São Paulo
·25. Februar 2026
Campeão brasileiro de 1986

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No aniversário de 38 anos da conquista do bicampeonato brasileiro, ocorrido no dia 25 de fevereiro de 1987, relembramos a saga vitoriosa dos Menudos do MorumBIS, que superaram o Guarani por 4 a 3 nos pênaltis, depois de empate em 3 a 3 no acumulado do tempo normal e prorrogação, e trouxeram o segundo caneco nacional da história são-paulina para casa.
Bernardo, Pita e Careca – em um gol inesquecível nos últimos instantes – foram os autores dos gols são-paulinos com a bola rolando, enquanto Darío Pereyra, Rômulo, Fonseca e Wagner Basílio foram os batedores bem-sucedidos nas penalidades, que também contou com uma grande defesa do tricolor Gilmar.
JORNAIS DA CONQUISTA
Após o vice-campeonato nacional obtido em 1981, contra o Grêmio, e quase dez anos depois da primeira conquista, em março de 1978, o São Paulo voltou à uma decisão do Brasileirão e novamente não era apontado como o favorito – afinal, tanto em 1977 quanto em 1986, o Tricolor chegou à final sem possuir a melhor campanha da competição.

22 de fevereiro de 1987, MorumBIS: Bernardo, Gilmar, Wagner Basílio, Darío Pereyra, Nelsinho e Zé Teodoro; Müller, Silas, Careca, Pita e Sídnei. Foto: Arquivo Histórico João Farah
Por conseguinte, o MorumBIS recebeu a primeira partida da disputa contra o Guarani no dia 22 de fevereiro. Mais de 81 mil pessoas viram Evair, de cabeça, abrir o marcador para o time campineiro aos 15 minutos do segundo tempo e, pouco depois, Careca empatar para o Tricolor, aos 18.

No primeiro jogo da decisão, no MorumBIS, o São Paulo ficou no empate com o Guarani. Foto: GazetaPress.
Careca, que havia sido o grande responsável por levar o Tricolor a se classificar nas fases eliminatórias anteriores – o atacante balançou as redes em cinco dos seis jogos de mata-mata que levaram o time até a final: Inter de Limeira (dois gols, um em cada partida), Fluminense (um golaço que valeria por dois até) e América-RJ (dois gols, um em cada) –, manteve-se empatado com o mesmo Evair na artilharia do Brasileiro daquela temporada, ambos então com 24 gols.

25 de fevereiro de 1987, Brinco de Ouro: Fonseca, Gilmar, Wagner Basílio, Darío Pereyra e Bernardo; Müller, Silas, Careca, Pita e Sídnei. Foto: Sérgio Berezovsky/Placar
A resolução deste embate e do campeonato em si ficou para o dia 25 de fevereiro, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Os pouco mais de 37 mil torcedores presentes eram de maioria bugrina e, logo de início, aos 2 minutos, os tricolores sofreram um baita susto: Nelsinho, lateral-esquerdo, marcou um gol contra e pôs o Guarani à frente do marcador.

Careca, ao lado do zagueiro Ricardo Rocha, vê o gol de empate são-paulino. Foto: Sérgio Berezovksy/Placar
Rapidamente, entretanto, o São Paulo se reencontrou no jogo e, aos nove minutos, Bernardo, de cabeça, empatou o placar: 1 a 1. Resultado que perdurou durante o restante do tempo regulamentar.
Na prorrogação, um surpreendente “vira-virou” de tirar o fôlego: Pita, aos dois minutos, colocou o Tricolor à frente.

Pita comemora o gol da virada tricolor. Foto: GazetaPress.
Cinco minutos depois, Marco Antônio Boiadeiro deixou o jogo empatado novamente: 2 a 2. Mal iniciado o segundo tempo da prorrogação, o Guarani já liderava mais uma vez o placar, agora graças ao gol de João Paulo.
O relógio não parava e as chances do time do Morumbi reverter a situação ficavam menores a cada jogada. Faltando pouco mais de um minuto para fim, todavia, ainda restava um lance, uma tentativa. Tudo ou nada. Silas, apesar do resultado, prognosticou em entrevista à SPFCtv: “Quando eu saí, faltavam sete minutos para acabar a prorrogação. Não podia ficar no campo, então eu desci, mas com a calma de saber que iríamos ser campeões. Foi acabar de chegar lá e o Tião saiu pulando lá, comemorando”.
O lance que resultou nessa comemoração começou com Gilmar, que cobrou rapidamente o tiro de meta para Wagner Basílio. Este por sua vez avançou ainda no setor defensivo e chutou para o alto. Já perto da grande área do time campineiro, Pita ganhou a disputa contra o marcador, resvalando a bola em direção ao centroavante do Tricolor. Um quique. Uma pancada de pé esquerdo. Um golaço de Careca! Artilheiro isolado do Brasileirão, com 25 gols! 3 a 3 e fim de jogo, mas não de campeonato.

