Central do Timão
·20 de enero de 2026
Documentos mostram valores e propostas do Corinthians em disputa na base com o Palmeiras

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Após versões divergentes apresentadas por Corinthians e Palmeiras sobre as tentativas de acordo envolvendo um caso de aliciamento nas categorias de base, documentos obtidos pelo ge.globo esclarecem os valores discutidos, as propostas formalizadas e a sequência dos acontecimentos que culminaram na exclusão do clube do Parque São Jorge do Movimento de Clubes Formadores (MCF).
O conflito teve início em janeiro de 2025, quando o Palmeiras denunciou o Corinthians por aliciar um atleta de 14 anos de sua base, cuja identidade é preservada. O clube alvinegro admite falhas na condução do episódio, mas contesta a narrativa de que não houve disposição para resolver o impasse.

Foto: Reprodução
Os documentos analisados mostram que, a partir de abril de 2025, o rival apresentou três propostas formais ao Corinthians com o objetivo de encerrar a questão. A última delas foi enviada em outubro, sem resposta dentro do prazo esperado, o que levou o clube alviverde a revogá-la oficialmente em 10 de novembro, encerrando as negociações.
Publicamente, o Corinthians havia afirmado que apresentou alternativas como a devolução do atleta ou o pagamento de uma multa de R$ 3 milhões. No entanto, essas possibilidades não constam nos documentos formalizados trocados entre as partes.
O atual executivo das categorias de base do Corinthians, Erasmo Damiani, assumiu o cargo apenas em 20 de outubro, depois do envio das propostas iniciais do Palmeiras. Ainda assim, ele recebeu a terceira e última oferta no dia 22 do mesmo mês, por meio de uma conversa via WhatsApp com João Paulo Sampaio, coordenador da base rival.
Desde sua chegada ao clube, Damiani afirma ter buscado reabrir o diálogo, inclusive acionando a Federação Paulista de Futebol (FPF) para intermediar um acordo. O dirigente, porém, critica a postura do rival e de seu representante no processo.
“A vingança vale mais do que os princípios? Se alguém faz uma coisa errada, você vai lá e faz igual? Nós trabalhamos com a formação, temos que dar o exemplo. Se alguém faz algo errado, temos que fazer o certo para denunciar o que é errado. Dizer que “tirou e vai continuar tirando”? Quais princípios são esses? Estamos falando de um diretor do Movimento dos Clubes Formadores. Como que o Movimento aceita uma fala como essa?”, declarou Damiani.
Após a publicação dessas declarações, João Paulo Sampaio respondeu ao ge.globo, rebatendo as críticas: “Não é vingança nem intransigência. O Palmeiras está tentando resolver esse assunto há um ano. Fizemos três propostas diferentes e nada… Contra fatos, não há argumentos“, afirmou o dirigente do rival.
Em seguida, Damiani voltou a se manifestar e detalhou sua tentativa de retomada das conversas: “Uma semana antes de assumir oficialmente, tentei entender como estava a situação, inclusive conversando com o João. Estava disposto a resolver amigavelmente, inclusive mandando proposta oficial ao Palmeiras. Entendo que o diálogo é o melhor caminho. Quem encerrou as conversas foi o Palmeiras. Lembrando que desde a minha chegada e o ofício encaminhado com a nossa proposta deu 15 dias.”
“O Palmeiras se refere a um ano tentando. Que eu saiba o atleta chegou em janeiro de 2025 e o clube deu por encerrado em novembro, mesmo com nossa disponibilidade para resolver de uma forma que fosse boa para todos os envolvidos, principalmente o atleta. Continuamos à disposição para resolver a situação tão logo o Palmeiras esteja disposto a reabrir a negociação.”, continuou.
Além do mérito esportivo, o impasse ganhou novos capítulos nos bastidores. O Palmeiras relata dificuldades de comunicação e aponta erros em documentos enviados pelo Corinthians, incluindo o nome do clube escrito de forma incorreta — “Sociedade Esportiva Palmieras”. O Corinthians, por sua vez, afirma que o próprio Palmeiras também cometeu erro semelhante ao grafar “Pameiras” em um documento de revogação.
