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·28 May 2026
Villas-Boas devia travar os seus cartilheiros antes que se ridiculizem

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Há uma coisa que irrita mais do que a má-fé: é a má-fé seletiva. E é precisamente isso que está em causa quando Vítor Pinto, um dos porta-vozes mais fervorosos da causa portista, decide esganiçar-se com uma situação não documentada, nem provada, alegadamente envolvendo o Benfica.
O argumento de Vítor Pinto assenta na ideia de que o Benfica estaria a pagar a José Mourinho enquanto o treinador já trabalharia para o Real Madrid. Repita-se: não documentada. Não há contrato público, não há prova, não há fonte verificável. É especulação vestida de escândalo, e o comentador abraçou-a com toda a convicção.
O problema, e que problema, é que a memória parece ser muito curta quando o clube em causa tem azul e branco nas cores. Na época passada, o FC Porto trabalhou com Anselmi como treinador oficial enquanto, em paralelo, já estabelecia contacto e trabalho com Francesco Farioli, durante várias semanas. Não foi uma sobreposição relâmpago. Foi um processo alongado, com dois técnicos em cena ao mesmo tempo.
Nessa altura, Vítor Pinto não foi convocado para a indignação de serviço. Nenhum microfone seu registou o mesmo fervor. Nenhuma veia saltou no pescoço. O silêncio foi ensurdecedor, e revelador.
André Villas-Boas tem nas mãos um clube com problemas sérios, dentro e fora do campo. Seria mais útil, e mais digno, pedir aos seus cartilheiros que guardassem a munição para batalhas com substância. Usar comentadores como instrumentos de pressão mediática, com base em alegações por provar, não faz bem ao debate, não faz bem ao futebol português e, francamente, não faz bem ao próprio Porto.
O Benfica tem histórico, tem escrutínio e tem adversários suficientes sem precisar de fabricados. Mas quando a crítica é construída em cima de nada, e vem de quem ficou calado perante situação idêntica em casa própria, a resposta tem de ser direta: isto chama-se dois pesos e duas medidas, e o desporto merece melhor do que isto.
Que Vítor Pinto se indigme quando tiver factos na mão. Até lá, o silêncio seria mais honesto.







































