A <i>segunda vida</i> de Paulo Fonseca no Lyon: «Tem sido incrível, quase mágico mesmo» | OneFootball

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·20 février 2026

A <i>segunda vida</i> de Paulo Fonseca no Lyon: «Tem sido incrível, quase mágico mesmo»

Image de l'article :A <i>segunda vida</i> de Paulo Fonseca no Lyon: «Tem sido incrível, quase mágico mesmo»

A aventura de Paulo Fonseca no Lyon começou há pouco mais de um ano. O treinador português foi apresentado no emblema francês no dia 31 de janeiro de 2025, depois de ter sido despedido do Milan a meio da época 2024/25.

Esta segunda passagem pela Liga Francesa-já tinha orientado o Lille entre 2022 e 2024- não tem sido simples e pode mesmo ser descrita como uma faca de dois gumes: se fora das quatro linhas os problemas se multiplicaram e condicionaram o quotidiano do clube, dentro de campo os resultados e o rendimento da equipa foram dando sinais extremamente positivos.


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Apesar da possibilidade de descida de divisão (não concretizada) que esteve em cima da mesa no fim da época passada devido a problemas financeiros, o técnico de 52 anos conseguiu colocar o Lyon nos eixos e os adeptos rendidos ao seu trabalho.

Posto isto, o zerozero esteve à conversa com o jornalista Régis Dupont (L'Équipe), para perceber melhor este capítulo na carreira de Paulo Fonseca, que está a transformar-se num verdadeiro conto de fadas.

Na melhor fase da temporada

Recentemente, o Lyon chegou à 13.ª terceira vitória consecutiva, depois de derrotar o Nice por 2-0, no Groupama Stadium. Com este resultado, o técnico está muito perto de igualar o recorde de mais triunfos seguidos de um treinador luso nas cinco principais ligas europeias no século XXI, que pertence a José Mourinho no Real Madrid (15), na época 2011/12.

Um momento de forma excecional, apesar de Dupont focar-se mais nas exibições: «O trabalho do Paulo é absolutamente notável, mas é curioso ver que o Lyon já não joga tão bem como no início da época. Atualmente, a equipa já não apresenta aquele futebol vistoso e atrativo que mostrava nos primeiros meses. Os últimos jogos foram algo difíceis, mas há um aspeto muito importante: mesmo sem dominar as partidas, o Lyon sabe ganhar. Essa é talvez a grande novidade desta temporada», afirmou.

Perante este novo cenário, a consistência competitiva parece ter substituído o brilho inicial, revelando uma equipa mais pragmática, madura e preparada para vencer.

«No início da época, a evolução mais visível no trabalho de Paulo Fonseca foi a qualidade de jogo. O Lyon praticava bom futebol, mas faltava-lhe poder ofensivo. Precisava de ser claramente superior ao adversário para conseguir vencer», referiu o francês, indo mais longe:

«Já era, no entanto, uma equipa muito bem organizada e com uma defesa sólida, porque todos defendem, sejam avançados, médios ou defesas. Aliás, uma das grandes forças desta equipa foi ter sido uma das que mais jogos terminou na Europa sem sofrer golos.»

Nove meses para esquecer

A estreia oficial do técnico ocorreu na 20.ª jornada da temporada transata, quando le gones foram derrotados na visita ao terreno do Marseille por 3-2. O conjunto do luso até começou a vencer, mas permitiu a reviravolta, antes de um tento aos 85 minutos selar o desaire. Seguiram-se dois triunfos com oito golos marcados e uma nova derrota por 2-3, desta vez diante do PSG.

Ao quinto jogo, surge um dos momentos marcantes da carreira do treinador. No dia 2 de março, o Lyon recebeu e bateu o Brest por 2-1, graças ao bis de Alexandre Lacazette. Já para lá da hora de jogo, o árbitro Benoît Millot foi até à cabine do VAR para averiguar a anulação de um possível penálti para os visitantes. O técnico português protestou a falta assinalada e foi admoestado com um cartão amarelo, depois de utilizar a palavra «vergonha».

A contestação não ficou por aqui: após reverter a sua decisão inicial, o juiz acabou por expulsar o treinador por indicação do quarto árbitro. Com as emoções a falarem mais alto, Paulo Fonseca explodiu e encostou a cabeça ao responsável máximo pelo jogo; uma ação que foi vista pelo visado como uma «atitude particularmente intimidatória e agressiva».

O castigo interno aplicado pelo clube e os pedidos de desculpa públicos não foram suficientes para impedir uma suspensão exemplar: o Comité Disciplinar da Ligue de Football Professionnel (LFP) mostrou mão pesada e castigou o timoneiro por noves meses

Um dos casos mais mediáticos do futebol, que deu pano para mangas. Por um lado, a ministra francesa do desporto apoiou a decisão; por outro, John Textor, presidente do Lyon na altura, mostrou confiança no português, afirmando mesmo que este era o «homem certo». Na reação à sanção, o próprio considerou que foi «uma grande injustiça» e que quiseram fazer dele «um exemplo no futebol francês».

