Zerozero
·15 de abril de 2026
Em Londres, a noite cai e o Emirates Stadium transforma-se numa pista de atletismo

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·15 de abril de 2026

20h45. Emirates Stadium, Londres.
Perante o facto de a conferência de antevisão de Rui Borges ao jogo com o Arsenal ter começado com 45 minutos de atraso em relação à hora prevista, despedimo-nos do recinto dos gunners bem mais tarde do que estávamos a contar.
Ainda sem termos jantado, acreditamos que este será o último serviço do dia, pelo que iniciamos o trajeto até à estação de metro mais próxima para nos dirigirmos para o hotel onde estamos hospedados.
Cinco blocos de oito degraus cada um depois, estamos mesmo nas imediações do recinto, sendo que podemos, inclusive, dar uma volta completa ao palco no qual o Sporting vai tentar a qualificação para as meias finais da Liga dos Campeões.
Sendo certo que seguimos ligeiramente distraídos por estarmos a observar a fachada do estádio, a verdade é que a passagem de um corredor com um pace digno de registo obriga-nos a prestar mais atenção ao trajeto que estamos a fazer.
Esta premissa entranha-se de tal forma em nós que passamos sim a prestar atenção a quem está a correr à volta do Emirates Stadium (sabemos que não é algo exclusivo deste recinto- é também algo comum, por exemplo, no Estádio do Dragão).
Um a seguir ao outro. E mais um a seguir. Homens e mulheres. Uns mais rápidos, outros mais lentos.
Segundo as nossas contas, há oito pessoas a correr 'em círculo' a esta hora.
Pois bem, o nosso objetivo passa então a ser conversar com algum destes atletas para entender o fenómeno. O problema? Todos estão nos respetivos treinos, pelo que parar não é um opção propriamente tentadora. Se o primeiro com quem tentamos falar nos responde com um pronto 'não', o segundo diz-nos que fala connosco à vontade, pedindo-nos apenas que aguardemos dez minutos para que percorra a distância que tinha estipulada para a sessão desta terça-feira.
O respirar ofegante e a t-shirt na zona do peito indicam que o treino de Andrew, como se apresenta, foi desgastante.
«Corro aqui muitas vezes. Estou a treinar para a maratona de Londres, que é daqui a duas semanas, e este é um dos meus sítios preferidos para treinar. É um local plano, calmo, bem iluminado agora à noite e é um excelente ponto da cidade para praticar exercício físico. Há mesmo muita gente que vem para cá correr, seja em que altura do ano for», começa por nos dizer o nosso interlocutor, que vai ainda mais a fundo na explicação:
«Eu moro a cinco/dez minutos a pé daqui, portanto costumo tanto à volta do estádio como em toda a restante zona envolvente- há vários parques bons para o fazer. Diria que, por norma, corro aqui uma/duas vezes por semana, sendo que, no total, corro cinco/seis vezes nesse período temporal.»
Revelando que começou a dedicar-me de forma mais efetiva à corrida a partir de 2021, altura em que deixou o futebol um pouco mais de lado após ser operado ao joelho, e que participou na Maratona de Lisboa em 2024, este atleta amador, de 29 anos, surpreende-nos quando o questionamos se é adepto do Arsenal.
«Nada disso, apoio o Manchester United porque sou natural de uma cidade não muito longe de Manchester. Correr à volta do estádio do rival? Não é algo que goste muito, ainda para mais estando eles a ter uma boa temporada [risos]. Falando mais a sério, gostando eu de futebol é engraçado ter a oportunidade de estar tão próximo de um estádio desta dimensão. O ambiente nos dias de jogo é incrível. Ainda assim, quero que o Arsenal perca amanhã, vou ser adepto do Sporting [risos]- até já vi um jogo em Alvalade», vinca Andrew.
Estando nós perante um apoiante de um clube que tem tido jogadores/treinadores portugueses, é impossível não levarmos a conversa com Andrew para este tema. E a verdade é que este adepto não poupa nos elogios ao capitão Bruno Fernandes.
«É um dos meus jogadores favoritos. É claramente o jogador mais importante da equipa, se ele saísse o clube ficaria totalmente diferente porque ele é insubstituível. Agora está a ficar mais velho e com certeza chegará a altura em que ele deixará o clube, mas quero que ele fique até quando for possível. Sinto que ele quer mesmo ganhar aqui e valorizo muito isso», considera Andrew, que aborda ainda a saída de Ruben Amorim.
«Eu gostava bastante do Ruben Amorim, mas o grande pecado dele foi a forma inflexível com lidava com a questão da tática- penso que não usava a tática certa para os jogadores que tinha à sua disposição. Um dos exemplos mais concreto é o Bruno Fernandes, que estava a jogar muito recuado no meio campo. A verdade é que o Carrick só mudou a tática e teve melhores resultados. Ainda assim, ele fez um excelente trabalho de bastidores que não é suficientemente valorizado, nomeadamente na questão de ter dispensado alguns jogadores que tinham mesmo de sair.»
O avançar da hora faz antecipa o fim da conversa, sendo que Andrew se despede de nós já em passo de corrida para regressar a casa. Nós, a um ritmo consideravelmente mais baixo, seguimos então para o metro.









































