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·7. März 2026

Cori recomenda “barrar” reforma estatutária e provoca reação de coletivo e de Tuma

Artikelbild:Cori recomenda “barrar” reforma estatutária e provoca reação de coletivo e de Tuma
  1. Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

A sexta-feira (6) foi marcada por uma sequência de manifestações públicas que acirraram as divergências em torno da proposta de reforma do Estatuto do Corinthians. Ao longo do dia, torcedores, órgãos estatutários e o próprio presidente do Conselho Deliberativo (CD) se posicionaram sobre o projeto que será votado na próxima segunda-feira (9).

Os episódios envolveram a confirmação da adoção de voto aberto e nominal na reunião que votará a proposta, a revelação de que o Conselho de Orientação (Cori) recomendou a rejeição do texto final da reforma, uma manifestação do coletivo Voz Corinthiana criticando a posição do órgão e, por fim, a resposta do presidente do CD Romeu Tuma Júnior ao ofício encaminhado pelo Cori.


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Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians

Coletivo exalta voto aberto e alerta para articulações nos bastidores

O primeiro posicionamento público do dia partiu do Coletivo Voz Corinthiana, que divulgou uma nota afirmando ter obtido uma “vitória fundamental” após a confirmação de que a votação da reforma estatutária será realizada por meio de voto aberto e nominal no Conselho Deliberativo.

Segundo o grupo, a confirmação ocorreu após resposta formal do presidente do órgão a um requerimento apresentado pelo coletivo. Na avaliação do movimento, a decisão garante maior transparência no processo.

Apesar disso, o coletivo afirmou ter recebido com preocupação informações sobre articulações nos bastidores que buscariam inviabilizar a votação da reforma. Na nota, o grupo cita declarações atribuídas a Alexandre Husni, membro nato do Cori, que teria manifestado a intenção de barrar a aprovação do novo estatuto.

Manifestamos profunda indignação com as articulações recentes para inviabilizar a modernização do clube. Recebemos com extrema preocupação a notícia de que o ex-presidente do Conselho Deliberativo, Alexandre Husni, teria declarado a intenção de seu grupo político de ‘barrar a reforma do estatuto’. É sintomático que essa ameaça parta de quem brilhou por sua ausência, não comparecendo a nenhuma das dez audiências públicas realizadas para debater o tema com os associados“, afirmou o coletivo.

O comunicado também menciona supostas mensagens divulgadas nas redes sociais de um grupo de WhatsApp ligado ao Conselho de Orientação do Corinthians (Cori). Nos prints, conselheiros discutiriam a possibilidade de reuniões e pedidos de adiamento da votação para permitir uma análise considerada mais aprofundada do texto.

Na nota, o coletivo rebateu a alegação de que o Cori teria sido ignorado durante o processo de elaboração da reforma, afirmando que o presidente do órgão Miguel Marques e Silva participou de audiências públicas, assim como outros membros do colegiado, entre eles Paulo Pedro, Felipe Ezabella e Caetano Blandini.

O Corinthians não tem mais margem para retrocessos institucionais. A modernização do Estatuto não é um capricho, é uma questão de sobrevivência. Não aceitaremos que o futuro do Corinthians seja, mais uma vez, sequestrado por quem coloca a manutenção de privilégios e o controle político acima do clube. Aqueles que se omitiram quando foram chamados ao debate não podem, agora, ditar os rumos do clube em reuniões fechadas“, concluiu o coletivo.

Cori recomenda rejeição do novo estatuto

Ainda nesta sexta-feira, a Central do Timão revelou o conteúdo da deliberação tomada pelo Cori em reunião extraordinária realizada na última quinta (5). De forma unânime, o órgão decidiu recomendar a rejeição do texto integral da reforma estatutária.

A orientação construída durante o encontro sugere que o Conselho Deliberativo não aprove um novo estatuto completo neste momento. Em vez disso, o Cori defende que sejam promovidas alterações pontuais no estatuto atualmente em vigor, concentradas em temas considerados prioritários pelo colegiado.

Entre os temas considerados mais sensíveis pelo órgão está a proposta de inclusão do voto do Fiel Torcedor nas decisões do clube. Sobre esse ponto, o Cori deliberou que a questão seja submetida diretamente à Assembleia Geral de sócios e, caso aprovada, posteriormente incorporada ao estatuto vigente.

