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·15 de mayo de 2026
Mourinho tocou na ferida dos “milagres”, e os mal-dizentes sentiram

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Mourinho voltou a tocar naquilo que muita gente quer varrer para debaixo do tapete: o que aconteceu esta época para afastar o Benfica das decisões. E bastou voltar a falar no “milagre” que seria o Benfica conseguir chegar ao segundo lugar, para se perceber que as agendas ficaram nervosas. Mourinho disse que os adeptos percebem bem o significado dessa palavra, e percebe-se perfeitamente onde quis chegar.
As declarações mexeram com comentadores que vivem melhor do Benfica em crise do que de um Benfica defendido. Mexeram com pessoas como Diogo Luís, que parece achar que está tudo mal no Benfica, menos no tempo em que ele próprio não se conseguia destacar na equipa principal fruto da sua qualidade.
Aí, claro, a culpa já era do Benfica. Aí, o clube é que não soube apostar no talento que estava escondido. Curioso. Para alguns, quando falham, a culpa é sempre do contexto. Quando o Benfica é prejudicado, a culpa é sempre do Benfica.
É esta a coerência de bolso que anda por aí.
Basta recordar a época passada. O Benfica venceu a Taça da Liga, mas teve de ir a penáltis porque não lhe assinalaram uma grande penalidade durante o jogo. Depois veio o final do campeonato na Luz, que todos sabemos como foi. E antes disso, frente ao Arouca, apareceu o famoso penálti da rasteira com a cabeça de Otamendi, uma aberração arbitral que tirou o Benfica da luta pelo campeonato.
A Taça de Portugal foi o pisar da cabeça. Mais um episódio vergonhoso. Mais uma imagem que devia ter ficado na memória de todos os que dizem defender o Benfica. Mas não ficou. Para alguns, a memória só funciona quando dá jeito atacar Rui Costa, Mourinho, Otamendi ou qualquer outro alvo escolhido pela agenda do dia.
Esta temporada, então, nem é preciso ir muito longe. A memória está fresca. O jogo com o Braga e o jogo de Vila do Conde chegam para perceber perfeitamente de que “milagres” fala Mourinho. Chegam para perceber que o Benfica não andou apenas a lutar contra adversários. Lutou contra erros próprios, sim, mas também contra decisões, critérios, nomeações e lances que foram sempre caindo para o mesmo lado.
E depois aparece Diogo Luís e outros da mesma linha a dizer que Mourinho esteve mal por falar de árbitros. Curiosamente, são os mesmos que acham que Rui Borges esteve muito bem quando não quis falar de arbitragem, mesmo depois de ter dito a célebre frase de que “tiraram-nos da luta pelo tricampeonato”. Essa frase existiu, foi dita, e cada um percebeu muito bem o que ali estava implícito.
Portanto, Rui Borges pode insinuar que tiraram o Sporting da luta pelo campeonato e está tudo certo. É maturidade. É elegância. É comunicação inteligente. Mourinho fala do Benfica, das dificuldades, dos milagres e das decisões que condicionaram a época, e já é desculpa. Já é vitimização. Já é falta de autocrítica.
Tenham vergonha.
Este tipo de comentador não merece crédito nenhum nesta matéria. Está ali a fazer o seu papel de mal-dizente. O seu papel é dizer que o Benfica está sempre mal, que quem está no Benfica é sempre culpado, que quem defende o Benfica está sempre a arranjar desculpas e que quem ataca o Benfica é que é exigente.
Chamam a isto exigência. Não é. Muitas vezes é apenas ressentimento com microfone.
A diferença entre Mourinho e esta gente é simples. Mourinho está lá dentro. Vê o que se passa. Sente o ambiente. Conhece o peso dos jogos, dos lances e das decisões. Sabe que o Benfica falhou, mas também sabe que houve momentos em que não o deixaram chegar onde podia chegar.
Os outros estão confortavelmente sentados a fazer julgamento semanal. Segunda-feira são treinadores. Terça-feira são gestores. Quarta-feira são especialistas em comunicação. Quinta-feira são juristas. Sexta-feira são árbitros. Sábado e domingo esperam pelo erro para depois aparecerem com o discurso preparado.
E há outra coisa que convém dizer: Mourinho não está a inventar nada. Pode ser mais frontal, pode ser mais duro, pode incomodar mais, mas não está a inventar. Basta olhar para o que aconteceu ao Benfica nos últimos meses. Basta recordar os lances. Basta ver a repetição dos mesmos padrões. Basta ouvir o vídeo do João Gobern, infelizmente já desactualizado, para perceber que isto não começou ontem e que, se o Benfica continuar assim, a próxima época será igual.
É isso que Mourinho está a dizer. E é por isso que incomoda tanto.
Porque Mourinho está a avisar que o Benfica não pode entrar na próxima época com a mesma ingenuidade. Não pode continuar a acreditar que basta jogar melhor, aceitar nomeações provocatórias como se fossem normais. E não pode continuar a ser massacrado por dentro por gente que se diz benfiquista, enquanto por fora lhe vão fazendo a folha.
Mourinho tocou na ferida.
E os mal-dizentes sentiram.
En vivo







