Careca comemora o gol do empate nos últimos instantes da prorrogação. Foto: Sérgio Berezovsky/Placar
Pênaltis. Tudo seria decidido nas cobranças de penalidades. A maioria da torcida presente no estádio estava emudecida desde o golaço de Careca, assim permaneceu após a primeira cobrança, de Boiadeiro, a qual o goleiro são-paulino Gilmar defendeu.

A defesa de Gilmar no chute de Boiadeiro. Foto: Sérgio Berezovsky/Placar.
Careca, herói em 120 minutos, veio a seguir e também errou (certamente uma daquelas tramas indecifráveis do destino). Tosin e Darío Pereyra converteram as próximas penalidades. 1 a 1. Então o bugrino João Paulo bateu forte e mandou a bola no Moisés Lucarelli, ali perto. Rômulo colocou o Tricolor à frente!
Waldir Carioca e Fonseca não desperdiçaram as chances de cada um e Evair também não fez feio – o que colocaria um fim precoce à disputa. A responsabilidade do título ficou, assim, com o zagueiro Wagner Basílio, que cobrou fraco, fazendo bater forte o coração no peito dos são-paulinos com a trajetória da bola, ainda tocada pelo goleiro Sergio Néri antes dela entrar, quicando mansamente, dentro da meta adversária.

Wagner Basílio executa a última cobrança de pênalti. Foto: Carlos Fenerich/Placar
Gol! 4 a 3! São Paulo Futebol Clube campeão brasileiro de 1986, o segundo título nacional do Tricolor! “Foi emocionante demais, um dos títulos mais importantes para todos que presenciaram aquela geração do São Paulo. E todos são, até hoje, muito gratos ao que nós fizemos, pois nós realmente vestimos a camisa do São Paulo como nossa pele e fomos até o fim, conquistando aquele título brasileiro”, ressaltou o centroavante e herói Careca.

As cobranças de pênaltis da decisão. Imagens: Rede Manchete

A torcida tricolor comemora o título em Campinas. Foto: Sérgio Berezovsky/Placar
FICHA DO JOGO
25.02.1987Campinas (SP)Estádio Brinco de Ouro da Princesa
GUARANI Futebol Clube 3 X 3 SÃO PAULO Futebol ClubeTempo normal: 1 x 1; Prorrogação: 2 x 2; Pênaltis: 4 x 3 para o SPFC.
GFC: Sérgio Neri; Marco Antônio, Waldir Carioca, Ricardo e Zé Mário; Tite (Vagner), Tosin e Marco Antônio Boiadeiro; Catatau (Chiquinho Carioca), Evair e João Paulo. Tecnico: Carlos Gainete.Gols: Nelsinho (contra), 2′/1; Marco Antônio Boiadeiro, 7′/1pro; João Paulo, 2′/2pro.Expulsão: Vagner, 12′ da prorrogação.
SPFC: Gilmar; Fonseca, Wagner Basílio, Darío Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Silas (Manu) e Pita; Müller, Careca (capitão) e Sídnei (Rômulo). Técnico: PepeGols: Bernardo, 9′/1; Pita, 1′/1pro; Careca, 14′/2pro.
Árbitro: José de Assis AragãoRenda: Cz$ 4.222.000,00Público: 37.370 pagantes
Penalidades:
Boiadeiro – perdeu (Gilmar) / Careca – perdeu (Sérgio Neri)Tosin – gol / Darío Pereyra – golJoão Paulo – perdeu (por cima) / Rômulo – golWaldir Carioca – gol / Fonseca – golEvair – gol / Wagner Basílio – gol



