Glorioso 1904
·4 April 2026
De Hjulmand à renovação de Otamendi: tudo o que disse Mourinho antes do Casa Pia – Benfica

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regressou à sala de imprensa, após o fim da última pausa internacional. No lançamento da partida entre o Benfica e o Casa Pia, a contar para a 28.ª jornada da Liga Portugal Betclic, o treinador de 63 anos respondeu às questões dos jornalistas, tecendo alguns comentários sobre os atletas nas seleções, a "guerra aberta" entre Porto e Sporting, tal como a continuidade de Nicolás Otamendi. Confira tudo o que foi dito pelo Special One.
"Dos jogadores que vieram das seleções, só o Barreiro é que vem com um problema. Neste momento ainda não posso confirmar se pode jogar na 2.ª feira ou não. O motivo pelo qual fizemos a conferência agora não é para fugir a nenhuma pergunta desse tipo, é simplesmente pensando que amanhã trabalhamos, mas muitos de vocês provavelmente não. O Barreiro, desde que voltou, ainda não treinou. Vai hoje ao campo a primeira vez e obviamente condicionado. E amanhã, depois do treino, decidiremos se está em condições. O Casa Pia tem recuperado muito bem desde que o novo mister chegou. Tem uma identidade de jogo muito própria, capaz de criar dificuldades às equipas mais fortes. Mesmo antes da sua chegada, bem sei que de uma maneira estranha, como tantas coisas estranhas têm acontecido neste campeonato desde o início, não só ultimamente, o Casa Pia conseguiu tirar-nos pontos apesar de ter sido um jogo com coisas estranhas. E obviamente que na sua casa, ainda que emprestada, vão seguramente lutar muito pelo ponto, diria, mas pelas suas caraterísticas e maneira como jogam, até pelos pontos. São capazes de entregar o domínio do jogo ao adversário e depois punir. Por isso, esperamos um jogo difícil. Mas, mais uma vez, vamos tentar ganhar".
Opinião sobre o que está a acontecer entre Sporting e FC Porto. De que forma considera que o Benfica pode beneficiar disso?
"O Benfica beneficiar? Desde o início da época já viu o Benfica beneficiar de alguma coisa? Eu ainda não vi. Às vezes oiço falar nas lufadas de ar fresco e estava-me a preparar para tentar, num aspeto, poder ser uma lufada de ar fresco. Que era a minha equipa ganhar com erros arbitrais e eu sair e dizer 'ganhámos 3 pontos'. Mas erros a nosso favor? Ainda não aconteceu. E espero que não aconteça. Mas se eventualmente acontecer, deixo o desafio. E aí vou sair e dizer que o Benfica foi beneficiado. Mas até agora não consigo entender em quê. Essa situação entre os dois presidentes de Sporting e FC Porto... Já disse há um par de semanas que situações entre presidentes sou um mero espectador. Entre treinadores sim, entre presidentes não".
Após o Sporting-Santa Clara, o Benfica lançou uma publicação a falar sobre a arbitragem. Concorda com a frase 'Já nem há vergonha'?
"Num mundo de puxa-sacos também vou ser. Vou dizer que estou 100% de acordo com o meu presidente, que é o que os outros fazem".
Benfica perdeu o último jogo para o campeonato precisamente frente ao Casa Pia. Este fator invencibilidade desta época será um fator de motivação ou pressão extra?
"Esse fator é orgulho. E significa, ou tem significado, o caráter de uma equipa que tenta respeitar a história, o sofrimento inerente aos maus resultados que qualquer adepto sente, e mesmo em situações limite temos lutado sempre para conseguir bons resultados. E às vezes o empate acaba por ser um mal menor. Se me perguntar se preferia ter duas derrotas em vez de oito empates, obviamente. Ainda que, inerente às derrotas, e principalmente quando acontecem em jogos que não se esperam, seja um bocadinho o nosso orgulho. Claro que jogamos para ganhar e, qualquer empate que se consiga, acaba por não ser um bom resultado. Mesmo com o FC Porto e com o Sporting, e até com o Sp. Braga, equipas de topo, os empates não considerámos como bons resultados. Imagine os que tivemos com Santa Clara, Casa Pia... O objetivo não é esse. Mas não temos perdido até agora e isso significa qualquer coisa em termos da nossa qualidade e profissionalismo, bem como respeito pelo Benfica".
Otamendi não garantiu se ficava no Benfica ou não. Enquanto treinador, acha que é a altura certa para o deixar sair? Aursnes está recuperado?
