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·14 April 2026
Da cervejaria ao Nubank: a história dos estádios do Palmeiras

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·14 April 2026

O Palmeiras vai estrear um novo nome de estádio em 4 de maio de 2026. O Nubank fechou acordo com a WTorre por cerca de R$ 50 milhões ao ano — quase o dobro do que a Allianz pagava — para colocar a marca do banco digital no maior palco do futebol paulistano. A votação entre Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank encerra no dia 30 de abril.
Mas antes de discutir o futuro, vale entender o passado. Porque a história dos estádios do Palmeiras não é só uma lista de datas e reformas: é o espelho fiel de cada fase do clube. De uma cervejaria no bairro da Água Branca a uma arena multiuso que fatura R$ 241 milhões por ano. Cada tijolo colocado — e derrubado — diz algo sobre o Palmeiras.
O Palestra Itália foi fundado em 26 de agosto de 1914 por imigrantes italianos entusiasmados com a excursão das equipes Torino e Pro-Vercelli pelo Brasil. Nos primeiros anos, o clube jogava em campo improvisado. O espaço onde um dia seria o templo do futebol palmeirense pertencia, na virada do século, a uma cervejaria.
Em 1902, a Companhia Antarctica Paulista transformou aquele terreno na Rua Turiaçu, no bairro da Água Branca, em um parque de lazer público. O Palestra Itália começou a usar o local a partir de 1917 — mas não era dono de nada.
Isso mudou em 27 de abril de 1920, em um negócio que ficou para sempre na história como “A Loucura do Século”. Um clube com apenas seis anos de existência, sem um título sequer conquistado, fechou a compra do Parque Antártica por 500 contos de réis — 250 pagos no ato da assinatura e os outros 250 divididos em duas parcelas. Para quitar a última delas, em dezembro de 1922, o Palmeiras precisou vender parte do terreno ao Conde Matarazzo por 187 contos de réis. A área vendida é, hoje, o Bourbon Shopping.
Em sua primeira partida como dono do campo, o Palestra goleou o Mackenzie por 7 a 0, no dia 16 de maio de 1920. Era o começo de uma relação que duraria 90 anos.
Parque Antarctica
Durante mais de uma década, o campo era simples. Tudo mudou em 13 de agosto de 1933, quando o clube inaugurou o Stadium Palestra Italia — o maior e mais moderno estádio do Brasil na época, e o primeiro da capital paulista a ter arquibancadas de concreto armado, com capacidade para 30 mil pessoas.
Para a inauguração, o Verdão recebeu o Bangu no Torneio Rio-São Paulo e aplicou uma goleada de 6 a 0. Uma estreia à altura da ambição de quem chamou a obra de “loucura” menos de 15 anos antes.
A modernidade do stadium não era coincidência: refletia um clube em ascensão, com identidade sólida, raízes profundas na comunidade italiana de São Paulo — e uma diretoria que enxergava longe.
Durante nove décadas, o estádio foi chamado de muitos nomes — Stadium Palestra Italia, Estádio Palestra Itália, e, mais popularmente, Parque Antártica. O nome do clube também mudou no caminho: em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo Vargas proibiu nomes de origem estrangeira, e o Palestra Itália se tornou oficialmente Sociedade Esportiva Palmeiras.
Os números do Verdão naquele estádio são impressionantes: ao longo de 90 anos, o clube disputou 1.570 partidas no local, com 1.065 vitórias, 317 empates e apenas 188 derrotas — um aproveitamento de 74,6%. Entre 1986 e 1990, o Palmeiras ficou 68 jogos consecutivos invicto em casa, um recorde histórico no futebol brasileiro.
Os momentos mais emocionantes da história do clube aconteceram ali. A Copa Libertadores de 1999 — o maior título do futebol sul-americano até então para o Verdão — foi conquistada naquele gramado. O 8 a 0 histórico sobre o Corinthians em 1933. Décadas de Paulistões e brigas pelo Brasileirão.
A capacidade chegou a ser ampliada ao longo dos anos para cerca de 40 mil pessoas antes de recuar para 27.650 na fase final. Era um estádio de outro tempo — e o Palmeiras sabia disso.
Em 9 de julho de 2010, um amistoso contra o Boca Juniors marcou a despedida. O Verdão entrou em campo pela última vez no velho Palestra Itália. Nas arquibancadas, lágrimas. Nos bastidores, plantas de um projeto bilionário.
A demolição começou logo após a despedida em 2010. Por quatro anos, o Palmeiras jogou em estádios emprestados. Mas a WTorre, empresa responsável pela construção, investiu R$ 630 milhões — totalmente às suas custas — na arena mais moderna da América Latina.
Em 19 de novembro de 2014, o Allianz Parque abriu as portas. O primeiro jogo terminou com derrota: Palmeiras 0 a 2 Sport, com 35.939 torcedores nas arquibancadas. Um começo amargo para um estádio que prometia muito.
A promessa foi cumprida. Com capacidade para 43.713 espectadores para jogos de futebol e até 55.000 para shows — com certificação LEED e 178 camarotes privativos —, o Allianz Parque transformou a relação do Palmeiras com o futebol e com as finanças.
