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·10 January 2026
São Paulo paga fortuna para empresa de ex sócio Presidente da FPF

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São Paulo paga fortuna para empresa de ex sócio Presidente da FPF
O Estadão publicou mais uma informação sobre possíveis denúncias e envolvimento do São Paulo com relações de dirigentes e empresas:
“O São Paulo mantém um contrato de R$ 6,8 milhões anuais com uma empresa de limpeza que pertence a um aliado e ex-sócio de longa data do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos. Ao longo de décadas, Bastos e este aliado mantiveram uma sociedade em valores milionários de participação, além de propriedade conjunta em imóveis. Bastos nega relação atual com a empresa e o São Paulo alega forte concorrência pelo contrato.
Nos bastidores do clube, o termo é objeto de questionamento de conselheiros. O contrato já foi objeto de denúncia à Polícia Civil de São Paulo, que avalia também abrir uma frente de investigação sobre o termo. O contrato foi firmado no fim de 2024 e assinado pelo presidente Júlio Casares, que é alvo de um processo de impeachment e um inquérito policial que apura saques milionários em espécie do clube e do dirigente.
Documentos internos do São Paulo obtidos pelo Estadão mostram que o número de funcionários previstos para atuar no contrato no último mês foi inferior àquele acordado entre as partes.
A empresa em questão é a Milclean, atualmente em nome de Otávio Alves Corrêa Filho, amigo de Bastos há mais de 40 anos. Ambos dividiram a gestão do Taubaté e da Federação Paulista de Futebol.
O presidente da FPF deixou a empresa em 2021. Correa Filho também teve participação em imóveis ao lado da esposa do de Bastos, casada com comunhão total de bens com o cartola. Procurada por e-mail, mensagens e ligações, a Milclean não respondeu aos questionamentos da reportagem.
O contrato, ao qual o Estadão teve acesso, foi assinado em dezembro de 2024, mas estabelece que o início dos serviços no clube social do São Paulo retroage a junho do mesmo ano, ou seja, seis meses antes. O acordo tem término previsto para 14 de junho de 2027.
O São Paulo paga mensalmente R$ 569.856,20 à Milclean. São R$ 6,8 milhões anuais destinado à empresa, que tem sede em Taubaté e foi fundada em 1998 por Reinaldo Carneiro Bastos e seu sócio Otávio Alves Corrêa Filho.
O contrato determina que o quadro diário de colaboradores trabalhando na limpeza do clube social não pode ser inferior a 96 funcionários de segunda a sábado; e 95 aos domingos e feriados.
A reportagem teve acesso ao registro de presença dos colaboradores da empresa de dezembro de 2025 e constatou que essa determinação não tem sido respeitada. Em nenhum dos 31 dias do mês passado houve número perto do que é previsto no acordo.
O dia 2, uma terça-feira, foi o que registrou mais colaboradores: 55. Uma semana depois, 9, foi o dia com menor contingente de funcionários presente no mês: 39.
Carneiro Bastos não é mais sócio da Milclean, mas segue sendo aliado do dono da empresa. Ambos são conselheiros vitalícios do Taubaté, que projetou Carneiro Bastos como dirigente. Corrêa Filho atua no clube desde 1975, quando foi diretor de futebol. Os dois também foram sócios da Aerolimp, empresa de serviços de transporte aéreo que foi extinta em 2006.
A Milclean foi aberta com capital social de R$ 20 mil e chegou a declarar R$ 20 milhões em 2018, como constatam as movimentações na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp). O cartola que comanda o futebol paulista vendeu sua fatia da empresa em 2021 por R$ 3,9 milhões.
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Em outra ponta, Correa Filho também teve participação de 50% em imóveis ao lado de uma empresa que está em nome da mulher e dos filhos de Reinaldo, chamada Lac Participações. Como o presidente da FPF é casado em comunhão de bens, ele é avalista dos atos da mulher na sociedade.
