Ficou bem claro o motivo que fez o Grêmio ir para a zona de rebaixamento do Brasileirão
O Grêmio saiu derrotado pelo Flamengo e obviamente ninguém vai olhar para um time na zona do rebaixamento dizendo que está tudo bem. Não está. Só que também acho injusto resumir toda a situação gremista apenas nesta partida. Porque o problema do Grêmio não começou contra o Flamengo e, sinceramente, esse não era o jogo que definiria o campeonato gremista.
O Flamengo hoje está em outro nível. Tem jogadores melhores, um trabalho mais consolidado e um elenco que consegue manter intensidade praticamente o tempo inteiro. E isso ficou muito claro principalmente nos primeiros 30 minutos. Ali parecia quase um daqueles coletivos antigos de time principal contra sub-20. Um lado jogando com naturalidade, o outro fazendo força para sobreviver.
E mesmo assim, o Grêmio não jogou sem entrega. Acho importante deixar isso muito claro.
Não faltou raça, vontade ou aplicação tática. Luís Castro montou o time com três zagueiros, linha baixa, os alas praticamente formando uma linha de cinco e tentando fechar os espaços. Os jogadores fizeram exatamente aquilo que o jogo pedia dentro das possibilidades atuais do elenco.
O problema é que o Flamengo simplesmente empurrou o Grêmio para trás.
Com cinco minutos já tinha bola na trave, defesa do Weverton e chegada entrando na área gremista de qualquer jeito. E aí aparece um ponto importante: o Everton foi disparado o melhor jogador da partida. Não do Grêmio. Do jogo inteiro mesmo. Salvou chute de longe, cara a cara, bola desviada, saída abafando. Se o placar terminou só 1 a 0, passa muito pelas mãos dele.
Até porque olhando friamente, o resultado foi enganoso pelo volume do Flamengo. Os caras terminaram com quase 70% de posse de bola, mais de 20 finalizações e controlando praticamente todas as ações ofensivas. O Grêmio sobrevivia tentando encaixar uma escapada ou outra.
Só que depois dos 30 minutos do primeiro tempo aconteceu uma coisa interessante: o Grêmio começou a adiantar mais a marcação.
E aí dá para perceber uma mudança do Luís Castro. O time passou a pressionar um pouco mais a saída flamenguista, tentou roubar bolas mais acima e isso pelo menos equilibrou minimamente o cenário até o intervalo. Não virou domínio gremista nem nada perto disso, mas o Flamengo deixou de jogar completamente sozinho.
No segundo tempo o Grêmio volta até mais agressivo. Mec teve uma boa chance depois de jogada com Pavón, o time tentou sair um pouco mais para o jogo e parecia disposto a trocar golpes. Só que aí vem o problema que talvez mais preocupe hoje: a questão física.
Na metade da etapa final o Grêmio desmorona fisicamente.
O Flamengo continua girando bola, acelerando e ocupando espaços. O Grêmio começa a perder intensidade, cobertura e capacidade de pressão. E o gol nasce justamente nesse contexto.
A jogada do Flamengo passa muito por qualidade individual, mas também por um erro de cobertura gremista. Emerson Royal aparece nas costas, existe uma dúvida entre Amuzu e Caio Paulista sobre quem acompanha, ninguém fecha corretamente e aí aparece outra diferença importante: jogador qualificado resolve.
Léo Ortiz acha o passe, Emerson cruza e Carrascal faz o gol.
Depois disso, sinceramente, ficou difícil imaginar qualquer reação. O Flamengo administrou o jogo praticamente sem sofrer mais. Luís Castro até tentou mexer colocando mais jogadores ofensivos, mas o time já parecia sem perna. E aí também entra outra diferença grande entre os elencos: o Flamengo consegue manter intensidade mesmo depois de viagem de Libertadores no meio da semana. O Grêmio não.
Então acho que o resumo dessa partida passa muito longe de “faltou vontade”. Não faltou. O Grêmio competiu dentro do que consegue hoje. O problema é que existe uma distância técnica muito grande entre os dois times. E talvez essa tenha sido a principal conclusão do jogo.
O Grêmio está no Z-4, e isso é preocupante. Mas não é uma derrota para o Flamengo que explica isso sozinha. O buraco vem de antes. O que essa partida fez foi escancarar o tamanho da reconstrução que ainda precisa acontecer — tanto no elenco quanto no trabalho coletivo do time.