Revista Colorada
·20 January 2026
A semelhança entre os reforços anunciados pelo Inter

In partnership with
Yahoo sportsRevista Colorada
·20 January 2026

O Internacional inicia a temporada de 2026 diante de uma realidade dura, mas inevitável. Com o orçamento apertado e menos margem para erros no mercado, o clube precisou ajustar o discurso e, principalmente, a estratégia. No Beira-Rio, a palavra de ordem é clara: os reforços precisam ser “bons e baratos”. Qualidade é exigência histórica da camisa colorada, mas o preço, hoje, é fator determinante em qualquer negociação.
A crise financeira do clube se agravou no início do ano com a quebra do contrato com o patrocinador master, o que reduziu ainda mais a capacidade de investimento. Diante desse cenário, a direção passou a tratar a escassez como virtude e aposta em oportunidades de mercado, empréstimos, jogadores livres e negociações criativas para montar um elenco competitivo sem extrapolar os limites do caixa.
Até o momento, dois reforços foram confirmados. O volante Paulinho Paula chegou sem custos após passagem pelo Vasco da Gama e aguarda apenas a regularização no BID para poder estrear, possivelmente já contra o Inter-SM, pelo Campeonato Gaúcho. Já o zagueiro Félix Torres desembarcou por empréstimo de um ano junto ao Corinthians, com parte dos salários bancados pelo clube paulista. Ambos se encaixam no orçamento disponível e representam exatamente o perfil buscado pela direção.
O próximo nome da lista é o volante argentino Rodrigo Villagra, do CSKA Moscou. O negócio, no entanto, expõe bem a lógica atual do Inter: o empréstimo custará 400 mil dólares, valor considerado acessível, mas existe uma cláusula que obriga a compra definitiva por 3,6 milhões de dólares caso o jogador atinja 60% de participação nos jogos da temporada. Ou seja, barato no presente, potencialmente caro no futuro — mas apenas se render dentro de campo.
A direção não esconde o cenário. O discurso é direto e serve também como recado à torcida. O diretor executivo Fabinho Soldado foi claro ao afirmar que o clube trabalha dentro de um orçamento muito limitado, mas que, mesmo assim, buscará ser competitivo. A mesma linha foi adotada pelo vice-presidente Victor Grunberg, que reforçou a necessidade de responsabilidade e alinhamento com a fase vivida pelo Inter.
Os números ajudam a entender a cautela. O orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo permite um investimento aproximado de 8 milhões de euros em contratações ao longo de 2026. Metade desse valor já foi utilizada na compra de Carbonero, junto ao Racing. Além disso, o clube adquiriu 50% dos direitos de Victor Gabriel e ainda precisa decidir, até o fim de janeiro, se exercerá a opção de compra do atacante Raykonnen, que pertence ao Goiás.
Com pouco espaço para apostas caras, o Internacional entra em 2026 apostando na criatividade, no mercado de oportunidades e na capacidade de Paulo Pezzolano extrair rendimento de um elenco montado sob restrições. O desafio é grande: ser competitivo mesmo quando o dinheiro não acompanha o peso da camisa.









