Antigo Palestra Itália
Ao completar 10 anos em novembro de 2024, os números eram reveladores:
Allianz Parque — 10 anos em números (2014–2024)
73%
Aproveitamento geral
308 jogos disputados
205
Vitórias em casa
60 empates · 43 derrotas
9
Títulos em finais no estádio
2 Brasileirões, 2 Copas do Brasil, 4 Paulistas, 1 Recopa
R$ 576mi
Receita em bilheteria
Acumulado em 10 anos
41.457
Maior público registrado
Palmeiras 2×1 Corinthians (Brasileirão 2023)
8×1
Maior goleada da arena
vs. Independiente Petrolero — Libertadores 2022
Fonte: Palmeiras.com.br · Máquina do Esporte · dados até novembro de 2024.
Fonte: Palmeiras.com.br · Máquina do Esporte · CNN Brasil · dados até novembro de 2024.
Os nove títulos conquistados em finais ou jogos decisivos no Allianz Parque incluem dois Campeonatos Brasileiros (2016 e 2022), duas Copas do Brasil (2015 e 2020), quatro Campeonatos Paulistas (2020, 2022, 2023 e 2024) e a Recopa Sul-Americana (2022).
Quanto ao naming rights com a Allianz Seguros? O contrato de R$ 300 milhões por 20 anos, assinado em 2014, equivalia a cerca de R$ 15 milhões por ano — valor que, corrigido pelo IPCA até 2023, chegou a R$ 27,5 milhões. Desse total, o Palmeiras recebia aproximadamente 15%, ou seja, algo em torno de R$ 4,1 milhões anuais só do naming right. O restante da receita da arena entrava por outra porta.
Em 10 de abril de 2026, a WTorre anunciou o fim da parceria com a Allianz — após 13 anos — e o início de um novo contrato com o Nubank. O banco digital brasileiro, com mais de 100 milhões de clientes, fechou um acordo que pode se estender até 2044, quando o Palmeiras assumirá a gestão da arena.
O valor: R$ 50 milhões por ano — praticamente o dobro do que a Allianz pagava. O Palmeiras continua recebendo cerca de 15% desse montante, o que representa aproximadamente R$ 7,5 milhões anuais só de naming right, além de toda a receita gerada por eventos e jogos. Para 2026, o clube já projeta receber R$ 78,6 milhões da gestora da arena.
Naming rights — Allianz (2014–2026) × Nubank (2026–2044)
Valor anual do contrato
R$ 50 mi R$ 27,5 mi
Duração do contrato
18 anos 13 anos
Palmeiras recebe por ano (15% do NR)
~R$ 7,5 mi ~R$ 4,1 mi
Nubank (2026–2044)
Allianz (2014–2026)
Fonte: Trivela · ESPN Brasil · Terra · valor Allianz corrigido pelo IPCA até 2023. Palmeiras recebe ~15% do naming right via WTorre.
A votação para o novo nome acontece entre 10 e 30 de abril, com três opções: Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank. O resultado será divulgado em 4 de maio.
Mas além do número, o que a parceria com o Nubank diz sobre o clube? Muito.
A Allianz era uma seguradora alemã centenária — escolha natural para um estádio que queria gritar modernidade em 2014, num Brasil em Copa do Mundo. O Nubank é outra coisa: é o maior banco digital do mundo, símbolo da geração que não pisa em agência bancária, com identidade visual roxa e filosofia anti-burocracia. É a escolha de um clube que quer se comunicar com uma nova geração de torcedores — a mesma que assiste ao Palmeiras pelo streaming, acompanha o clube pelo Instagram e paga ingresso com o celular.
Em 1920, comprar um terreno sem ter um título era a loucura do século. Em 2026, fechar com um banco digital por R$ 50 milhões ao ano é a aposta calculada de um clube que fatura R$ 1,78 bilhão por temporada.
Em 2044, quando o Palmeiras assumir a gestão da arena, vai ser a primeira vez em mais de cem anos que o clube terá controle total sobre o seu estádio. A “Loucura do Século” de 1920 finalmente terá seu desfecho.
Fonte: Palmeiras.com.br · Trivela · ESPN Brasil · dados de abril de 2026.
Até 4 de maio de 2026, o estádio se chama Allianz Parque. A partir dessa data, passa a ter um novo nome escolhido por votação popular entre Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank. O Nubank substituiu a Allianz como patrocinador dos naming rights em abril de 2026.
O Nubank fechou contrato com a WTorre por cerca de R$ 50 milhões por ano — praticamente o dobro do valor pago pela Allianz, que pagava cerca de R$ 27,5 milhões (valor corrigido pelo IPCA). O contrato pode se estender até 2044.
Em 27 de abril de 1920, por 500 contos de réis. O episódio ficou conhecido como “A Loucura do Século” porque o clube tinha apenas seis anos de existência e ainda não havia conquistado nenhum título.
O Palmeiras recebe aproximadamente 15% do valor total do naming rights. Com o contrato da Allianz, eram cerca de R$ 4,1 milhões anuais. Com o Nubank, esse valor sobe para cerca de R$ 7,5 milhões por ano — além das receitas de jogos e eventos.
O primeiro jogo ocorreu em 19 de novembro de 2014, válido pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2014. O Palmeiras perdeu para o Sport por 2 a 0, com 35.939 torcedores nas arquibancadas.
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