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·8 May 2026

“Tenho muito orgulho em ser capitã do FC Porto”

Article image:“Tenho muito orgulho em ser capitã do FC Porto”

Ema Gonçalves prolongou o vínculo com o FC Porto e falou com a segurança de quem sente pertença, ambição concretizada e dever assumido. A defesa de 24 anos passou em revista a subida à Liga BPI, os momentos mais marcantes da época, o simbolismo da braçadeira e a força de um balneário que, garante, nunca a deixou sozinha. No centro de tudo, ficou uma ideia simples e forte: “Estou onde quero, no Clube que quero”.

Há renovações que representam apenas uma formalidade contratual e outras que validam um percurso. No caso de Ema Gonçalves, capitã da equipa feminina do FC Porto, a continuidade surge ligada a um objetivo traçado há muito: chegar à Liga BPI em dois anos e consegui-lo de azul e branco, no clube do coração, com a sensação de que o plano saiu do papel para o relvado.


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Ao explicar o significado de renovar com o clube, o tom foi imediatamente marcado pela identidade portista e pelo orgulho de envergar a camisola como atleta do FC Porto. Sem hesitações, Ema Gonçalves colocou a renovação ao nível das conquistas pessoais.

“Todos os dias são especiais desde que vim para aqui. É um privilégio vestir esta camisola, não só como portista, mas agora como atleta do FC Porto.”, afirmou. “É um dia muito especial para mim. Quando vim para aqui o meu objetivo era chegar à Liga BPI em dois anos e tê-lo conseguido é um privilégio e um orgulho.”

Mais do que celebrar um contrato, a defesa destaca a concretização de um desígnio que a acompanhava desde a chegada. É esse cruzamento entre ambição individual e exigência coletiva que dá densidade ao momento e abre espaço para olhar para trás.

Ao recordar o primeiro contacto com a realidade portista, Ema Gonçalves descreveu o impacto inicial e a rapidez com que se aprende a viver ao ritmo de um clube que pede sempre mais. O Estádio do Dragão surge, nesse relato, como porta de entrada para uma cultura de exigência permanente.

“Lembro-me perfeitamente do dia em que viemos aqui pela primeira vez para nos apresentarmos umas às outras. Chegar ao Estádio do Dragão e perceber como é que isto funciona foi uma sensação espetacular.”, recordou. “Agora já estou mais habituada. O tempo passa muito rápido e um jogador do FC Porto tem de estar habituado a isso. Tivemos sucesso ontem, mas já estamos a pensar no sucesso de hoje e no de amanhã. Há tempo para celebrar, mas também tem de haver tempo para trabalhar e para melhorar. Estamos sempre a pensar no que vem a seguir.”

Na forma como descreve essa primeira impressão percebe-se uma ideia de continuidade competitiva, quase sem pausas. O sucesso, ali, não é um ponto de chegada; é apenas a obrigação de preparar o passo seguinte.

Questionada sobre a afirmação como titular, a capitã rejeitou uma leitura simplista e preferiu dividir o mérito entre o trabalho diário e a confiança recebida. Houve esforço, houve qualidade, mas também a noção de que o futebol depende de oportunidades que precisam de ser aproveitadas.

“Trabalho sempre muito para ser titular e trabalhei muito durante a época para que isso acontecesse. Acho que foi um reconhecimento do meu trabalho, mas também é preciso ter a sorte de sentir que a equipa técnica acredita em mim.”, explicou. “Às vezes não basta ter talento e trabalhar, também é preciso ter essa sorte e ainda bem que eu a tive. As coisas foram acontecendo naturalmente e espero que continuem assim na próxima época.”

É um retrato lúcido de quem não romantiza o percurso nem o reduz ao mérito individual. A titularidade aparece, assim, como consequência de consistência, mas também de contexto, e a próxima época já surge no horizonte com a mesma naturalidade com que se olha para o que foi alcançado.

Nos melhores momentos da temporada, Ema Gonçalves não escolheu de forma imediata. Entre a subida à Liga BPI e a campanha na Taça de Portugal, o discurso oscilou entre a conquista coletiva, a frustração da lesão e uma emoção ainda difícil de explicar.

“É difícil escolher um. O jogo em que subimos à Liga BPI foi um misto de emoções, porque trabalhámos para isso a época toda, mas eu lesionei-me na semana do jogo. Foi difícil, mas fiquei contente.”, reconheceu. “Foi o culminar destes dois anos incríveis em que o nosso objetivo era chegar à Liga BPI. Se eu tivesse de escolher o melhor momento da época, teria de dizer o jogo contra o Vitória SC da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Foi uma emoção tremenda. Não parava de chorar por saber que estávamos mesmo no Jamor. Nem sei bem o que isso significa ainda, só vamos entender a 100% quando lá estivermos. Por isso, embora o momento em que nos sagramos campeãs tenha sido excelente, a Taça de Portugal foi um extra muito bom.”

Há, nestas palavras, o peso total de uma época vivida por dentro: a lesão no instante em que a meta é alcançada, a alegria que resiste à contrariedade e a perceção de que certas conquistas só se compreendem verdadeiramente quando são vividas. A subida confirmou o projeto; o Jamor acrescentou-lhe uma dimensão emocional difícil de medir.

Sobre a braçadeira, a mensagem foi breve e direta, sem ornamentos. A capitã falou do cargo como quem lhe dá o nome certo: responsabilidade, sim, mas também orgulho.

“É uma responsabilidade grande, mas é uma responsabilidade com a qual gosto de lidar e tenho muito orgulho em ser capitã do FC Porto.”

A frase, curta, explica bem a forma como se posiciona dentro do grupo. Não há peso que a afaste da função; há antes a aceitação natural de um papel que vive entre a exigência e a identidade.

Essa identidade coletiva ganhou contornos ainda mais claros quando falou da lesão e da forma como foi acompanhada pelo grupo. Aí, o lema do balneário deixou de soar a mera fórmula e passou a experiência concreta.

“O lema “Seguimos Juntos” tem mesmo um grande significado aqui no FC Porto. Quando me lesionei, senti que estava toda a gente comigo.”, sublinhou. “Senti e sinto. Noto que todas estão preocupadas comigo nos treinos, perguntam-me como estou e desejam-me uma boa recuperação. Sempre senti que a equipa estava comigo, como esteve ao longo da época, mas elas foram importantes para mim neste momento especial.”

Mais do que um slogan, Ema Gonçalves descreve uma rede de apoio que se torna visível precisamente quando o jogo abranda para uma jogadora. E é nesse detalhe, muitas vezes invisível fora do balneário, que se mede a solidez de uma equipa que quer continuar a crescer.

No regresso à Primeira Divisão, a defesa voltou ao ponto de partida: aquilo que imaginou quando chegou e o que sente agora ao assinar para continuar. A renovação, no seu discurso, fecha um ciclo e abre outro sem perder o mesmo rumo.

“Quando vim para o FC Porto já pensava neste momento e neste dia. Assinar um contrato para jogar na Primeira Divisão é incrível.”, garantiu. “Estou onde quero, no Clube que quero e não poderia sonhar com algo melhor.”

Fica a imagem de uma capitã que fala do futuro com a serenidade de quem reconhece o caminho percorrido. No FC Porto de Ema Gonçalves, a ambição não se separa do afeto – e talvez por isso a promessa de continuar faça tanto sentido.

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