brasileira. Porque, se ele quiser montar um time estilo europeu, como ele montou na Copa do Mundo, alguns jogadores podem ser chamados e outros não. Eu acho que o Bidu, o Matheuzinho e o Bidon são bons jogadores e com chances de jogar na Seleção Brasileira.”

“Porque aqui no Brasil nós temos muitos problemas com laterais. Nós não temos um lateral direito, nós não temos um lateral esquerdo fixo. Você falava assim: ‘Esse daqui vai para a Seleção’, como no passado. E outras posições também. A versatilidade que o Bidon vem mostrando, que pode jogar como segundo volante, pode jogar aberto, do lado direito, para vir com a perna por dentro. Então, tem grandes possibilidades. O próprio Raniele tem feito bons campeonatos. Aí precisa ver qual será a intenção do Ancelotti, se ele vai montar realmente um time europeu ou um time próximo daquilo que éramos no passado.”

Formação no futsal e início no Corinthians

Filho do Terrão, Zé Elias também voltou às origens durante a entrevista. O ex-volante contou que começou no Corinthians ainda criança e explicou a influência do futsal na maneira como passou a compreender o jogo.

“Foi muito importante. Eu entrei no Corinthians aqui no dia 22 de agosto de 1982. Foi o meu primeiro jogo pelo futsal. Paineiras do Morumbi e Corinthians. E aí eu cresci, fiquei aqui jogando futsal até os 14. Depois eu fui jogar futsal fora, mas futebol de campo desde os 12 anos aqui no clube.”

“Eu tive a sorte de jogar futsal e futebol de campo ao mesmo tempo. Então, isso me ajudou bastante. O futsal traz para a gente a visão periférica, que você observa o campo e consegue enxergar questões táticas e as possíveis jogadas que você tem. Tem a questão da parte técnica, que a bola está sempre colada no pé, porque você tem pressão o tempo todo, então você tem que proteger a bola para não perder. E a questão do corpo. Você consegue se proteger das pancadas, você consegue antever como o adversário vem para tentar roubar essa bola.”

“Então, você põe o corpo, você vê outras jogadas que facilitam demais essa questão no futebol de campo. Quando eu comecei a jogar, era diferente de hoje. Hoje você tem o treinador que manda o jogador fazer exatamente as coisas, os movimentos. Quando eu joguei, na minha época, o treinador te posicionava e você, dentro do campo, tinha que encontrar a diagonal, tinha que encontrar o posicionamento para você poder fazer um bom jogo. Porque o futebol é muito posicionamento. Então, eu acho que o futsal me trouxe isso.”

Identificação com o Corinthians começou dentro de casa

Para encerrar, Zé Elias relembrou como aprendeu ainda criança a dimensão do Corinthians. O ex-jogador citou a influência da mãe, corinthiana fanática, e contou histórias que marcaram sua formação antes mesmo de chegar ao profissional.

“Eu entendi. Hoje eu não sei tanto, mas eu entendi porque eu tenho uma mãe que é corinthiana fanática. Então, quando eu fui jogar o primeiro Corinthians e Palmeiras, ela ligou para a minha tia, minha tia palmeirense, e falou assim: ‘Você vai torcer para quem?’. Aí minha tia falou: ‘Vou torcer para o meu sobrinho jogar bem, mas para o Palmeiras ganhar’. E aí ela bateu o telefone e ficaram sem se falar quase um ano. Então, eu vivi essa rivalidade, eu sabia o que era.”

“Minha mãe… Eu treinava, saía de casa às seis horas da manhã e voltava à meia-noite, meia-noite e meia. Teve um dia que eu voltei antes e vi minha mãe chorando. Minha mãe estava chorando, estava passando a roupa. Falei: ‘Mãe, pelo amor de Deus’. Eu não tinha visto o meu irmão. O meu irmão tinha ido treinar. Falei: ‘O que aconteceu? Aconteceu alguma coisa com o Rubinho e tal?’. Ela falou: ‘Não, o Neto saiu do Corinthians e tal’. Então, era assim, era fanática. Eu tinha esse fanatismo dentro de casa. E era impossível não entender o que é Corinthians.”

“Eu entrei aqui com quatro anos de idade. Eu vivenciei tudo o que eu poderia ver, criar experiências dentro do clube. Eu entendia o que era representar o Corinthians, eu sabia o que era tão difícil. E, quando eu comecei a jogar, nós nos concentrávamos no Hotel São Rafael, ali no Largo do Arouche. Então, vinha, passava por baixo do Minhocão, fazia a volta. Então, quando nós saíamos do hotel até chegar no estádio, aquela multidão de gente, de torcedores corinthianos chegando no estádio, não tem como você não entender o que é, não tem como você não saber o que é ser corinthiano. Eu tentava fazer isso em campo, tentava mostrar para todo mundo que eu tinha muito respeito pela camisa e pela história do clube.”

A passagem de Zé Elias pelo profissional do Corinthians terminou em agosto de 1996. Além dos 161 jogos e dois gols pelo clube, o ex-volante construiu uma trajetória internacional e também defendeu a Seleção Brasileira, antes de encerrar a carreira como jogador e seguir para a função de comentarista.

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