Zerozero
·5 juillet 2026
14 anos depois, há <i>Duelo Ibérico</i> a eliminar: «Em 2012 enfrentámos a melhor seleção do mundo...»

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·5 juillet 2026

Não há tempo a perder. Às 20h00 desta segunda-feira, Portugal e Espanha medem forças num dos encontros mais aguardados dos oitavos de final do Mundial 2026. Dois países vizinhos, que partilham muitas semelhanças, mas que pretendem prolongar a caminhada na competição e garantir um lugar nos quartos de final, agendados para o dia 10 de julho.
Os confrontos entre as duas seleções têm marcado várias gerações e um dos mais memoráveis remonta a 27 de junho de 2012, altura em que se encontraram pela última vez numa eliminatória de uma competição. Nessa ocasião, a equipa orientada por Vicente del Bosque levou a melhor no desempate por grandes penalidades (0-0, 4-2 g.p.) e garantiu presença na final do Europeu.
14 anos depois, o zerozero decidiu revisitar esse duelo através dos testemunhos de Paulo Bento e Nélson Oliveira. O antigo selecionador nacional e o avançado, lançado aos 81 minutos para tentar alterar o rumo da partida, recordaram esse encontro marcante.
Ao longo da conversa, ambos elogiaram a qualidade da seleção espanhola e analisaram os jogadores portugueses que estiveram em campo nessa noite que continua a ser recordada com alguma amargura devido ao desfecho verificado.
Antes de mergulharmos no presente, vale a pena viajar até à Polónia e Ucrânia, palcos de noites marcantes da história recente da Seleção Nacional. O Euro 2012 até começou com um desaire diante da Alemanha (1-0), mas a resposta portuguesa foi imediata e deu início a uma caminhada que alimentou o sonho de milhões de adeptos.
As vitórias frente à Dinamarca (3-2), aos Países Baixos (2-1) e à Chéquia (1-0) colocaram Portugal nas meias-finais da competição. Cristiano Ronaldo assumiu o protagonismo nessa fase decisiva, uma vez que assinou três golos em quatro encontros, numa altura em que estava a atravessar um dos melhores momentos da carreira.
Do lado espanhol, o percurso também não arrancou de forma imaculada, com um empate frente à Itália (1-1). Ainda assim, a equipa de Vicente del Bosque rapidamente voltou ao nível dominante a nível internacional, pois ultrapassou República da Irlanda (4-0), Croácia (0-1) e França (2-0). Tratava-se de uma geração histórica, recheada de talento em todas as posições.
A 27 de junho de 2012, um duelo bastante aguardado.
«Infelizmente, porque a vida também é feita desses momentos, o Mundial acabou por não correr como desejávamos. Já o Europeu ficou marcado de forma diferente. Os resultados apareceram e enfrentámos a melhor seleção da Europa e do mundo naquela altura», recordou Paulo Bento, em declarações ao nosso portal, no passado mês de fevereiro.
«Já passaram 14 anos e aconteceram muitas coisas desde então, mas continuo a olhar para esse jogo como um duelo muito bem disputado. Tivemos oportunidades para seguir em frente, eles também mostraram a qualidade que tinham. No fim, tudo ficou decidido nos penáltis e a balança caiu para o lado deles», recordou o antigo internacional português, em conversa com o zerozero.
«Naquela altura tinha características diferentes das que tenho atualmente. Era muito jovem, agora estou prestes a fazer 35 anos. Destacava-me pela velocidade, pela explosão e pela força. Sempre que era chamado, procurava causar impacto e mudar o rumo das partidas. Foi isso que aconteceu frente aos Países Baixos, por exemplo. Entrei para ajudar a equipa e felizmente consegui dar essa resposta.»
Como referido, o encontro foi extremamente equilibrado e repartido, com ocasiões de perigo para ambas as seleções. Durante os 120 minutos, Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida estiveram muito perto de colocar Portugal em vantagem, enquanto Sergio Ramos e Andrés Iniesta também desperdiçaram oportunidades claras para desfazer o nulo.
Seguiram-se as grandes penalidades.
Xabi Alonso foi o primeiro a assumir a responsabilidade, mas viu Rui Patrício defender o remate. A resposta portuguesa também não surgiu da melhor forma, já que Iker Casillas travou a tentativa de João Moutinho. A partir desse momento, a eficácia sorriu à formação espanhola: Iniesta, Piqué, Sergio Ramos e Cesc Fàbregas converteram os respetivos penáltis.
Pepe e Nani mantiveram Portugal na discussão, mas Bruno Alves acertou na trave e acabou por abrir caminho ao apuramento espanhol para a final do Euro 2012.
«Os jogos com Espanha foram, são e serão sempre muito especiais. Estamos a falar dos nossos rivais e dos nossos vizinhos. É natural que exista uma enorme competitividade e, naquela altura, isso voltou a verificar-se. O equilíbrio foi tão grande que tudo acabou por ser decidido nas grandes penalidades. Tivemos o azar de uma bola não entrar», recordou Nélson Oliveira.
«Pressão? Na altura não senti muita. Apesar de termos uma grande seleção, contávamos com um Cristiano Ronaldo no auge das suas capacidades. Não é que agora esteja num nível baixo, pois continua a ser muito importante, mas naquela altura atravessava o melhor momento da carreira. Além dele, também havia o Nani ou o Quaresma, portanto, o foco recaía sobre essas figuras. Eu era apenas um jovem que estava a começar a aparecer.»
«Faltou-nos aquela pequena dose de sorte que, por vezes, decide um desempate por penáltis. É um tema que já foi amplamente debatido e nada vai alterar o que aconteceu. Sempre que penso nesse Europeu, recordo sobretudo o percurso que construímos e não apenas a eliminação», disse o treinador, que está livre no mercado de transferências.
14 anos depois, o cenário é bem diferente. Da ficha de jogo desse Portugal-Espanha nas meias-finais do Euro 2012, apenas Pedro Rodríguez, Nélson Oliveira, João Moutinho e Cristiano Ronaldo continuam no ativo.
«A utilização do Ronaldo nem sequer é tema. É a bandeira da Seleção Nacional e é um enorme motivo de orgulho para todos os portugueses, ou pelo menos devia ser. Continua a ser um jogador útil para Portugal, isso é evidente. A gestão da utilização cabe ao selecionador e não me compete comentar esse assunto.»
«Para mim, merece toda a admiração e todo o respeito. Há muitos anos que leva o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, foi decisivo inúmeras vezes pela seleção e continua a ser uma peça muito importante. É alguém que merece reconhecimento por tudo aquilo que fez e continua a fazer», sublinhou, antes de deixar a sua previsão para o duelo desta segunda-feira.
«Espero um jogo muito equilibrado. A Espanha tem uma seleção fortíssima, com uma identidade muito própria. Portugal também possui jogadores de enorme qualidade e sinto que a equipa tem vindo a crescer. Frente à Croácia já vimos uma versão mais consistente, provavelmente no encontro mais exigente deste Mundial até agora. No papel ninguém é inferior a ninguém, mas isso vale pouco quando a bola começa a rolar. Estou otimista, acredito que vamos realizar uma grande exibição e seguir em frente», concluiu.
Não sabemos qual será o resultado, mas a última vez que Portugal e Espanha se encontraram numa eliminatória, o desfecho contou com as cores espanholas. Vários anos findados, quem conseguirá levar a melhor?







































