Esporte News Mundo
·30 March 2026
Ex-atacante do Palmeiras vira treinador por acaso; entenda

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·30 March 2026

Aos 42 anos, o ex-atacante de Palmeiras e Botafogo, Rafael Marques, encerrou sua primeira temporada como técnico do Primavera com um saldo que surpreende até os mais otimistas: manteve o clube na elite do Paulistão e ainda garantiu vaga na Série D de 2027.

Rafael Marques – Foto: EC Primavera/Divulgação
Em entrevista ao ge nesta segunda-feira (30), o treinador admitiu que a oportunidade “caiu no colo” após a saída de Fernando Marchiori. Ainda assim, os números sustentam a ascensão: o time de Indaiatuba terminou o Estadual com o segundo melhor ataque, 14 gols marcados, empatado com o Palmeiras.
Rafael se distancia do perfil tradicional de comando no futebol brasileiro. Inspirado por Oswaldo de Oliveira, ele rejeita a figura do técnico autoritário e aposta em uma liderança mais próxima. “O comandante é o cara durão. Esse não sou eu. Eu prefiro liderar”, afirmou ao ge. Ao comentar as recentes críticas ao mentor, saiu em defesa: “Achei uma covardia o que fizeram com ele. Ele fez carreira no Japão, não é contra estrangeiros, talvez só sinta a mágoa de o brasileiro não ser valorizado aqui”.
Apesar de uma carreira com passagens por 16 clubes, é no Palmeiras que Rafael mantém vínculos mais profundos. Ele relembrou, em tom leve, o episódio de tensão com Cuca em 2016. “Foi coisa de momento. Tanto que, quando ele voltou em 2017, brincamos sobre isso. A briga ficou ali, fomos campeões brasileiros. O Cuca é uma referência, mas o estilo dele é de ‘corda esticada’, eu prefiro o ambiente leve”, disse ao ge.
Santista na infância, o hoje treinador se declara palmeirense, mas faz questão de reforçar o profissionalismo. “Queria ter enfrentado o Palmeiras no Allianz agora. Sou profissional, essa violência e intolerância por causa de time é uma ‘babaquice’”, completou.
A vivência fora do eixo mais glamouroso do futebol também moldou sua visão. Problemas financeiros vividos no Sport e um episódio de quase W.O. no Figueirense, em meio a questões administrativas, ajudaram a construir um perfil mais equilibrado. “Consegui fazer meu pé de meia na Turquia e no Japão, nunca fui de ostentar. Isso me dá tranquilidade para trabalhar hoje”, afirmou. E deixou claro o cuidado no trato com o elenco: “Evito dizer ‘no meu tempo eu fazia assim’. O cuidado com o ego é fundamental para o atleta receber bem a sua mensagem”.
Dentro de campo, o reflexo é um time ofensivo e competitivo, mesmo com limitações. Fora dele, surge um treinador que aposta mais no diálogo do que na imposição. Em um mercado frequentemente marcado por ciclos curtos e ideias repetidas, Rafael Marques aparece como uma alternativa interessante, alguém que entende o jogo, mas, sobretudo, entende pessoas.
Para 2027, com o calendário nacional da Série D no horizonte, o desafio cresce. Mas, pelo que mostrou até aqui, o “Rafa” já deixou claro que não pretende apenas reagir ao jogo. Quer propor. E, principalmente, permanecer.









