O órgão também indicou outros temas que poderiam ser objeto de revisão pontual, como o sistema eleitoral do Conselho Deliberativo, a quantidade de conselheiros eleitos e vitalícios, o tempo mínimo de associação para aquisição de direito a voto e mudanças no capítulo referente ao Conselho Fiscal, especificamente nos artigos 100, 100-A, 101, 102 e 102-A.

Nova nota do coletivo critica posição do Cori

A recomendação do Cori motivou uma segunda manifestação do Coletivo Voz Corinthiana ao longo do dia. Em nova nota pública, o grupo classificou o ofício do órgão como uma tentativa de inviabilizar a votação da reforma na íntegra.

O coletivo afirmou que a posição do Conselho de Orientação teria surgido após a confirmação de que a votação será aberta e nominal. O comunicado também contestou a alegação de unanimidade entre Cori e Conselho Fiscal na rejeição do texto da reforma. Na avaliação do grupo, há uma contradição nesse posicionamento, uma vez que membros desses órgãos participaram das audiências públicas e das discussões promovidas pelo CD ao longo do processo.

O documento alega uma suposta ‘unanimidade’ entre CORI e Conselho Fiscal para rejeitar o texto final da Reforma Estatutária. Tal afirmação escancara uma contradição vergonhosa: diversos membros desses mesmos órgãos estiveram sentados à mesa da Comissão de Reforma, participaram das audiências, debateram vírgulas e ajudaram a construir o texto que agora fingem desconhecer. Dizer que o texto ‘não reúne condições’ agora, aos 45 do segundo tempo, é confessar que a participação anterior foi uma farsa ou que a decisão atual é puramente politiqueira. Não há terceira via“, diz trecho do comunicado.

A nota também criticou a sugestão de que a votação seja “fatiada”, com a análise apenas de determinados temas. Para o coletivo, essa alternativa representaria um retrocesso institucional e impediria a aprovação de dispositivos considerados fundamentais para a modernização da governança do clube.

Entre os pontos que o grupo afirma estarem ameaçados pela proposta de alteração pontual estão a adequação do estatuto à Lei Geral do Esporte, a responsabilização patrimonial de dirigentes, a criação de um Conselho de Ética independente, mecanismos de responsabilidade fiscal, estruturas de compliance e governança, regras de qualificação técnica para gestores e a vedação ao nepotismo.

A proposta do CORI ignora o senso de urgência que a crise financeira e moral do clube impõe. Eles tratam a modernização como um capricho burocrático, quando ela é, na verdade, uma questão de sobrevivência“, pontuou o coletivo.

Presidente do Conselho Deliberativo reage ao Cori e cobra explicações

A sequência de posicionamentos culminou com a resposta oficial do presidente do CD ao ofício enviado pelo Conselho de Orientação.

No comunicado, direcionado ao presidente do órgão Miguel Marques e ao secretário Paulo Pedro, Tuma afirmou ter tomado conhecimento do conteúdo do documento por meio de publicações na imprensa antes mesmo de recebê-lo oficialmente, o que classificou como “lamentável” e um sinal de desrespeito institucional ao Conselho Deliberativo.

O dirigente também criticou o fato de não ter sido convidado para a reunião que resultou na elaboração do ofício, embora o tema tratado envolvesse atribuições exclusivas do Conselho Deliberativo. Segundo Tuma, causa estranheza o fato de o Cori ter se manifestado apenas agora, após dois anos de debates e mais de quinze audiências públicas realizadas para discutir o projeto de reforma estatutária.

O presidente do CD afirmou que não considera razoável atender à recomendação de discutir apenas alguns temas da reforma, sem fundamentação clara para a seleção dos pontos sugeridos, e destacou que o projeto foi construído com centenas de contribuições apresentadas por conselheiros, associados e torcedores.

O dirigente solicitou ainda, com urgência, a ata integral da reunião do Cori, a lista de participantes e o áudio do encontro para compreender o contexto da deliberação.Por fim, informou que sua resposta seria tornada pública e compartilhada com a imprensa e demais interessados no processo.

A proposta de reforma do estatuto será submetida à votação do Conselho Deliberativo e, posteriormente à Assembleia Geral de Sócios, prevista para abril. Nos últimos dias, o tema passou a concentrar forte mobilização de diferentes grupos políticos e movimentos de associados e torcedores. O debate envolve divergências sobre o conteúdo da reforma, o modelo de governança do clube e a forma de participação dos sócios e torcedores nas decisões institucionais.

Confira, na íntegra, a resposta do presidente do CD ao Cori:

Prezados Drs. Exmo. Sr. Presidente Miguel Marques e Ilmo. Sr. Secretário Paulo Pedro, boa tarde!

