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·3 de mayo de 2026
Reforma estatutária leva comitê de ética a abrir inquérito policial contra Olten

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A comissão de ética do Conselho Deliberativo do São Paulo encaminhou a abertura de inquérito policial para apurar a conduta do presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu Júnior.
A medida foi tomada na última quarta-feira (29/4), na mesma decisão que recomendou seu afastamento do cargo, em meio a acusações de gestão temerária relacionadas ao processo de reforma do estatuto do clube.
A iniciativa parte de representação apresentada pelo presidente da diretoria Harry Massis Júnior, que pede a expulsão de Olten do quadro associativo. Entre os pontos levantados, estão quebra de governança, violação da ordem estatutária e prejuízo ao funcionamento regular do Conselho. A acusação central sustenta que o dirigente teria impedido a tramitação adequada de uma proposta de alteração estatutária, ao não submetê-la à apreciação dos conselheiros.
Em dezembro de 2025, quando Júlio Casares, então sob processo de impeachment, apresentou um projeto com duas diretrizes principais: separar a gestão do futebol do clube social e abrir caminho para uma eventual transformação em SAF. O documento foi encaminhado à comissão legislativa por Olten, mas acabou rejeitado no início de abril — ele alega que por estar fora do prazo. Antes disso, porém, o presidente do Conselho havia instituído uma nova comissão de reforma estatutária para tratar do mesmo tema.
Na sequência, a comissão legislativa original foi destituída e substituída por outra formação, que passou a contar, entre outros nomes, com Ives Gandra Martins, integrante do Conselho Consultivo. Esse movimento passou a integrar o conjunto de questionamentos sobre a condução do processo.
Os desdobramentos trouxeram um elemento adicional considerado mais grave pela comissão de ética: indícios de má-fé envolvendo um suposto parecer do Conselho Consultivo. O documento anexado à proposta trazia uma carta assinada por José Eduardo Mesquita Pimenta e pelo próprio Gandra, indicando apoio às mudanças e mencionando uma reunião para deliberar sobre o tema. A apuração interna, no entanto, apontou que essa reunião não ocorreu. Em mensagem enviada a Olten em 24 de abril, os signatários afirmaram que houve só conversas isoladas, insuficientes para caracterizar uma posição formal do órgão. No mesmo dia, Gandra comunicou sua saída da comissão legislativa, por motivos de saúde.
Diante desses elementos, a comissão determinou que o pedido de investigação policial seja formalizado amanhã. A recomendação de afastamento de Olten será analisada em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo prevista para a próxima sexta-feira (8), em meio a um ambiente de forte disputa política no clube.
Na primeira entrevista desde que vieram a público as acusações que resultaram no pedido de seu afastamento, Olten Ayres de Abreu Júnior concentrou sua defesa na condução do processo de reforma estatutária do São Paulo. Em participação na Rádio Bandeirantes anteontem, o presidente do Conselho Deliberativo sustentou que agiu dentro das regras e que há um movimento organizado para impedir mudanças no clube.
O ponto central do conflito estaria na criação de uma comissão de reforma estatutária, formalizada em 30 de março. A partir daí, ele descreve uma sequência de eventos que, em sua visão, evidenciaria uma reação contrária às mudanças. A comissão legislativa, responsável por analisar propostas, emitiu um parecer apenas em 8 de abril — fora do prazo previsto. “O estatuto determina que teria que ter sido dado num prazo de trinta dias, e ele foi dado num prazo de 110 dias”, afirmou. Para Olten, o conteúdo do documento também chama a atenção: “É um parecer de 42 páginas para dizer que o São Paulo não poderia executar uma reforma.”
Com base nisso, ele justificou tanto a devolução do parecer quanto a destituição da comissão legislativa, posteriormente substituída por novos membros. “Eu posso nomear e destituir qualquer comissão dentro do clube”, disse, ao rebater as acusações de abuso de poder. Na leitura do cartola, o episódio não é isolado, mas parte de um movimento mais amplo para barrar a reforma: “Está na cara que isso está ligado à tentativa de se embotar a reforma estatutária.” Ele foi além ao interpretar o pedido de afastamento como instrumento dessa disputa: “A ideia é meu afastamento para que quem assuma destitua a comissão de reforma estatutária. É uma tentativa de golpe selado”.
A defesa apresentada por Olten se apoia, portanto, em dois pilares: o descumprimento de prazo por parte da comissão legislativa e a legitimidade de suas decisões como presidente do Conselho. Ele também afirma que ainda não houve proposta concreta de mudança, mas apenas a nomeação de um grupo que deverá apresentar sugestões.
O dirigente, no entanto, não abordou na entrevista a questão envolvendo o Conselho Consultivo, um dos pontos centrais das acusações recentes, nem foi questionado sobre o tema. Assim, até este momento sua manifestação pública está limitada à disputa em torno do rito da reforma estatutária e à interpretação política do processo.
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