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·21 April 2026

Santos conquista o Troféu “A Vitória”

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Gabriel Pierin, do Centro de Memória

A inauguração do Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1927, há 99 anos, marcou um capítulo especial na história do futebol brasileiro — e o Santos Futebol Clube foi protagonista desse momento. Convidado para enfrentar o Club de Regatas Vasco da Gama na nova casa cruzmaltina, o time santista, dirigido pelo lendário Urbano Caldeira, venceu por 5 a 3 e conquistou o troféu “A Vitória”, hoje exposto no Memorial das Conquistas.


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O estádio, então o maior particular da América do Sul, recebeu cerca de 40 mil pessoas — o maior público já registrado no país até aquele momento. A cerimônia de abertura contou com o pontapé inicial dado pelo presidente da República, Washington Luís. O Santos surgiu em campo aplaudido pelo público, vestindo elegantes paletós listrados em preto e branco, com a formação: Tuffy, David e Bilú; Hugo, Júlio e Alfredo; Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista.

Coube a Evangelista a honra de marcar o primeiro gol da história do estádio, aos 20 minutos do primeiro tempo. O Vasco empatou logo em seguida, com Negrito, embalado pelo entusiasmo dos torcedores que lotavam São Januário. O Santos, porém, manteve o controle da partida até o intervalo.

Na segunda etapa, Evangelista voltou a balançar as redes aos 15 minutos, recolocando o Santos em vantagem. O Vasco empatou aos 21, com Bahiano, mas o jogo aberto favorecia o ataque santista. Aos 28 minutos, Omar fez 3 a 2, e pouco depois, aos 31, Araken Patusca ampliou. Evangelista ainda completou sua atuação brilhante marcando seu terceiro gol, fazendo 5 a 2. Nos minutos finais, o Vasco descontou, fechando o placar em 5 a 3. Ao término, os jogadores do Santos foram carregados em triunfo e receberam os cumprimentos do presidente vascaíno, Antônio Campos — reflexo dos tempos de cordialidade no futebol.

A revanche veio em 14 de julho daquele ano, na reabertura do Estádio das Laranjeiras, do Fluminense Football Club. Mais uma vez, o Santos se impôs e venceu o Vasco por 4 a 1, após abrir 4 a 0. A reação vascaína diante de nova derrota incluiu lances violentos e provocações, enquanto os santistas mantiveram postura disciplinada. A imprensa carioca passou então a chamar o clube de “Campeão da Técnica e Disciplina”.

Além do jogo inaugural

A construção de São Januário representou a resposta da comunidade vascaína às pressões dos clubes elitistas do Rio de Janeiro, que tentavam impedir o Vasco de participar do campeonato carioca. Por ter jogadores negros e de origem humilde, o clube foi obrigado a possuir um estádio próprio — obra realizada sem apoio externo, apenas com a mobilização de sócios e torcedores.

Ao escolher o Santos para o jogo inaugural, o Vasco buscou um adversário à altura da importância daquele momento. E o Santos vivia fase extraordinária: naquele ano alcançaria os 100 gols no Campeonato Paulista, com média recorde de 6,25 por partida. Para além do aspecto técnico, havia também um simbolismo: Santos era uma cidade marcada pela abertura social e pela abolição precoce da escravidão, e o encontro entre os dois clubes representava, de certa forma, um ato contra o preconceito étnico e social ainda presente no futebol brasileiro da época.

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