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·26 de marzo de 2026
Massis perde a primeira como presidente, vê balanço ser reprovado e São Paulo vive nova crise política

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Harry Massis fez história. Se tornou o primeiro presidente da história do São Paulo a ter um balanço financeiro reprovado pelo Conselho Deliberativo.
O órgão rejeitou os números referentes a 2025 apresentados pelo mandatário com o encerramento da votação no fim da tarde desta quinta-feira (26).
Ao todo, 194 conselheiros votaram pela recusa, 34 a favor e quatro se abstiveram.
Verdade seja dita, é óbvio que o balanço se refere unicamente à gestão do antecessor de Massis, Julio Casares. E essa talvez tenha sido a pá de cal para a rejeição.
Iniciada na última quarta-feira (25), a votação do balanço de 2025 no São Paulo extrapolou a análise contábil e passou a ser tratada como uma decisão com possíveis efeitos institucionais e financeiros.
A gestão de Harry Massis Júnior atuou pela aprovação das contas da administração anterior, comandada por Julio Casares, que renunciou ao cargo após ser afastado em janeiro.
A articulação incluiu conversas intensas no Conselho Deliberativo, em meio a um ambiente politicamente tensionado.
À luz de novos fatos tornados públicos, como o sumiço de aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres do clube, supostamente destinados a Casares e que cujos gastos não foram justificados, a pressão aumentou para a rejeição do balanço, inclusive por parte de desafetos do atual mandatário, como o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu.
Segundo o portal ‘UOL‘, Olten bateu boca com Massis na última quarta e recomendou a aliados políticos que votem contra as contas, apesar delas terem sido fechadas por Casares, seu mais fiel escudeiro.
O cenário é preocupante para Massis, isso porque o otimismo da tarde de quarta não existe mais diante da mobilizaçãoque se cresceu para rejeitar as contas. Se confirmado o prognóstico, será a primeira vez na história que o Conselho tricolor reprova as contas apresentadas pelo presidente em exercício.
Do lado da situação, o principal argumento é de mercado: a rejeição poderia afetar a imagem institucional do clube, impactar seu rating de crédito e encarecer operações financeiras, como empréstimos para capital de giro ou captação de recursos.
Em um cenário já pressionado, qualquer sinal negativo poderia aumentar o custo do dinheiro e restringir ainda mais o acesso a crédito.
Questionado, o clube limitou-se a afirmar que “sempre procura as melhores opções do mercado para suas operações financeiras”.
A oposição, por sua vez, trabalha com leitura distinta. Parte dos conselheiros entende que a reprovação teria efeito prático limitado nesse campo, já que o clube enfrenta dificuldades históricas de financiamento e já opera com juros elevados.
Na avaliação desses interlocutores, os grandes bancos não têm o São Paulo como tomador prioritário por razões que vão além da aprovação formal de um balanço financeiro.
Além disso, a decisão do Conselho Deliberativo não certifica a correção dos números, até porque a grande maioria dos conselheiros não tem experiência para isso. Esse papel pertence ao Conselho Fiscal, que já deu sua avaliação: “Não obstante os relatórios apresentados não evidenciem irregularidades contábeis formais, subsistem preocupações relevantes quanto à execução orçamentária das despesas, que se verificou em desconformidade com os limites e parâmetros estabelecidos no orçamento aprovado.”
Nesse contexto, há quem veja, inclusive, potencial efeito positivo de uma rejeição nas circunstâncias atuais, como sinalização de um maior rigor interno. A leitura é de que o mercado poderia interpretar o movimento como indicativo de controle e cobrança, e não necessariamente como fragilidade adicional.
Também não há risco imediato de perda de benefícios fiscais, hipótese que só se configuraria em caso de reconhecimento formal de gestão temerária.
O São Paulo apresentou ao Conselho Deliberativo um balanço de 2025 que, à primeira vista, chama atenção pelos números absolutos: receita recorde de R$ 1,085 bilhão (alta de 47%) e retorno ao superávit, de R$ 56,9 milhões, após seu maior déficit da história, em 2024.
Há, de fato, melhora relevante em indicadores operacionais, como o EBITDA positivo de R$ 246,1 milhões, e a redução da dívida líquida para R$ 858,2 milhões, cerca de R$ 110 milhões a menos que no ano anterior.
Também há avanço na exploração do Morumbi, cuja receita cresceu 61,8%, sinalizando evolução na gestão do patrimônio.
Mas o retrato está longe de ser tão simples, e é justamente aí que se sustenta a resistência interna à aprovação das contas. O principal ponto de atenção está na composição dessa receita recorde. Do total de R$ 835,9 milhões gerados pelo futebol (77% do bolo), R$ 283,8 milhões vieram de negociações de atletas, quase o dobro do previsto inicialmente.
Trata-se, por definição, de uma receita não-recorrente e altamente volátil. Sem esse desempenho fora da curva no mercado, o resultado final não seria positivo, e o clube permaneceria no vermelho.
Do outro lado da equação, as despesas também cresceram de forma significativa. O total realizado em 2025 foi de R$ 902,8 milhões, um aumento de quase R$ 174 milhões, que corresponde a 23,8% a mais.
Embora esse percentual de crescimento seja menor que o da receita, o dado central é outro: o futebol profissional estourou o orçamento em R$ 156,6 milhões, puxados principalmente por folha salarial, encargos e amortizações de contratos. Ou seja, a principal área do clube seguiu operando acima dos limites estabelecidos, dependendo de receitas extraordinárias para fechar a conta.
A margem de contribuição total foi positiva e acima do previsto, o que ajuda a explicar o superávit, mas não elimina a preocupação estrutural. Há melhora operacional e sinais de avanço na gestão, especialmente fora das quatro linhas, mas o modelo ainda se mostra dependente de vendas de jogadores em patamar elevado para se sustentar.
Em resumo, o balanço combina progresso real com fragilidades importantes justamente nos principais números, tanto em termos de montante como de importância.
Os números permitem leitura otimista, mas também justificam cautela, especialmente quando o resultado final depende tanto de variáveis difíceis de repetir ano após ano, algo que o atual presidente Harry Massis Júnior já disse estar tentando mudar.
Apesar do resultado considerado satisfatório, a tendência é que o Conselho reprove os números. À luz de novos fatos tornados públicos, como o sumiço de aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres do clube, supostamente destinados a Casares e que cujos gastos não foram justificados, a pressão aumentou para a rejeição do balanço, inclusive por parte de desafetos do atual mandatário, como o presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu.
A decisão do Conselho Deliberativo não certifica a correção dos números, até porque a grande maioria dos conselheiros não tem experiência para isso. Esse papel pertence ao Conselho Fiscal, que já deu sua avaliação: “Não obstante os relatórios apresentados não evidenciem irregularidades contábeis formais, subsistem preocupações relevantes quanto à execução orçamentária das despesas, que se verificou em desconformidade com os limites e parâmetros estabelecidos no orçamento aprovado.”
Nesse contexto, há quem veja, inclusive, potencial efeito positivo de uma rejeição nas circunstâncias atuais, como sinalização de um maior rigor interno. A leitura é de que o mercado poderia interpretar o movimento como indicativo de controle e cobrança, e não necessariamente como fragilidade adicional.
Também não há risco imediato de perda de benefícios fiscais, hipótese que só se configuraria em caso de reconhecimento formal de gestão temerária.









