Refira-se ainda que a suspensão foi válida apenas para os encontros a contar para as competições francesas. O treinador tinha permissão para estar no banco de suplentes nas partidas para a Liga Europa e os jogadores aproveitaram para mostrar o seu apoio ao líder: durante a vitória por 1-3 sobre o FCSB, a contar para a primeira mão dos oitavos de final da prova, todos os pupilos foram festejar com o técnico, que não conteve a emoção:

Período de seca pode terminar?

Atualmente, o histórico emblema francês ocupa a terceira posição na Ligue 1, com 45 pontos - menos seis que PSG e sete que o líder Lens. Apesar disso, Dupont não se mostrou muito otimista com uma possível conquista do campeonato, que já foge desde 2008.

«Se o PSG perder pontos nos próximos meses, creio que a equipa mais bem posicionada para aproveitar será o Lens, que está focado apenas no campeonato e na Taça de França. O Lyon, por sua vez, está envolvido numa competição europeia, na Ligue 1 e na Taça de França», declarou ao nosso portal.

«É demasiado exigente para um plantel que, apesar de ter sido reforçado agora, pode não ter profundidade suficiente para chegar longe em todas as competições. Em determinado momento, terá de fazer escolhas entre o campeonato, a Europa e a Taça», acrescentou.

Por falar em provas europeias, a equipa francesa terminou a fase liga da Liga Europa no primeiro lugar, fruto de sete vitórias em oito jornadas. Conseguiu ainda ser o melhor ataque, a par do Midtjylland, e uma das melhores defesas. Num plano geral, Dupont tem palavras bastante elogiosas para o treinador português:

«O trabalho de Paulo Fonseca é incrível, quase mágico mesmo. Não podemos esquecer que, no início da época, o Lyon estava praticamente na segunda divisão, com grandes limitações financeiras e poucos recursos...»

Em sentido contrário, e numa entrevista recente ao Olympique Et Lyonnais, o treinador mostrou-se com fome de títulos: «É muito difícil, mas sinto que podemos ganhar algo. Acredito muito neste grupo de trabalho, na ambição, no modo de trabalho e como querem progredir. Creio que no final podemos ser uma surpresa.»

Gestão danosa de John Textor e a nova política de contratações

A gestão de John Textor acabou por ser mais um travão à evolução do emblema francês do que propriamente um elemento potenciador da mesma. Fruto de vários incumprimentos financeiros do clube, a Comissão de Controlo dos Clubes Profissionais (DNGC) informou, no dia 24 de junho de 2025, que o Lyon havia também sido despromovido à segunda divisão.

O dirigente americano apresentou a demissão pouco depois da sanção, isto numa altura em que o Lyon apresentava uma dívida de 174 milhões de euros. Foi aí que entrou em ação Michele Kang, norte-americana com origens na Coreia do Sul. A empresária assumiu o cargo de presidente e operou uma espécie de milagre: após uma audiência com o comité de recurso do órgão de controlo financeiro da Ligue 1, a DNCG foi sensível aos argumentos e à reestruturação realizada, aceitando o recurso e anulando a descida à Ligue 2.

Com isso, a equipa francesa comprometeu-se em reduzir a sua massa salarial e os custos gerais do clube. Chegou então o mercado de verão, onde saíram nomes de peso por valores altos. Rayan Cherki rumou ao Manchester City por 36,5 milhões de euros; Georges Mikautadze reforçou o Villarreal a troco de 31 milhões de euros; Lucas Perri mudou-se para o Leeds por 16 milhões de euros; Lacazette e Nemanja Matic aliviaram a folha salarial.

A política de contratações transformou-se radicalmente, com os alvos a não poderem ultrapassar um certo limite financeiro. Assim, o scouting do histórico francês virou as atenções para jovens talentos de ligas mais periféricas ou com pouco espaço nos grandes clubes europeus: Afonso Moreira (ex-Sporting), Ruben Kluivert (ex-Casa Pia), Pavel Sulc, Tyler Morton e Endrick foram alguns dos reforços, com este último a chegar só em janeiro.

«Antes da chegada de Endrick e da recente afirmação do Afonso, o Lyon não tinha muitas soluções ofensivas. Tolisso estava a ser o principal jogador ofensivo e Sulc o melhor marcador. Hoje, a equipa tem mais argumentos no ataque e há também a expectativa do regresso de Malick Fofana, um jogador de nível mundial», considerou Régis Dupont, deixando elogios também à defesa:

«Se há uma grande evolução no trabalho de Paulo Fonseca em comparação com o que fez no Lille, talvez seja precisamente a solidez defensiva. E isso com jogadores que, à partida, não são estrelas. Ruben Kluivert, por exemplo, é uma revelação dos últimos três meses. Teve um início difícil, mas antes da lesão estava a jogar a um nível muito elevado e tinha sido possivelmente o melhor defesa da equipa nas últimas semanas.»

Até onde pode ir o Lyon de Paulo Fonseca?

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