Portal dos Dragões
·28 February 2026
Bednarek e o segredo do sucesso do FC Porto: “Equipa confia plenamente nas ideias de Farioli”

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Bednarek admite o encanto dos primeiros meses naquelas cores. Em entrevista ao site da Federação Polaca de Futebol, numa conversa com os outros dois polacos no plantel portista, o defesa detalhou curiosidades sobre os métodos de Francesco Farioli e confidenciou que a cultura de exigência na Invicta o surpreendeu.
Antes de abordar a componente táctica, o internacional polaco realçou a entrega dos adeptos e o cuidado do clube com a sua memória. «Não tinha noção, antes de vir, da ‘religião’ que o clube é para os locais. Eles vivem isto intensamente», começou por afirmar, enaltecendo a aura que envolve a instituição.
«Os sucessos com o Mourinho, a Champions… o clube cuida muito da história. Quando chegamos ao estádio, passamos por aquele túnel com as fotos das lendas. Queremos um dia estar lá, a segurar um troféu. O centro de treinos também tem o nome do Jorge Costa, o que mostra o cuidado com as pessoas que serviram o clube», destacou.
O núcleo da intervenção de Bednarek centrou-se, porém, no trabalho do técnico Francesco Farioli. O defesa explicou alguns dos automatismos que o treinador introduziu e que justificam a coesão defensiva observada esta temporada.
«Há muitos detalhes, o treinador foca-se muito nisso. Para mim, foi novo tratar a saída de bola como um lance de bola parada. É interessante», revelou. O baixo número de golos consentidos, acrescentou, resulta da solidariedade do conjunto: «Os nossos jogadores ofensivos têm muitas tarefas defensivas, por isso sofremos poucos golos. É mais difícil bater 11 jogadores do que sete ou oito.»
Curiosamente, a ênfase nos treinos não é maioritariamente defensiva. «No treino, talvez 30% seja defesa e 70% ataque, mas o sistema exige muita atenção às interdependências. Os automatismos já estão a aparecer», explicou.
Acerca da preparação para os encontros, Bednarek elogiou a precisão das informações apresentadas: «O treinador mostra-nos animações táticas num ecrã tátil e depois, no jogo, acontece exatamente igual. É incrível. A equipa confia plenamente nas ideias dele.»
Sobre o motivo da sua contratação, o jogador sublinhou o perfil de liderança: «Eles fizeram o research deles, sabiam o que eu podia dar. Tento ajudar toda a gente, falo alto, dou indicações. No início da época não nos focámos em promessas de troféus, mas em trabalhar no duro para mostrar aos adeptos que somos uma boa equipa. Temos uma mistura de juventude e experiência. mostrámos que somos uma equipa que aguenta a pressão.»
Quanto à estratégia, o defesa explicou que a equipa sente-se confortável quando o adversário avança no terreno. «No início da época as equipas pressionavam-nos mais, e para nós é mais fácil assim, porque encontramos espaços. Tentamos ‘convidar’ a pressão para depois explorar o espaço livre. Se o adversário está fechado, temos de jogar longo ou circular mais», analisou.
Ao ser questionado sobre aspetos a aprimorar, apontou o último terço como prioridade. «Às vezes falta paciência, queremos resolver a jogada depressa demais. Como defesa, se um avançado faz um movimento e não recebe, à segunda ou terceira vez a minha concentração pode baixar. Temos de ter essa calma para cansar o adversário», advertiu, reforçando que o plantel tem «muita qualidade na frente para finalizar melhor.»
As bolas paradas, contudo, revelam-se uma arma bem afinada no Olival, com «umas 15 variantes ofensivas» ensaiadas com regularidade. «Dedicamos muito tempo a isso e dá resultados. Em Inglaterra diziam que 25% dos golos vinham de bolas paradas. Nós estamos com 23% esta época. Temos de melhorar para chegar aos 25%», concluiu, entre risos.
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