AVANTE MEU TRICOLOR
·16 de enero de 2026
O DIA D: Organizadas prometem 3 mil na porta do Morumbi em protesto pelo impeachment de Casares

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·16 de enero de 2026

O Morumbi foi palco na quinta-feira (15) de uma partida de futebol, a vitória por 1 a 0 do São Paulo sobe o São Bernardo, pelo Campeonato Paulista. Mas a grande movimentação na casa tricolor deverá se repetir na noite desta sexta-feira (16), com os protestos agendados para a porta do estádio com a votação para abertura ou não do processo de impeachment do presidente Julio Casares.
Fontes tanto da Independente quanto da Dragões da Real, as duas principais torcidas organizadas do clube, revelaram ao AVANTE MEU TRICOLOR que, juntas, devem colocar mais de 3 mil pessoas na frente do portão de acesso ao salão nobre, onde o pleito se iniciará às 18h30 (de Brasília).
As organizadas também confirmaram o aluguel de um carro de som, levarão bandeiras e suas baterias e prometem um show com fogos de artifício caso o impeachment de Casares seja consumado.
O número de manifestantes, contudo, poderá ser bem maior que só o total prometido pelas organizadas. Influenciadores e pessoas conhecidas pela militância contra o presidente são-paulino também se organizaram.
A pedido do próprio São Paulo, o Batalhão de Choque da Polícia Militar estará presente. Procurada, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e a assessoria de imprensa da corporação afirmaram que não poderiam revelar o total do efetivo por questões de planejamento interno. Mas a mudança da data da votação, que aconteceria na quarta-feira (14), foi uma orientação da própria PM, que deve ter o número habitual de homens para partidas de futebol de médio porte.
Diretores da Independente ouvidos pelo AVANTE MEU TRICOLOR revelaram que uma reunião foi feita com a PM. E foi reafirmado que a manifestação será pacífica.
No que depender do termômetro da torcida, Casares sentiu no duelo contra o São Bernardo que não tem mais apoio nenhum das arquibancadas. Ou melhor, poderia sentir, já que não esteve presente no Morumbi.
Isso não impediu que o nome do presidente do São Paulo ecoasse pelo estádio. Não de uma forma lisonjeira, claro: ele foi xingado antes, durante e depois do jogo, muitas vezes de maneira bem audível, tanto para quem estava presente como para quem apenas assistia pela televisão. Os xingamentos foram apenas uma das maneiras como os torcedores demonstraram sua desaprovação a Casares na véspera da votação que decidirá se ele será ou não afastado de seu cargo, em meio à crise institucional que tomou o clube de assalto ao longo dos últimos trinta dias.
Algumas pessoas levaram faixas no anel intermediário, onde se lia “Aprovem o impeachment” e “Fora, Casares”. Por volta dos 11 minutos do primeiro tempo, elas foram desfraldadas sobre o painel eletrônico que circunda o estádio naquela altura, e não demorou para que fossem retiradas, dando a ideia de que poderiam ter sido apreendidas. Entretanto, nos acréscimos da etapa final elas voltaram a ser vistas, desta vez sem cobrir a área publicitária.
Quem pensasse em censura podia até estar errado em relação a essa iniciativa, mas não em relação a outra. A advogada Amanda Nunes, da torcida Tricolor PCD, que também representou oposicionistas no pedido de liminar contra o formato da reunião de hoje do Conselho Deliberativo, contou que a Polícia Militar estava impedindo vários torcedores de entrar com adesivos onde se lia “Fora, Casares”. Isso, no entanto, não impediu que muitos desses adesivos fossem vistos dentro do estádio.
A medida lembrou a proibição de camisetas de protesto contra o mandatário durante as partidas que o Tricolor mandou na Vila Belmiro, entre novembro e dezembro passados, mas naquela ocasião apenas as estampas mais agressivas estavam sendo barradas. Quem só tinha um “Fora, Casares” não encontrava problemas. Nesta quinta, porém, parece ter sido diferente
O início da votação para abertura do processo de impeachment de Casares está marcado para as 18h30 (de Brasília) desta sexta.
A juíza Mônica Rodrigues Doas de Carvalho, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo recusou na manhã de quarta-feira (14) o recurso protocolado pelo São Paulo contra decisão favorável anterior que reestabelecia o quórum mínimo para votação do impeachment do presidente, além de estabelecer o modelo híbrido entre presencial e virtual para o pleito.
