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·21 de enero de 2026

A dupla checa que jogou nos juniores do FC Porto: «Havia jogadores muito melhores do que eu à minha volta»

Imagen del artículo:A dupla checa que jogou nos juniores do FC Porto: «Havia jogadores muito melhores do que eu à minha volta»

Lubomír Vlk e Yanko Daucík. Michael Kasal, se quisermos ser um pouco mais ecléticos. Eis os únicos jogadores checos que representaram uma equipa sénior do FC Porto- os dois primeiros no futebol, o último no andebol.

A amostra é curta, é certo. No entanto, ganha um pouco mais de cor se a análise for mais abrangente. Afinal de contas, há dois atletas naturais deste país da Europa Central que representaram a equipa de juniores dos azuis e brancos entre 2008 e 2010: Alexander Jakubov e Jaroslav Kmoch.


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Aproveitando a deslocação do FC Porto à Chéquia para o embate com o Viktoria Plzen, e assumindo que até os adeptos mais fervorosos do FC Porto terão poucas memórias desta dupla, o zerozero foi ao encontro do avançado e do lateral-esquerdo, ambos já retirados.

«O meu empresário enviou um DVD meu e o FC Porto gostou»

A chamada com Alexander Jakubov acontece ao início da tarde em Portugal, altura em que os primeiros raios de sol surgem no céu de Dallas. Atualmente a coordenar uma academia de futebol nesta cidade dos Estados Unidos da América, o antigo avançado, agora com 35 anos, recorda com carinho o início da sua aventura em Portugal.

«Na altura jogava no Sparta Praha e o meu empresário enviou um DVD com os meus melhores momentos para o FC Porto. O clube gostou e convidou-me para ir a Portugal fazer testes. Lembro-me que, numa primeira fase, o meu empresário não me queria dizer para onde íamos porque não queria que eu contasse a toda a gente e estragasse o negócio [risos]», começa por contar. 

A chegada de Jakubov à cidade invicta deu-se poucos meses antes da de Jaroslav, atualmente com 34 anos. Os dois jogadores eram representados pelo mesmo empresário, pelo que esta mudança, ainda que em tenra idade (tinham ambos 17 anos), aconteceu de forma natural.

«Pese embora percebesse inglês, tinha algum receio de falar. Assim sendo, foi ótimo ter feito esta mudança com o Alex, que já era meu colega de equipa em Praga. Ele ajudou-me muito, era o meu parceiro e passávamos praticamente todo o tempo juntos, em casa ou no ginásio», recorda o antigo lateral-esquerdo.

E mesmo que ambos tenham sido obrigados a esperar seis meses para se estrearem de dragão ao peito- o Sparta Praha enviou uma carta à FIFA após a mudança dos jogadores para Portugal que atrasou o processo de inscrição-, o encanto de ambos em relação às condições que encontraram é evidente.

«Quando cheguei não acreditei no que vi: as condições de treino, o equipamento que tínhamos disponível, a roupa sempre lavada pelas pessoas do clube, a casa onde ficámos, o Estádio do Dragão... Apaixonei-me pelo FC Porto», explica Jakubov, numa ideia partilhada (ainda que de forma mais sucinta) por Jaroslav: «O que mais me impressionou foi o facto de tudo, mas absolutamente tudo, ser feito com bola.»

«Podia ter lutado mais pelo contrato profissional»

Ultrapassado o imbróglio burocrático relacionado com a inscrição, como foi representar um clube com a dimensão do FC Porto?

«Foi uma ótima experiência e não me arrependo de nada, afinal de contas consegui melhorar bastante enquanto jogador e crescer enquanto homem. No entanto, com o passar do tempo, percebi que havia jogadores à minha volta muito melhores do que eu. Ou seja, só fiquei no FC Porto durante pouco mais de uma época porque a competição era enorme. Se jogares mal um ou dois jogos, há logo outros jogadores à espera de uma oportunidade», vinca Jaroslav. 

