Os valores das rescisões, o plano B para volante e as duas cláusulas com Carlos Vinícius
O Grêmio iniciou um processo de reorganização interna envolvendo folha salarial, planejamento financeiro e definição de elenco. Nos últimos dias, o clube oficializou rescisões contratuais importantes, confirmou a saída definitiva de Guido Rodríguez para o futebol europeu e esclareceu detalhes estratégicos do contrato de Carlos Vinícius, um dos principais nomes do time na temporada.
A direção gremista confirmou as rescisões de Tiago Volpi, Jemerson e Felipe Carballo. Os três atletas tinham contrato até o fim do ano, mas chegaram a um acordo com o clube para a antecipação do encerramento dos vínculos. Somados, os salários giravam em torno de R$ 1,4 milhão a R$ 1,5 milhão mensais, valor que, em tese, representaria uma economia significativa na folha.
No entanto, internamente, o clube explica que essa economia não acontece de forma imediata e integral. Em negociações como essas, o Grêmio costuma adotar estratégias para preservar o fluxo de caixa, alongando pagamentos e renegociando valores devidos. No caso de Volpi, por exemplo, houve entendimento entre as partes: o goleiro exigiu o pagamento dos valores em atraso referentes ao período trabalhado, mas abriu mão de parte do que teria a receber até o fim do contrato.
A lógica dessas rescisões envolve parcelamentos e concessões mútuas. Em vez de quitar todo o valor em um curto espaço de tempo, o Grêmio dilui a dívida em parcelas mais longas, enquanto o jogador aceita receber menos do que o montante total previsto originalmente. Dessa forma, o impacto mensal na folha diminui, mesmo que o custo final do acordo seja semelhante.
Além das rescisões, o Grêmio confirmou nos bastidores que não seguirá com a contratação de Guido Rodríguez. O volante está praticamente acertado com o Valencia, da Espanha, e permanecerá no futebol europeu. Durante as negociações, o clube gaúcho chegou a ter acordos alinhados tanto com o West Ham quanto com o estafe do jogador, mas sempre soube que a prioridade de Guido era permanecer na Europa.
O empresário do atleta chegou a oferecê-lo a outros clubes do continente, como a Juventus, que não avançou nas tratativas. Com a proposta do Valencia concretizada, o Grêmio optou por encerrar a espera. A direção entende que, caso nenhuma oferta europeia tivesse surgido, o jogador viria para Porto Alegre, mas esse cenário não se confirmou.
Com a saída de Guido, o Grêmio deixa de investir cerca de R$ 2 milhões previstos na operação e passa a trabalhar com alternativas. A diretoria afirma já ter mais de um nome mapeado para reforçar o meio-campo, além de buscar peças específicas para a camisa 5 e também para a função de criação, tradicionalmente associada à camisa 10.
Outro tema importante foi a situação contratual de Carlos Vinícius. Em entrevista recente, o atacante confirmou que seu vínculo com o Grêmio vai até o fim de 2026, mas revelou a existência de cláusulas automáticas de renovação. A principal delas prevê a extensão do contrato até o final de 2027 caso o jogador atue por pelo menos 60% das partidas da temporada, considerando um mínimo de 45 minutos em cada jogo contabilizado.
Existe ainda uma segunda cláusula, mais difícil de ser acionada, que prevê renovação automática em caso de convocação para a Copa do Mundo. Apesar de ser um cenário considerado improvável no momento, a cláusula segue válida no contrato.
Com números expressivos — 17 jogos, 15 gols e 16 participações diretas em gols —, Carlos Vinícius se consolida como peça central do elenco. Internamente, não está descartada a possibilidade de o Grêmio negociar uma renovação ainda mais longa, estendendo o vínculo para além de 2027, caso o desempenho seja mantido e não haja imprevistos físicos.
Aos 30 anos, o atacante vive um dos melhores momentos da carreira, e a avaliação no clube é de que ainda há margem para um contrato mais extenso, dentro de um planejamento esportivo e financeiro considerado sustentável.