Acuso recebimento do anexo.

Esclareço que já havia tomado conhecimento do teor do documento por meio de publicações feitas por veículos de comunicação, antes do horário que os senhores me enviaram, o que é lamentável e demonstra o indisfarçável desrespeito do CORI, órgão que tenho prestigiado sobremaneira, para com o Conselho Deliberativo.

Também lamento profundamente não ter sido convidado para uma reunião em que o tema central parece ter sido as atribuições exclusivas do Conselho Deliberativo. Além do mais, pelo teor do ofício, verifico e lamento que o CORI, ainda que tenha participado dos debates infindáveis e do encerramento da discussão sobre a matéria, ocorrido em 09/02, não tenha se manifestado dessa forma anteriormente e tenha deixado para fazê-lo somente agora, após passados exatos 2 (dois) anos de debates e mais de 15 (quinze) Audiências Públicas – o que nunca houve na história centenária do “nosso” amado Corinthians -, às vésperas da histórica votação da Reforma do Estatuto que, diante das centenas de contribuições democráticas, inclusive dos membros do CORI e do Conselho Fiscal, além de todos(as) atores(as) possíveis e imagináveis, contribuíram para praticamente construir um novo Estatuto, contemplando tudo que há de mais moderno em sistemas de gestão, controle social, controle legal e governança, abarcando a LGE e o Fair Play Financeiro recém estabelecido pela CBF.

Fato que causa estranheza, e vários membros do CORI têm conhecimento, é que o prazo de envio de propostas já se encerrou. E isso é público. Aliás, na última Audiência Pública, reservada exclusivamente aos Conselheiros, tratamos disso quando informei que somente naquela data seriam recebidas novas propostas, e alguns Conselheiros resolveram propor a contrariedade ao voto do Fiel Torcedor, o que acabou constando da redação final e gerou várias críticas à minha pessoa, mesmo sem que eu tenha sido o autor e até tenha me manifestado contra essa iniciativa na oportunidade. Afinal, em novembro, nossa reunião extraordinária praticamente havia fechado questão com relação a matéria, só faltando definir a forma.

Portanto, vossa senhoria, que estava comigo na mesa da presidência dos trabalhos, e vários outros membros do CORI, tinham ciência do encerramento do prazo para proposições novas, como as que constam do ofício, da mesma forma que os membros do Conselho Fiscal, o que só posso creditar a uma falta de memória geral na reunião de ontem. Certamente se eu tivesse sido convidado os teria relembrado para evitar mais esta celeuma.

Entretanto, também causa muita estranheza, a “orientação” de se tratar apenas de alguns temas na votação, sem qualquer fundamentação que justifique a “escolha” desses temas apontados e tampouco que justifique ou fundamente todos demais temas “descartados” por alguns Conselheiros que pertencem ao CORI em detrimento dos quase trezentos que compõem o Conselho Deliberativo.

Não me parece razoável atender uma demanda de poucos, pois poderiam me acusar de estar atuando no interesse de privilégios e privilegiados, até porque temas espinhosos que foram objeto de propostas de inúmeros outros Conselheiros, Associados e Torcedores, por meio de propostas feitas inclusive nas Audiências Públicas, conforme o próprio Conselho deliberou por unanimidade com mais de 200 (duzentos) membros presentes em 24 de novembro, foram excluídos de vosso ofício como “desimportantes”.

Por oportuno, até para que eu possa avaliar o contexto de vosso ofício, e para que não restem dúvidas sobre as intenções desse Colegiado que tanto prezo, e mesmo por dever institucional, requeiro com a devida urgência a Ata integral da Reunião que ensejou esse documento e a lista de membros e convidados presentes, além do áudio para que este signatário possa entender, como já dito, o contexto e a pluralidade da manifestação.

Em nome da transparência e do respeito pelo CORI e pelo Conselho Fiscal, como órgãos, e de seus membros, como Conselheiros e parceiros de trabalhos em prol do nosso Clube, informo que o conteúdo deste e-mail, tão logo seja enviado para Vossa Senhoria, será compartilhado com imprensa e demais interessados na votação da reforma do Estatuto Social do SCCP, marcada para a próxima segunda-feira (09/03), haja visto que como tomei conhecimento pela mídia e tenho sido cobrado por isso, por dever de ofício vou me manifestar sem qualquer acréscimo ou divergência ao que lhe estou respondendo.

Aproveito do ensejo para renovar votos de respeito e consideração.

Respeitosamente,

Romeu Tuma Junior

Presidente do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista

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