"Não, Aursnes não está recuperado. O 'se' não existe. Ou [Otamendi] sai ou não sai. E neste momento isso não existe. É uma coisa que está mais nas mãos do jogador do que propriamente do Benfica. E se o Benfica estará preparado para a saída de um jogador como o Otamendi? Estará no sentido em que tem dois grandes centrais, o António e o Tomás, jovens, jogadores de Seleção, com muita experiência de Benfica, com braçadeira de capitão quando não estão os outros, e são dois jogadores nos quais tenho a maior confiança. Se na próxima época não houver Otamendi, António e Tomás dão garantias. Mas obviamente que o Benfica teria de ir ao mercado para colmatar a saída de um jogador com a capacidade, experiência e liderança do Otamendi".
Hjulmand comentou as suas palavras... Como olha para os mais recentes casos de arbitragem?
"Relativamente ao Hjulmand, as declarações que ele fez foram extremamente educadas, não há nenhum problema pessoal. Mas de facto é um caso a pensar muito relativamente aos próximos jogadores estrangeiros que possam entrar no Benfica na próxima época. Porque, normalmente, quando um jogador chega a um país estrangeiro e quer aprender a língua, o idioma, e isso é uma coisa que nós enquanto portugueses elogiamos... Foi uma coisa com a qual me preocupei sempre quando fui treinador no estrangeiro, mas os objetivos normalmente são uma maior integração social num novo país, fazermos melhor o nosso trabalho no relacionamento com os nossos colegas. Uma melhor comunicação não só com a população do país, mas também da nossa 'cor'. Mas o motivo pelo qual queremos aprender um idioma é para comunicarmos melhor com os árbitros... É verdadeiramente fantástico e uma coisa que, se calhar quando os jogadores do Benfica cá chegarem na próxima época, será essa a nossa motivação para os tentar forçar a aprender português rapidamente. Acho que é uma situação fantástica. Casos de arbitragem? Hoje por acaso cheguei aqui e, como sempre, só há um que chega antes de mim, que é o Gonçalo. E vi a primeira página dos dois jornais mais tradicionais e históricos do desporto português, e quando vi a primeira página pensei 'não se passa nada'. Páginas lindíssimas com um miúdo que jogou, foi aniversariante e fez golo, mas fazem com que quem não tenha visto o jogo pense que não aconteceu nada. E é nesta base do 'parece que não acontece nada' que já vimos desde o início da época. E esse é que é o problema. Esquecemo-nos do jogo do Nacional, em Famalicão em Alvalade, de muita coisa que vem do princípio da época. Não sei muito bem o que lhe deva dizer, mas focando-me só - e tão só - para não ir mais longe, em três jogos com o Santa Clara... Está tudo aí".
Rui Borges disse que se calhar era preciso crescer um bocadinho para o futebol português melhorar. Concorda? Conta ficar com António Silva e Otamendi?
"Claro [em relação à segunda pergunta]. Têm contrato, são os dois importantes para o Benfica. Eu, enquanto treinador e não enquanto gestor, obviamente que quero ter os melhores jogadores possíveis. Gostava que ficassem os dois, obviamente que sim. O presidente sabe, o diretor Mário Branco também sabe, mas sei em que ano estou. Não estou em 1960 ou 1980. Sei o ano em que estou, sei o que são mercados, financial fairplays, todas as situações do futebol atual. E como treinador, não me posso fechar numa zona que é a minha e não compreender outras que não são minhas diretamente. Se eventualmente chegarmos a uma situação em que o Benfica tenha de, ou queira vender um jogador dos quais considero importantes na continuidade, não será um drama. Terei obviamente de aceitar e depois tentar organizar-me de outra maneira. Mas se gostava de ficar com eles, sim. Em relação ao futebol português... O Rui é muito inteligente. Mais do que aquilo que as pessoas pensam".
Renovação do Daniel Banjaqui. Trata-se de uma posição onde o Benfica está bem servido, com Dedic e Bah. Para si, também acaba por ser um desafio gerir a utilização destes três jogadores?
"Fácil de gerir. Difícil é quando não os temos. E se você reparar, neste momento, porque eu considero tanto o Banjaqui como o Neto jogadores de primeira equipa, temos cinco laterais para duas posições. De um modo muito objetivo. Um deles tem 17 anos, o outro tem 18 recém-celebrados. Temos três homens e dois miúdos. Dois miúdos de grande potencial. Não fui eu que os desenvolvi, mas fui eu que lhes dei a confiança de. Ter estes cinco jogadores, dos quais três são homens e dois são miúdos de enorme potencial, não é um problema, é um privilégio. E em condições normais - lá está, há sempre anormalidades que podem acontecer nos mercados atuais -, se perguntar ao treinador e este for só treinador, acho que é a situações ideal para o Benfica na próxima época. Os miúdos cada vez menos vão sendo miúdos e cada vez mais vão sendo homens. E eventualmente, no final da próxima época, o Benfica possa olhar de maneira diferente para esse grupo de cinco jogadores".


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