Os pontos positivos e negativos que foi possível ver na partida do Inter
O Internacional está na semifinal do Campeonato Gaúcho. A vitória por 3 a 1 sobre o São Luís, no Beira-Rio, garantiu o confronto contra o Ypiranga, mas o principal recado da noite não foi o placar — foi a forma como Paulo Pezzolano tratou a competição: como campo de testes para o restante da temporada.
O Inter entrou com time amplamente alternativo, preservando titulares e rodando elenco. Dentro desse contexto, o desempenho pode ser lido de duas formas: um futebol irregular, com erros defensivos e dependente de falhas do adversário, mas ao mesmo tempo um jogo útil para observar ideias e comportamentos táticos.
E é aí que está o ponto mais interessante.
O Inter de Pezzolano tenta jogar para frente com mais frequência. A circulação em “U” — zagueiro, lateral, retorno, reinício — apareceu menos. A equipe busca verticalizar antes, acelerar a posse e empurrar o jogo para o campo ofensivo. Mesmo com reservas, o padrão ficou visível.
Outro traço marcante é a proteção do lado direito para liberar o corredor esquerdo. O lateral direito atua quase como um terceiro zagueiro em muitos momentos, permitindo que Bernabei tenha liberdade ofensiva. É uma estrutura que muda durante a partida: o Inter alterna linhas de quatro, desenhos com três zagueiros e variações híbridas sem necessariamente trocar peças. As mudanças acontecem com a bola rolando — sinal claro de treino e automatismo.
Individualmente, Bernabei simbolizou o jogo: falhou no gol sofrido e depois decidiu no ataque. O problema não é o erro isolado, mas o risco recorrente de exposição defensiva. A linha alta do Inter exige precisão; quando o tempo de reação falha por um segundo, o sistema desmonta. É um ponto de atenção para jogos maiores.
No meio-campo, Thiago Maia e Bruno Henrique mostraram lentidão na saída de bola. O time ganhou dinâmica quando Alan Rodríguez entrou e acelerou a circulação. Villagra também apareceu para ganhar ritmo. A diferença de intensidade foi perceptível.
Alerrandro cumpriu exatamente o papel de centroavante de área: fixo, físico, participando de pivôs e finalizações. Não é um atacante de construção, é um finalizador. O Inter buscava esse perfil e agora precisa avaliar o quanto ele entrega em gols.
Tabata segue em baixa e não aproveita as oportunidades. Já Félix Torres deixou a impressão de um zagueiro que ainda não impôs a força física que seu porte sugere. Faltou agressividade em divididas importantes — detalhe que pesa quando o nível sobe.
O placar garantiu a classificação sem drama. O São Luís pouco ameaçou além do lance do gol, e o Inter controlou o jogo dentro do que se propôs a fazer: testar peças, ajustar mecanismos e rodar elenco.
Mais do que o 3 a 1, a noite reforçou que o Gauchão virou fase de construção. Pezzolano está moldando o time em público. O resultado importa, mas o laboratório parece importar ainda mais.