Em uma disputa judicial de 2018, Correa Filho e a empresa da família de Reinaldo brigaram para receber repasses de alugueis da imobiliária que administrava as salas comerciais que tinham juntos. Nos documentos do processo, há notificações feitas pela Milclean diretamente à imobiliária para que os valores fossem pagos.
Em outros registros levantados pelo Estadão, consta, por exemplo, que Corrêa Filho e o presidente da FPF já tiveram, também, juntos, participação na propriedade de uma cobertura de 163 metros quadrados em Taubaté. Depois, o imóvel ficou em nome somente de Bastos e a esposa. Os amigos têm dezenas de imóveis na região.
No fim dos anos 2000, quando Carneiro Bastos era vice-presidente da FPF, Correa Filho era vice-presidente administrativo. Os então sócios participavam da organização da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009. O empresário foi diretor da sede de Taubaté.
Foi naquela edição da Copinha em que a Milclean esteve pela primeira vez envolvida em polêmica. A empresa tinha placas publicitárias no estádio de Taubaté, um dos times com mais jogos transmitidos pela TV naquela edição. A competição organizada pela FPF virou, naquele ano, vitrine para a empresa dos dois sócios.
Conforme reportagem da época da Folha de S.Paulo, apenas uma das seis partidas de Taubaté na primeira fase não teve transmissão na TV. Jogaram lá Grêmio, Portuguesa, Nacional-AM e o time da casa. No estádio de São José dos Campos, onde também havia placas da Milclean e atuaram Inter, Noroeste, São José e Araguaína, apenas dois dos seis duelos não foram exibidos na TV.
Além da atuação como cartola, Correa Filho tem sido um dos principais apoiadores financeiros do Taubaté, cujo patrocinador master é a Milclean.
Em 2024, Wagner Teixeira, vereador de São Sebastião, acusou a Milclean de superfaturamento durante sessão na Câmara da cidade, cuja prefeitura tem contrato de R$ 3 milhões por mês com a empresa, “mas a qualidade é lamentável”, reclamou ele.
A Federação Paulista de Futebol esclarece que o presidente Reinaldo Carneiro Bastos foi sócio da Milclean até 2021, quando vendeu sua participação de forma amigável e se desvinculou totalmente da empresa. Desde sua saída da sociedade, Reinaldo não participa de nenhum ato da Milclean, de nenhuma decisão administrativa nem possui nenhum cargo ou remuneração. Desta forma, é completamente desonesta a tentativa de liga-lo a um suposto contrato da Milclean com o São Paulo Futebol Clube, do qual Reinaldo sequer sabia da existência e, segundo a própria reportagem do Estadão, foi celebrado em 2024, três anos depois da venda da participação e saída da empresa.
O presidente da FPF afirma ainda que ninguém de sua família possui qualquer vínculo societário com o proprietário da Milclean, que é apenas um amigo antigo.
“O contrato com a empresa Milclean foi celebrado após a realização de um processo de concorrência, com a participação de sete empresas do mercado, todas com boas referências. Foi escolhida a empresa de menor custo, e não há registro atual de qualquer vínculo com o presidente da FPF. O escopo do contrato contempla toda a área do clube social, sendo sua gestão de responsabilidade desta diretoria. Ao término do contrato, será realizado um novo processo de concorrência.
O controle interno da prestação dos serviços de limpeza é realizado por meio de procedimentos formais e sistemáticos, com o objetivo de assegurar a conformidade contratual e a rastreabilidade das informações.
O controle de presença dos colaboradores da empresa prestadora de serviços é efetuado diariamente no acesso ao portão. Todos os funcionários alocados no contrato realizam o registro de entrada por meio de assinatura em lista de controle interno do SPFC, garantindo a validação física da presença no local de trabalho.
As listas de controle assinadas são consolidadas e utilizadas para o acompanhamento diário da quantidade de prestadores efetivamente presentes, em comparação ao quantitativo previsto em contrato.”









































