«Pai como treinador? Às vezes analisávamos o vídeo do jogo sem almoçar, a minha mãe teve de intervir» | OneFootball

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·24. April 2026

«Pai como treinador? Às vezes analisávamos o vídeo do jogo sem almoçar, a minha mãe teve de intervir»

Artikelbild:«Pai como treinador? Às vezes analisávamos o vídeo do jogo sem almoçar, a minha mãe teve de intervir»

O '4 Cantos do Mundo' é um podcast do jornalista Diogo Matos que se uniu ao zerozero. O conceito é relativamente simples: entrevistas a jogadores/ex-jogadores portugueses que tenham passado por pelo menos quatro países no estrangeiro. Mais do que o lado desportivo, queremos conhecer também a vertente social/cultural destas experiências. Assim, para além de poder contar com uma entrevista nova nos canais do podcast nos dias 10 e 26 de cada mês, pode também ler excertos das conversas no nosso portal.

Afastado dos relvados desde janeiro, altura em que optou por sair do Botafogo de Cabanas, Pedro Mendes tem a particularidade de ter sido treinado pelo pai, Álvaro Mendes, na primeira metade da temporada - este cenário, de resto, já se tinha verificado em outras fases da carreira do médio, agora com 32 anos.


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Na sua participação no nosso podcast, o jogador, que conta com passagens por Angola, Roménia, Letónia e Hong Kong, abordou esta situação, assumindo que o progenitor sempre foi exigente. 

«Quando era infantil e fui da Quinta do Conde para o Benfica, ele era o meu treinador. Foi a primeira vez que aconteceu, ainda que ele sempre tenha sido meu treinador. Como ele tinha sido jogador, em casa... Para já, ele nunca faltava a um treino ou a jogo. Mal acabasse o treino ou o jogo, era a dar-me na cabeça até chegar a casa [risos]. Ali não havia 'Estiveste bem', era só para corrigir o que esteve mal», começou por dizer, explicando depois como surgiu a oportunidade de voltarem a trabalhar juntos com Pedro agora como sénior:

«Nas duas últimas épocas voltei a trabalhar com ele. Na verdade, eu só voltei a jogar- já tinha parado o futebol- porque ele me disse para jogar por ele. Dizia-me que eu estava a engordar e que precisava de correr [risos]. Foi um pouco por aí.»

Mas afinal de contas, como é gerir esta relação de 'pai/filho-treinador/jogador'? Sem rodeios, o médio assumiu que nem sempre foi fácil.

«Era complicado porque eu era o melhor da equipa e tudo o que havia, fosse de bom ou de mau, era em cima de mim que caía. Desde que comecei a jogar, com 6 anos, ele nunca facilitou. Ele até comprou uma câmara para filmar os jogos e para me corrigir quando chegássemos a casa. Aliás, muitas vezes nem me deixava almoçar. A minha mãe até teve de intervir e acabar com isso porque íamos diretos para a televisão», sublinhou.

Apesar da rigidez do pai, Pedro Mendes vincou que gostava de ter tido este acompanhamento noutras fases da carreira:

«Claro que no início era complicado, eu era miúdo e não compreendia bem. No entanto, agora mais velho vejo que, se calhar, não fui mais além no futebol porque deixei de ter esse acompanhamento tão próximo. No início do meu percurso sénior fui jogar para fora e também estive no norte do país, portanto ele não me pôde acompanhar. Acredito que se ele me tivesse acompanhado como me acompanhou até ali eu tinha chegado muito mais além.»

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