Portal dos Dragões
·5. August 2026
“Um ano de uma saudade que não abranda”: FC Porto recorda Jorge Costa

In partnership with
Yahoo sportsPortal dos Dragões
·5. August 2026

Há precisamente um ano, a família portista despediu-se de uma das suas maiores figuras. Jorge Costa, antigo capitão e diretor do futebol profissional do FC Porto, morreu a 5 de agosto de 2025, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. Faleceu no Olival, a casa do futebol azul e branco, enquanto trabalhava ao serviço do Clube que representou durante quase toda a vida.
A sua morte causou uma profunda consternação entre os portistas e em todo o universo futebolístico. Jorge Costa foi muito mais do que um futebolista de excelência: tornou-se um símbolo do FC Porto, personificando a combatividade, a resistência, a paixão e a fidelidade absoluta às cores que defendeu. A sua trajetória ficou inseparavelmente ligada à história e ao ADN do Clube.
Nascido a 14 de outubro de 1971 e criado no Bairro da Pasteleira, no Porto, começou a jogar futebol no FC Foz. Em 1987, ingressou no FC Porto, o clube da sua família e da sua vida, para cumprir a formação. Foi campeão nacional de juvenis e juniores e, antes de se afirmar como sénior, passou por empréstimo pelo FC Penafiel e pelo CS Marítimo, onde ganhou experiência e minutos de competição.
Foi na temporada de 1992/93 que regressou às Antas, depois de se sagrar campeão mundial de sub-20 pela seleção nacional, numa conquista que antecipava uma geração de ouro. A estreia pela equipa principal portista aconteceu a 25 de agosto de 1992, diante do Estoril Praia, num encontro orientado pelo brasileiro Carlos Alberto Silva em que apontou o golo decisivo. Apesar da forte concorrência de jogadores como Aloísio, Fernando Couto e Zé Carlos, Jorge Costa nunca desistiu. A personalidade guerreira que viria a marcar a sua carreira começou a revelar-se desde os primeiros passos.
A consolidação no onze titular surgiu com António Oliveira no comando técnico. A partir desse momento, conquistou definitivamente o seu espaço, graças à entrega, à liderança espontânea e à capacidade de ultrapassar todas as dificuldades. Era também a consequência da forma intensa como vivia o FC Porto.
Conhecido carinhosamente como “Bicho”, assumiu-se como uma voz de autoridade no relvado e no balneário. Poucos como ele personificaram a identidade portista. Participou em todos os títulos do histórico Penta e teve um papel determinante na recuperação do protagonismo europeu do Clube, que conduziu a algumas das noites mais memoráveis da história azul e branca.
O próprio Jorge Costa explicou, em tempos, que Fernando Couto esteve na origem da alcunha. A razão? “O Fernando é que poderia explicar, mas acho que era isso, eu era um animal, era um bicho, era alguém que dava tudo o que tinha dentro do campo”.
Em maio de 2003, liderou como capitão a equipa que conquistou a Taça UEFA, depois de uma caminhada épica. No ano seguinte, em Gelsenkirchen, ergueu a Liga dos Campeões e tornou-se uma das imagens maiores da alma portista. Ainda em 2004, celebrou a vitória na Taça Intercontinental, encerrando um período extraordinário.
Ao serviço do FC Porto, Jorge Costa disputou 383 partidas, marcou 25 golos e ganhou 21 troféus: oito Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal, cinco Supertaças, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental. Os números traduzem a dimensão da sua carreira, mas não conseguem medir tudo aquilo que representou. A sua importância permanece sobretudo na memória dos adeptos, nos valores que transmitiu e na entrega permanente ao Clube.
Também foi uma presença importante na seleção portuguesa. Somou 50 internacionalizações pela equipa principal e integrou a equipa que venceu o Mundial de sub-20 em 1991, em Lisboa. Ao longo da carreira internacional, participou nas grandes competições por Portugal, distinguindo-se pelo carácter, pela regularidade e pelo espírito coletivo.
Depois de terminar a carreira de jogador no Standard Liège, em 2006, iniciou uma nova etapa como treinador. Liderou clubes e seleções em projetos distintos e ambiciosos, em Portugal, na Roménia, na Tunísia, em Chipre, em França, no Gabão e na Índia. Em cada experiência transportou os princípios que “bebeu” no FC Porto: trabalho, exigência, lealdade e dedicação sem limites.
Em 2024, regressou ao Clube para assumir a direção do futebol profissional. A sua experiência e o seu conhecimento passaram a estar novamente ao serviço do presente e do futuro portista. Com a mesma firmeza e clareza de sempre, voltou a ser uma referência no balneário. Estava, uma vez mais, no lugar onde sentia que devia estar.
Na manhã de 5 de agosto de 2025, depois de trabalhar no Olival, sentiu-se indisposto e sofreu uma paragem cardiorrespiratória. Apesar da pronta atuação da equipa médica do FC Porto e da transferência urgente para o Hospital de São João, não foi possível salvá-lo. A confirmação da sua morte desencadeou uma enorme onda de dor e comoção em Portugal e no futebol internacional.
Antigos companheiros, dirigentes, adversários, instituições, clubes rivais e milhares de adeptos quiseram homenagear uma das grandes figuras do futebol português. Muitos recordaram-no como “um símbolo” e “uma lenda”. No Estádio do Dragão, a emoção foi geral e o silêncio vivido nesse dia falou por todos.
Jorge Costa deixou uma história que ultrapassa as vitórias e os títulos. Foi um homem de caráter, um portista de corpo inteiro e um líder natural, que defendeu o nome do Clube com honra e conquistou respeito e admiração em todos os lugares por onde passou. A sua memória permanecerá para sempre ligada ao FC Porto, pela dedicação, pela coragem e pelo exemplo que deixou.
O FC Porto cresceu também graças a Homens como Jorge Costa. Com ele no relvado, os Dragões chegaram ao topo da Europa e do Mundo; fora dele, continuou a representar uma referência maior do portismo. Na sua ausência, ganhou a dimensão de lenda. Há um ano desapareceu um gigante, um dos maiores, mas o nome, a voz e a imagem do capitão permanecem gravados para sempre na história do Clube.







































