Zerozero
·17 de enero de 2026
Abram alas ao mágico moçambicano

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·17 de enero de 2026

Senhoras e senhores, abram alas a Geny Catamo. Depois de falhar cinco jogos do Sporting para representar Moçambique na Taça das Nações Africanas, o extremo leonino voltou com a corda toda e fez o seu primeiro jogo de leão ao peito em 2026.
Num Sporting a atravessar um período exigente, marcado por ausências, pelo calendário apertado e por alguma irregularidade exibicional, Geny regressou a Alvalade como se nunca tivesse saído, e fê-lo da forma mais impactante possível. O moçambicano voltou assim a assumir-se como um desequilibrador e um decisor, um estatuto que já lhe vem assentando cada vez mais esta época.
O regresso de Geny trouxe dois golos em apenas cinco minutos, ambos no fecho da primeira parte, que desbloquearam um encontro até então amarrado e colocaram o Sporting com uma vantagem confortável ao intervalo. O triunfo acabaria por ser fechado por Daniel Bragança, mas a história do jogo escreveu-se, essencialmente, com a assinatura de Geny Catamo.
Com o seu habitual movimento da direita para o meio e o pé esquerdo como arma principal, Geny voltou a mostrar por que razão é hoje uma das peças mais valiosas no modelo de Rui Borges. Irrequieto na ala direita do ataque, deu profundidade à equipa, apareceu em zonas interiores com critério e foi decisivo nos momentos-chave. Os dois golos frente ao Casa Pia confirmaram um salto estatístico e competitivo que merece destaque. São já 10 golos e 6 assistências nesta temporada. Números que ditam o melhor registo da sua carreira, e estamos apenas em janeiro.
Esta é, de resto, a época em que Geny mais impacto tem tido no jogo ofensivo do Sporting: 16 ações diretas para golo em 33 jogos. Marcou pela primeira vez na carreira em encontros consecutivos ao serviço de clubes e chega aos dois dígitos de golos numa fase ainda precoce da temporada. São números que servem assim como indicadores de regularidade, confiança e o protagonismo que muitas vezes não lhe foi concedido.
O contexto atual, no entanto, torna tudo ainda mais relevante. Geny regressou a uma equipa com várias baixas importantes e acabou por surgir, na prática, como um reforço imediato. Tal como Bragança ou Debast, a sua disponibilidade devolveu soluções a Rui Borges, mas foi o moçambicano quem mais rapidamente fez a diferença.
O técnico, que na antevisão tinha «dado graças a Deus» pelo regresso do extremo após a CAN, viu essa confiança ser plenamente retribuída. No final, destacou o crescimento individual do jogador e enquadrou-o numa lógica coletiva: confiança para errar, para arriscar e para decidir. É precisamente aí que Geny se tem afirmado. Quando o jogo pede rasgo, o próprio assume.
Mas mais do que isso, o que sobressai é a sensação de progressão contínua. Geny está a atingir o melhor momento da sua carreira até ao momento, com impacto real no jogo e no resultado.
Depois de ter sido emprestado duas épocas consecutivas ao Vitória SC e ao Marítimo, respetivamente, acabou por ficar no plantel às ordens de Ruben Amorim em 2023/2024 e foi aos poucos conquistando o seu espaço. Primeiro como um «excedente» a quem lhe foi dada uma oportunidade e depois como um jogador útil na rotação do Sporting, até ao momento em que nos encontramos agora, onde se assume como uma das principais figuras do plantel de Rui Borges – sobretudo em momentos de aperto.
O percurso do moçambicano, mais do que uma boa história, é a prova de que o talento precisa de contexto, tempo e confiança para se transformar em rendimento. Geny serve como exemplo de que a continuidade e a oportunidade de progresso são dois termos que andam de mãos dadas com o sucesso a longo prazo.
Aos dias de hoje, já não se pede paciência com Geny, pede-se, apenas, que continue.









