No entendimento da magistrada, não há motivos para a mudança no que foi determinado anteriormente.
“Inicialmente, embora tenda sido discutida a questão de quórum mínimo, verifico que a decisão acatada já admitiu que a reunião deverá observar para o seu início a presença mínima defendida pelo agravante. Saliento que não houve determinação sobre o quórum de deliberação, mas apenas sobre a presença mínima para abertura da reunião, pelo que descabe tratar do tema neste momento. No mais, coma devida vênia, não vislumbrei qual o dispositivo regulamentar que veda a participação por meio eletrônico dos conselheiros”, diz trecho da decisão.
Liminar emitida pela juíza Luciane Cristina Silva Tavares, da 3ª Vara Cível do Butantã, no início da semana, havia mudado a ‘regra’ para o impeachment, anulando a decisão do presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu, e voltando a regra de abrir o processo de destituição de Casares com apenas 171 votos favoráveis, além de permitir a realização da reunião extraordinária de maneira híbrida.
A ação na Justiça foi protocolada pela advogada Amanda Nunes e foi movida pelos conselheiros Caio Forjaz, Daniel Dinis Fonseca, Fabio Machado, José Medicis, José Carlos Ferreira Alves, Kalef João Francisco Neto, Marcelo Portugal Gouvêa, Miguel de Sousa e Waldo Jose Valim Braga.
A avaliação é de que diversos conselheiros com voto favorável à saída de Casares não poderiam estar presentes na reunião de sexta por estarem viajando, de férias.
A juíza responsável pela decisão também não vê conflito entre os artigos 58 e 112 do Estatuto Social do São Paulo. Ela diz que é preciso ter 75% de quórum (191 conselheiros) para que a reunião seja realizada, mas de apenas dois terços de votos a favor do impeachment para que Casares seja destituído da presidência.
“Observando-se ambos os dispositivos estatutários, percebe-se que o art. 58, §2º estabelece o quórum para votação, ou seja, a quantidade mínima de conselheiros presentes, ao passo que o art. 112 prevê o número de votos necessários para a destituição do Presidente. Assim, correto o segundo edital, que prevê o quórum mínimo de 75% dos membros do Conselho para a realização da Reunião que tem por objetivo a deliberação da destituição do Presidente da Diretoria”, escreve a juíza em seu despacho.
Na semana passada, Abreu tinha rejeitado o pedido protocolado pela oposição para que a votação fosse realizada de maneira híbrida. Ou seja, presencialmente e também virtualmente, sob a alegação de ampliar a participação integrantes do órgão e reduzir riscos relacionados ao ambiente externo e ao clamor popular.
No edital de convocação da reunião, Abreu alega que o formato presencial garante “a máxima irrefutabilidade do voto secreto, protegendo a autonomia do conselheiro votante.”
Além disso, justifica que diante da importância do assunto, a votação presencial “é essencial para a segurança jurídica e a inquestionável legitimidade da decisão final.”
Mas não foi a única medida tomada por Abreu, digamos, mais benevolente ao presidente. Mais cedo, ele deu parecer favorável a pedido feito pelo próprio Casares, de alteração do quórum necessário de votos para a abertura do impeachment.
Em despacho, o presidente do Conselho reconheceu a existência de uma controvérsia estatutária, já que diferentes itens do documento preveem percentuais distintos para a aprovação da destituição.
Mas, segundo ele, o entendimento é que, diante da gravidade das acusações que levaram à votação, prevalece a interpretação mais favorável ao acusado.
Com a mudança, o número mínimo de votos favoráveis ao impeachment havia subido de 171 para 191, ou seja, 75% do Conselho.
O primeiro passo para a abertura do processo de destituição acontece após pedido formal de conselheiros de oposição à atual gestão tricolor, que juntaram as 57 assinaturas necessárias para dar entrada à retirada do mandatário, conforme o Estatuto do clube, no fim de dezembro.
Com essa aprovação, o presidente já seria afastado do cargo, assumindo o posto o vice são-paulino, Harry Massis Júnior.
Mesmo assim, entretanto, para o processo de retirada ser consumido, Casares ainda passará por uma apreciação em assembleia-geral com todos os sócios adimplentes do clube social. A maioria simples do voto selaria a saída do dirigente.
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