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·14. Mai 2026

Candidato a vice que acha que o Benfica é só futebol…

Artikelbild:Candidato a vice que acha que o Benfica é só futebol…

Não é sequer tema, nem tenho intenção de andar a desperdiçar tempo contra os que dizem ser do nosso clube. É precisamente isso que os rivais querem que continue instalado no Benfica. O divisionismo, as crises de identidade, o ruído permanente, os problemas fabricados e a instabilidade diária.

Um Benfica estável vende pouco. Um Benfica dividido vende muito mais. Convém recordar que tudo isto começou depois de um tetra do Benfica. Foi a partir daí que se percebeu que, para travar o Benfica, não bastava atacar dentro de campo.


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Mas há um apontamento que não posso deixar passar.

Andaram durante meses numa grande campanha para alterar os estatutos. Fizeram disso uma bandeira. O actual presidente do Benfica não lhes virou as costas. Pelo contrário, sentou-se, ouviu, participou e, em conjunto, foram elaborados os novos estatutos.

Por isso, é com surpresa, ou talvez já nem seja surpresa nenhuma, que vejo agora um candidato a vice-presidente do Benfica sair das redes sociais para ir a um jornal contestar a marcação das assembleias gerais para dia 27, porque, na cabeça deles, deveriam ser no dia 15, conforme os estatutos.

Ora, aqui começa o problema.

É de uma estupefação absoluta ver um candidato à vice-presidência não ter tido o cuidado de salvaguardar, no próprio processo estatutário que tanto defenderam, que aquela assembleia geral se referia única e exclusivamente ao futebol profissional. Andaram com tanta pressa em elaborar estatutos, com tanta vontade de mostrar serviço, com tanta necessidade de dizer que tinham mudado o Benfica, que deixaram pontas por todos os lados.

E agora, como sempre, a culpa é dos outros. Não venham com a velha narrativa de que a culpa nunca é vossa. Não venham outra vez com o discurso do costume, de que o Benfica falhou, de que os órgãos sociais falharam, de que a Mesa falhou, de que toda a gente falhou menos aqueles que andaram a empurrar isto com pressa e vaidade.

Aqui, os únicos responsáveis são aqueles que quiseram estas assembleias gerais nestes moldes e não souberam acautelar aquilo que agora fingem descobrir.

O Benfica não é só futebol. E um candidato a vice-presidente do Benfica devia saber isso todos os dias, não apenas quando o futebol profissional não ganha um troféu e se corre para as redes sociais fazer estatísticas, montar gráficos, publicar frases feitas e alimentar indignações.

O Benfica tem modalidades. Tem equipas femininas. Tem formação. Tem atletas, treinadores, secções, projectos e épocas desportivas que não terminam todas ao mesmo tempo. O Benfica é demasiado grande para caber na obsessão de quem só vê futebol sénior masculino quando dá jeito atacar.

Se a equipa de futebol profissional só iniciasse trabalhos em agosto, garantidamente que estas assembleias gerais, pelo menos a primeira, não seriam no dia 15 nem no dia 27. Seriam quando todas as modalidades tivessem terminado. Porque esse é o princípio correcto. Uma assembleia geral de um clube como o Benfica não deve ignorar parte do Benfica só porque alguns querem marcar calendário político.

Como os trabalhos do futebol profissional começam a 1 de julho, o presidente da Mesa fez muito bem em defender o Benfica e em procurar uma data que permitisse ter o máximo possível de equipas com a época desportiva concluída. Assim, os sócios podem falar do clube no seu todo. Podem falar das equipas. Podem falar das modalidades. Podem falar dos resultados, dos projectos, dos erros, das conquistas e do que tem de ser melhorado.

Porque uma assembleia geral do Benfica não é um comício de frustração de meia dúzia.

É uma assembleia de sócios de um clube gigante.

O lado bom da coisa é que estes senhores têm agora mais tempo para preparar as tarjas de contestação. Têm mais tempo para escolher frases, ensaiar indignações, combinar publicações, alinhar discursos e preparar vídeos para as redes sociais. Podem transformar mais uma vez uma questão interna do clube num palco para a sua vaidade.

O lado mau é que um candidato a vice-presidente venha criar ruído público sobre as assembleias gerais quando foram eles próprios que não souberam acautelar o essencial. Se queriam uma assembleia geral apenas sobre futebol profissional, tinham de o ter defendido. Tinham de o ter explicado aos sócios. Mas sabem porque não o fizeram? Porque se dissessem claramente aos sócios que queriam uma assembleia geral só para o futebol profissional, isso provavelmente não passava. Porque o Benfica não é só futebol. Porque os sócios do Benfica sabem que o clube é muito mais do que o resultado do último jogo e muito mais do que a última estatística feita à pressa por quem vive obcecado com o desejo da derrota.

O que quiseram foi criar uma regra com aparência de grande princípio democrático, mas sem cuidar das consequências práticas. Agora que a regra não serve a pressa política de alguns, lá vêm eles para os jornais e para as redes sociais criar ruído.

É sempre o mesmo filme.

Quando corre bem, a vitória é deles. Quando corre mal, a culpa é dos outros. Quando participam, dizem que foram decisivos. Quando o resultado não lhes agrada, dizem que foram enganados. Quando se sentam à mesa, são reformadores. Quando a realidade aparece, são vítimas.

O Benfica não pode viver refém deste teatro permanente.

Há muito para discutir no Benfica. Há erros para apontar. Há responsabilidades para exigir. Há épocas para avaliar. Há decisões que merecem crítica. Mas uma coisa é discutir o Benfica com seriedade. Outra é usar o Benfica como palco de guerrilha, como instrumento de afirmação pessoal e como trampolim para ambições internas.

O Benfica precisa de exigência, sim. Precisa de debate, sim. Precisa de sócios atentos, sim. O que não precisa é de gente que passa a vida a dizer que defende o clube, mas que aproveita cada detalhe para criar mais uma crise.

As assembleias gerais serão no dia marcado. Os sócios falarão. O clube será discutido. O futebol será avaliado. As modalidades também. Porque o Benfica é isso tudo.

E quem quer ser vice-presidente do Benfica devia ser o primeiro a perceber.

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