OS GOLS DO JOGO DO TÍTULO

CAMPANHA
Primeira Fase30.08.1986 – 1 X 0 – CORITIBA Foot Ball Club (PR)03.09.1986 – 1 X 1 – SOBRADINHO Esporte Clube (DF)07.09.1986 – 1 X 1 – BANGU Athletic Club (RJ)14.09.1986 – 4 X 0 – CEARÁ Sporting Club (CE)21.09.1986 – 0 X 0 – Sport Club INTERNACIONAL (RS)24.09.1986 – 4 X 0 – SAMPAIO CORRÊA Futebol Clube (MA)28.09.1986 – 3 X 2 – FLUMINENSE Football Club (RJ)30.09.1986 – 2 X 1 – OPERÁRIO Futebol Clube (MS)02.10.1986 – 2 X 0 – Clube do REMO (PA)05.10.1986 – 3 X 2 – SPORT Clube do RECIFE (PE)
Segunda Fase12.10.1986 – 2 X 0 – Associação Atlética PONTE PRETA (SP)19.10.1986 – 2 X 0 – SANTOS Futebol Clube (SP)22.10.1986 – 2 X 0 – BANGU Athletic Club (RJ)26.10.1986 – 1 X 1 – AMÉRICA Futebol Clube (RJ)02.11.1986 – 0 X 0 – Sociedade Esportiva PALMEIRAS (SP)09.11.1986 – 0 X 0 – JOINVILLE Esporte Clube (SC)12.11.1986 – 0 X 1 – TREZE Futebol Clube (PB)20.11.1986 – 5 X 0 – BOTAFOGO de Futebol e Regatas (RJ)23.11.1986 – 0 X 0 – SANTOS Futebol Clube (SP)30.11.1986 – 0 X 0 – AMÉRICA Futebol Clube (RJ)03.12.1986 – 4 X 1 – TREZE Futebol Clube (PB)07.12.1986 – 0 X 0 – BOTAFOGO de Futebol e Regatas (RJ)10.12.1986 – 6 X 1 – Associação Atlética PONTE PRETA (SP)14.12.1986 – 2 X 2 – Sociedade Esportiva PALMEIRAS (SP)24.01.1987 – 5 X 0 – JOINVILLE Esporte Clube (SC)28.01.1987 – 0 X 1 – BANGU Athletic Club (RJ)

Oitavas-de-Final01.02.1987 – 1 X 2 – Associação Atlética INTERNACIONAL (Limeira – SP)04.02.1987 – 3 X 0 – Associação Atlética INTERNACIONAL (Limeira – SP)
Quartas-de-Final08.02.1987 – 0 X 1 – FLUMINENSE Football Club (RJ)11.02.1987 – 2 X 0 – FLUMINENSE Football Club (RJ)
Semifinais15.02.1987 – 1 X 0 – AMÉRICA Futebol Clube (RJ)18.02.1987 – 1 X 1 – AMÉRICA Futebol Clube (RJ)
Finais22.02.1987 – 1 X 1 – GUARANI Futebol Clube (SP)25.02.1987 – 3 X 3 – GUARANI Futebol Clube (SP) 4 X 3 pen.









Revista Onze (França), nº 135, de março de 1987

Ricardo Rocha e Müller. Foto: Abril Imagens
O TÉCNICO

O técnico Jose Macia, o Pepe. Foto: GazetaPress.
Pepe foi o comandante do Tricolor na vitoriosa campanha de 1986. Ele havia assumido o time na quarta rodada do campeonato (nas três primeiras partidas, o treinador foi José Carlos Serrão). No primeiro jogo à frente do elenco, uma goleada por 4 a 0 sobre o Ceará, no Morumbi, foi promissora. Da estreia em diante, manteve o São Paulo invicto por treze jogos. Ao fim do Campeonato, ostentou um cartel de 16 vitórias, 11 empates e apenas quatro derrotas.
Em abril de 1987, pouco depois do título, Pepe alegou estafa e deixou o comando do time são-paulino. Ao todo, acumulou somente 45 partidas pelo clube (22 vitórias, 16 empates, sete derrotas), mas registrou para sempre o próprio nome na história do clube com uma das maiores conquistas de todos os tempos.
Conquista essa, curiosamente, obtida na data do nascimento do treinador (25 de fevereiro de 1935). Um grande presente de aniversário!
O ARTILHEIRO

Careca em disputa com Ricardo Rocha. Foto: Abril Imagens
O centroavante Careca foi o artilheiro geral da competição com 25 gols marcados, um a mais que o segundo colocado, Evair, do Guarani. Mirandinha, do Palmeiras, com 21 gols, foi o terceiro maior goleador.

Careca e o palhaço Carequinha, do qual era fã e a razão do apelido de jogo






Careca erguendo a taça de campeão de 1986. Foto: Abril Imagens









