O clube alvinegro sustenta ainda que o rival estaria se beneficiando da exclusão do Corinthians do MCF para obter vantagem esportiva e financeira, já que ao menos três atletas de sua base foram contratados pelo Palmeiras após a punição. Há também reclamações sobre a ausência de representantes alviverdes em uma reunião agendada na sede da FPF, enquanto o rival argumenta que, diante das tratativas frustradas, não via sentido em comparecer.
Cronologia das propostas
Abril de 2025O Palmeiras encaminha sua primeira proposta a Alex Brasil, então executivo da base corinthiana: cessão de 50% dos direitos econômicos do atleta ao Palmeiras no primeiro contrato profissional e pagamento imediato de R$ 2 milhões.
25 de agosto de 2025O Corinthians passa por mudança administrativa, com a eleição de Osmar Stabile como novo presidente.
25 de setembro de 2025Em reunião intermediada pelo vice-presidente da FPF, Mauro Silva, o Palmeiras apresenta uma segunda proposta: manutenção dos 50% dos direitos e redução da indenização para R$ 1 milhão.
9 de outubro de 2025O Corinthians envia e-mail à FPF sugerindo alteração no formato de pagamento da indenização de R$ 1 milhão, propondo quitá-la apenas quando o atleta completasse uma partida oficial de 90 minutos pelo time profissional. O documento é assinado pelo presidente Osmar Stabile, pelo diretor jurídico Pedro Luis Soares e pelo presidente da Comissão de Futebol, Francisco Papaiordanou. Em anexo, o clube inclui um depoimento dos pais do jogador e coloca o atleta à disposição para conversa direta.
O Palmeiras classifica a proposta como “indecente” e aponta a ausência de menção à cessão de direitos econômicos.
10 de outubro de 2025O Palmeiras responde com uma contraproposta: cessão de 70% dos direitos ao clube, com possibilidade de o Corinthians recomprar 20% por R$ 1 milhão até o atleta completar 18 anos.
20 de outubro de 2025Erasmo Damiani assume a coordenação da base do Corinthians.
22 de outubro de 2025Damiani conversa com João Paulo Sampaio por WhatsApp e recebe novamente a contraproposta enviada anteriormente.
6 de novembro de 2025A FPF confirma uma reunião entre os clubes, mas o Palmeiras não comparece, alegando aguardar resposta formal à terceira proposta.
10 de novembro de 2025Às 19h26, o Palmeiras envia e-mail à FPF revogando oficialmente a proposta por falta de resposta do Corinthians. O clube explica que o documento foi datado em 11 de novembro por ter sido enviado após o expediente da Federação.
11 de novembro de 2025Às 10h02, a FPF acusa recebimento do e-mail. Trinta minutos depois, o Corinthians encaminha uma nova proposta, sem saber ainda da revogação, que só seria repassada pela Federação no dia 14.
A proposta corinthiana previa cessão de 40% dos direitos ao Palmeiras, pagamento de R$ 500 mil parcelados em dez vezes após o primeiro contrato profissional e opção de compra de mais 10% por R$ 1 milhão, também parcelado.
Sem acordo, o Corinthians permanece excluído do Movimento de Clubes Formadores. A punição impede o clube de disputar torneios não oficiais de base, restringindo sua participação às competições organizadas pela FPF e pela CBF.
O impacto é mais significativo nas categorias sub-13 e sub-15, que passam a ter calendário reduzido. Em 2024, o Corinthians chegou a conquistar a Copa Votorantim sub-15, mas na edição seguinte 13 clubes desistiram da disputa exigindo a exclusão do Timão.
Com a penalização, regras antes pactuadas entre os membros do MCF deixam de valer, permitindo que outros clubes negociem livremente atletas da base corinthiana — cenário que, segundo o próprio Corinthians, já resultou na saída de jogadores para o Palmeiras.
O Movimento de Clubes Formadores reconhece a denúncia do rival como procedente, afirma ter seguido o regulamento ao aplicar a punição e diz aguardar um entendimento entre os clubes para encerrar o caso.
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