Sérgio Conceição explica o que o levou a só agora quebrar o silêncio: “A minha saída do FC Porto não foi fácil” | OneFootball

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·8 de junio de 2026

Sérgio Conceição explica o que o levou a só agora quebrar o silêncio: “A minha saída do FC Porto não foi fácil”

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Há dois anos, Sérgio Conceição saiu do FC Porto e só agora decidiu falar abertamente sobre esse período marcante no Dragão. Na primeira parte da entrevista concedida à TVI, transmitida esta segunda-feira, o treinador explicou por que motivo escolheu, apenas agora, abordar esse capítulo importante da sua carreira.

Conceição revisitou também a infância e falou da dor de ter perdido o pai e a mãe ainda muito cedo. Abordou ainda as experiências mais recentes no Al-Ittihad e no AC Milan.


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Quebrar o silêncio após a saída do FC Porto: “Vários motivos, a minha saída do FC Porto não foi fácil, a todos os níveis. Ligação de 7 anos como treinador, o fim de um ciclo de alguém que marcou a minha carreira desportiva, o presidente Pinto da Costa. Era a altura que tinha de ser.”

Arábia: “Cheguei depois de um ano positivo do clube. Ganharam campeonato e a King Cup, mas sabia-se de alguns problemas na estrutura. Saio com uma experiência muito diferente. Eles não estão habituados a treinar durante o dia. Se tivéssemos mais do que um treino por dia já era difícil para eles respeitar os horários.”

Itália: “Os seis meses no Milan foram bastante interessantes.”O que diria ao falecido pai se tivesse cinco minutos com ele? “Abraçava e agradecia. Os sacrifícios dele foram muitos ao longo da nossa vida, tive a oportunidade de estar 16 anos com ele e recebi ensinamentos fantásticos. Mesmo nos silêncios dele, ele ensinava. Mesmo nos momentos em que era difícil alguma coisa depois de um dia de trabalho, ele ensinava. Sim, cheguei a trabalhar com ele nas férias da escola. Tenho 5 filhos, todos bem formados, o mais novo tem 11 anos, vai pelo mesmo caminho. Respeito, gratidão, humildade… valores intrínsecos, fazem parte de mim. Trajeto muito difícil. O meu queria que acabasse os estudos para trabalhar com ele. Apesar de me acompanhar nas camadas jovens da Académica, ele não me elogiava. Não me lembro de o meu pai dizer ‘gosto muito de ti’, mas mostrava de outras formas. Acho que estaria orgulhoso da minha carreira, a minha mãe também.”

Onde foi buscar força para continuar a acreditar na vitória: “Cheguei ao FC Porto, fiquei no lar de Costa Cabral com alguns jogadores africanos e de outros países e de outras cidades de Portugal. A minha mãe estava doente na altura, ia a Coimbra levar algum dinheiro para ajudar. Não foi fácil. Olhei para o futebol como algo que me dava satisfação enorme. Eles podiam olhar para mim e ver que tudo o que foi o sacrifício deles valeu a pena. Lutei sempre com isso em mente. Sim, choro. Penso neles, no meu irmão, nas pessoas que me ajudaram e estão vivas.”

Dinheiro: “Dinheiro tem importância, facilita a vida, ajuda a ter alguns dos prazeres da vida mundana, mas não é algo que valorizo muitíssimo. É importante, trabalhamos para isso, mas o prazer de ganhar títulos, de ter sucesso na vida. Houve cuidado na gestão do dinheiro, mas não é algo que dê prioridade. Se calhar por isso acontece de forma natural, estou tranquilo a esse nível agora. O que me mais preocupa é o próximo projeto, não o dinheiro.”

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