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·3 de junio de 2026

Com faixas e cobrança forte, torcedores vão protestar na casa de Olten contra sua ‘vitória’ no Conselho

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O coletivo de torcedores identificado como ‘Bonde dos Brabos’ realizou na manhã desta quarta-feira (3) um protesto em frente ao prédio onde mora o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu.

O motivo da manifestação é óbvio: a eleição no órgão que acabou ratificando a permanência de Olten na presidência por 120 votos a 118, rejeitando a orientação do Comitê de Ética para que ele fosse afastado preventivamente do posto por 120 dias.


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Segundo informações do portal ‘Arquibancada Tricolor‘, os torcedores “exibiram faixas com fortes críticas” a Olten. Entre os dizeres expostos estavam frases como “gestão criminosa” e “a omissão será lembrada, os traidores serão cobrados”.

Ainda de acordo com o veículo, a segurança do prédio acionou a Polícia Militar para que os torcedores fossem retirados do local, a pedido dos moradores, incomodados.

Dissidência da Independente, maior torcida organizada do Tricolor, o ‘Bonde dos Brabos’ vem ganhando notoriedade em protestar contra a administração do clube do Morumbi. Eles estiveram presentes, por exemplo, em reuniões que culminaram na renúncia do ex-presidente Julio Casares. E em maio foram à porta do CT da Barra Funda protestar contra o executivo de futebol Rui Costa após a derrota no clássico contra o rival Corinthians.

A POLÊMICA VOTAÇÃO

O Conselho Deliberativo do São Paulo rejeitou, por 120 votos a 118, a prorrogação por mais quatro meses do afastamento preventivo de Olten Ayres de Abreu Júnior da presidência da casa.

A margem mínima não impediu que a decisão repercutisse negativamente nas redes sociais, onde torcedores reagiram com pesadas críticas a Olten, ao Conselho e à oposição, cujos integrantes foram determinantes para barrar a medida.

Com o resultado, o dirigente retorna ao cargo após quase três semanas afastado.

Olten se afastara voluntariamente em 14 de maio, após acordo com o vice-presidente do Conselho, João Farias Júnior, e o presidente da comissão de ética, Antônio Maria Patiño Zorz, para garantir prazo para apresentação de sua defesa.

Após analisar o caso, a comissão recomendou o afastamento preventivo até o fim da apuração, mas agora a proposta foi derrubada pelos conselheiros.

A votação, porém, não representa absolvição. O processo por gestão temerária segue em curso na comissão de ética, que pode recomendar a expulsão de Olten do quadro associativo são-paulino, a punição mais severa prevista internamente.

O Conselho também deverá analisar futuramente uma suspensão em definitivo, ainda sem data marcada.

A denúncia contra Olten foi protocolada em abril pelo presidente do clube, Harry Massis Júnior, com base em acusação de gestão temerária durante a tramitação de uma proposta de reforma estatutária.

O projeto, apresentado originalmente pelo ex-presidente Júlio Casares em dezembro, previa redução do quórum qualificado para decisões estruturais, como a transformação do clube em SAF. A comissão legislativa emitiu parecer contrário em abril, mas, antes disso, Olten instituíra uma nova comissão para tratar de mudanças mais amplas no estatuto.

Para Massis, a medida representou quebra estatutária ao reabrir tema já rejeitado. A crise acumulou novos capítulos ao longo da tramitação. Em meio ao processo, Olten chegou a destituir os membros da comissão de ética que conduziam a apuração, mas a decisão foi anulada por Farias, e os integrantes retornaram aos cargos.

Em 7 de maio, a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar suposta falsidade ideológica ligada a um parecer do Conselho Consultivo do clube, ampliando o alcance das investigações sobre o dirigente.

Ainda não está claro quais serão os próximos passos de Olten, mas é possível que seu retorno faça com que a comissão legislativa volte a trabalhar em cima da reforma estatutária, paralisada por Massis desde o início de maio. Também não se sabe se ele retomará a destituição da comissão de ética.

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