Portal dos Dragões
·10 June 2026
Sérgio Conceição: “Não me passa pela cabeça ser presidente do FC Porto”

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Sérgio Conceição afastou, para já, qualquer cenário de uma futura candidatura à presidência do FC Porto. Numa conversa em que o passado recente no clube serviu de pano de fundo, o antigo treinador dos dragões falou da forma como olha para o futuro e da marca com que quer ser lembrado. E, perante a pergunta mais especulativa de todas, foi taxativo: “não me passa pela cabeça no momento”.
Dois anos depois da saída do FC Porto, Sérgio Conceição reapareceu num registo mais introspectivo, menos virado para o ruído e mais para a definição de si próprio. O momento convidava a revisitar a ligação intensa ao clube, mas a resposta acabou por abrir outra janela: a de um homem que recusa projectar-se em cargos e que continua a pensar-se, antes de mais, dentro da lógica da luta diária.
Questionado sobre os rumores que o colocam, um dia, na rota da presidência do FC Porto, Sérgio Conceição respondeu sem alimentar cenários e sem ceder à tentação de um horizonte político. O tom foi de contenção, quase de recusa em transformar conjectura em plano.
“A Sandra tem aí uns trunfos na manga…”, começou por dizer. “Mas eu, sinceramente, não penso… quer dizer, não tenho um pensamento a longo prazo.”
Na resposta, há mais do que uma negação circunstancial. Há uma forma de estar: a de alguém que se descreve a partir da urgência do presente e não da construção de uma carreira para lá da carreira.
Quando a pergunta foi apertando e a hipótese voltou a ser colocada de forma mais directa, o antigo treinador manteve a mesma linha. Sem dramatizar, sem fechar portas com solenidade, mas também sem deixar espaço para equívocos.
“Não, não me passou pela cabeça, sinceramente.”, afirmou. “Não, mas eu ouço – e vamos ouvindo, não é? Porque hoje é fácil ouvir opiniões, com a dimensão que ganharam as redes sociais… Enfim, ouço determinadas situações, mas não, não pensei, não penso num futuro próximo, não.”
É uma resposta que expõe o contraste entre o ruído exterior e a posição interior. Conceição reconhece o ambiente de especulação que o rodeia, mas recusa dar-lhe substância, preferindo manter-se fora desse tabuleiro.
Confrontado depois com um horizonte mais distante, voltou a não fixar um destino. E foi precisamente aí que a explicação ganhou densidade pessoal, trocando a linguagem da função pela da intensidade com que vive.
“Não sei, sinceramente, não sei.”, reconheceu. “Eu vivo de tal forma intensa e apaixonada o meu dia-a-dia, a relação com a minha profissão é tão intensa, tão forte, com a minha família, com aquilo que é também o meu grupo de amigos, que pensar a médio prazo já me custa, imagine, a longo prazo.”
O treinador sublinhou ainda essa impossibilidade de se ver, neste momento, nesse papel.
“Por isso, é algo que não me passou, nem me passa pela cabeça no momento.”
Mais do que uma fuga à resposta, o retrato que deixa é o de alguém agarrado ao presente, à profissão, à família e ao círculo mais próximo. A ideia de presidência surge, assim, não como projecto adiado, mas como hipótese que nem sequer entrou verdadeiramente no campo das prioridades.
No final, quando a conversa saiu do cargo possível e entrou no legado desejado, a resposta foi tão reveladora como as anteriores. Se na presidência recusou imaginar-se, na memória que quer deixar mostrou-se sem hesitação.
“A palavra que me vem à cabeça quando me faz a pergunta é «lutador». Lutador.”, explicou. “Eu lutei. Continuo a lutar muito. Muito! Na minha vida, na minha profissão, continuo a lutar muito.”
É, no fundo, a síntese mais limpa do personagem que procurou desenhar: menos interessado no lugar que um dia poderá ocupar e mais na forma como atravessa o caminho. Não a figura institucional, não o estratega de bastidores, mas o homem que insiste em definir-se por uma palavra simples e pesada: lutador.







