A história de Jakubov no clube é muito semelhante à do compatriota:

«Foi incrível quando me disseram que podia jogar; se não estou em erro marquei dois golos no meu primeiro jogo. Essa segunda metade da temporada foi ótima, penso que marquei cerca de dez golos [nove]. Entretanto, fui passar o verão a casa e, na minha segunda época no FC Porto, chegámos a acordo para a rescisão ao fim de três meses.»

O antigo avançado assume que a elevada concorrência na sua posição e o facto de querer concluir o ensino secundário [interrompeu os estudos aquando da mudança para a Portugal] foram determinantes para ter optado pela saída. Ainda assim, não esconde um certo arrependimento pela decisão tomada.

«Podia ter lutado mais pelo meu lugar, nunca se sabe o que podia ter acontecido. Tinha marcado golos na época anterior, eventualmente o clube podia oferecer-me um contrato profissional e depois emprestar-me. Na altura tinha 18 anos; com a minha experiência atual talvez dissesse 'Não desistas agora, mostra que mereces o contrato profissional'», considera.

No lugar do capitão e confusão na bancada

Na hora de elegerem o melhor jogador com quem se cruzaram no FC Porto, os dois jogadores são unânimes (ainda que com menções honrosas a Sérgio Oliveira e Diogo Viana): Josué. «Tinha uma técnica inacreditável», relembra Jakubov.

O avançado, no entanto, está também em condições de falar de jogadores da equipa principal, já que participou em alguns treinos do conjunto então orientado por Jesualdo Ferreira

«O Lucho foi quem mais me encheu as medidas, mas jogadores como Lisandro, Hulk e Bruno Alves também eram fantásticos. A diferença entre os sub-19 e a equipa principal era enorme, era difícil fazer a transição», vinca, aproveitando para contar um episódio que o marcou:

«Os meus amigos gozam-me sempre por causa desta história: numa das poucas vezes em que fui treinar à equipa principal, decidi sentar-me num sítio aleatório no balneário. Entretanto percebi que era o lugar do Pedro Emanuel. Imagina o que é um miúdo chegar e ouvir um dos capitães a dizer-lhe "Podes sair? Estás no meu lugar". Tive sorte que ele disse-me isto de forma tranquila [risos].»

Também no capítulo das histórias marcantes, Jaroslav dá o seu contributo. «Conto sempre isto quando alguém me pergunta. Numa altura em que eu ainda não podia jogar, fui assistir a um jogo contra o Vitória SC. O estádio estava lotado e, a certa altura, os adeptos adversários começaram a atirar pedras e garrafas de água na nossa direção. Tivemos de ir para o autocarro e a polícia teve de escoltar a nossa saída do recinto. Fiquei completamente surpreso com o facto de haver uma atmosfera destas num jogo de formação», assevera.

«Gostava de criar um protocolo com o FC Porto»

Afastado dos relvados desde 2013 (alinhou apenas em clubes de pouca expressão na Chéquia), Jaroslav vai-se dividindo entre o trabalho numa empresa de controlo de qualidade em Byšice e os jogos de futebol com amigos. Ainda assim, continua atento ao campeonato checo e ao clube que representou em Portugal. 

«O FC Porto está numa excelente forma e, acima de tudo, concede poucos golos. Para além disso, o Durosinmi, que era o melhor marcador do Viktoria Plzen, saiu. Assim sendo, a minha aposta é um 2-0 para o FC Porto», atira, acrescentando, para fechar, que gostava de levar a família a Portugal para «mostrar onde jogou e onde viveu».

O desejo de regressar à cidade do Porto também está bem presente em Alexander Jakubov, que tem, inclusivamente, planos bem definidos na vertente desportiva: «Continuo a seguir o FC Porto, inclusive a equipa feminina. Adorava criar algum tipo de protocolo com o clube em relação ao futebol feminino porque tenho muitas meninas aqui na minha academia. Seria ótimo visitar o clube com uma comitiva ou levar algumas jogadoras para um período de testes. Para este jogo não espero facilidades por parte do Plzen, mas acredito que o FC Porto vai ganhar

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