Portal dos Dragões
·10 juin 2026
Fernando Sá e a grande vitória na Luz frente ao Benfica: “A única coisa que garantimos é que vamos ter dois jogos em casa”

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Fernando Sá deixou a Luz com a final dos playoffs da Liga Portuguesa de Basquetebol novamente empatada e com a sensação de que o FC Porto arrancou ao Benfica bem mais do que um simples triunfo fora de portas. Após a vitória no prolongamento, o treinador portista salientou a resposta coletiva da equipa, enalteceu a importância de Cornelius Hudson e apontou desde já para o que se segue no Dragão Arena. No final, sintetizou tudo numa frase de prudência e desafio: “A única coisa que garantimos é que vamos ter dois jogos em casa”.
No contexto de uma final disputada à melhor de cinco, com uma vitória para cada lado e depois de uma derrota pesada no clássico de abertura, Fernando Sá manteve-se fiel a uma ideia que tem marcado este momento do FC Porto no basquetebol: mais do que o resultado isolado, importa a forma como a equipa se mantém firme. A mensagem foi clara, tanto na análise do jogo como na leitura dos sinais de compromisso dentro do plantel.
Ao fazer o balanço da partida, o treinador começou por aquilo que se alterou em campo, mas depressa levou o discurso para um plano mais profundo: a capacidade de resistência e de entrega de um grupo que respondeu num cenário exigente.
“Em termos de jogo, a melhoria das nossas percentagens de lançamento fez que com que conseguíssemos competir o jogo todo. Esta vitória não quer dizer rigorosamente nada, mas mais uma vez, esta equipa deu uma resposta quando ninguém esperava”, afirmou. “Ninguém pensava que teríamos hipóteses de estar a discutir diria eu até as meias-finais, quanto mais ganhar um jogo aqui na Luz na final. Estamos na presença de um senhor Tanner Omlid, que veio de uma infeção respiratória e perdeu cinco quilos em cinco dias, mas está sempre disposto a ajudar a equipa em todos os momentos. Estamos na presença de um Jhonathan Dunn que tem um estiramento e sente dificuldades, mas tem mostrado disponibilidade para ajudar nem que seja a defender. Estamos na presença de um Miguel Queiroz, que depois de tantas lesões, tem a prestação e a atitude que tem. Estamos na presença de um Gonçalo Delgado, que depois de um longo período de paragem, está aqui disponível para ajudar a equipa. E todos os outros que durante a época sempre foram dando passos em frente para não deixarem a equipa cair. Isso, enquanto treinador, deixa-me muito satisfeito. Hoje ainda mais, sobretudo depois de uma derrota pesada que podia deixar marcas. Demos a resposta que demos e isso deixa-me muito satisfeito.”
Mais do que festejar o 1-1 na série, Fernando Sá expôs a componente emocional da vitória. O foco não esteve apenas na eficácia de lançamento, mas sobretudo na disponibilidade de jogadores limitados fisicamente e na forma como a equipa recusou quebrar depois do primeiro jogo.
Questionado sobre a exibição de Cornelius Hudson, o treinador reconheceu o peso ofensivo de uma noite decisiva, sem a desligar do trabalho coletivo que a sustentou.
“É claro que, olhando para a parte ofensiva, o Cornelius Hudson tem um talento extraordinário. Todas as situações criadas durante o jogo foram no sentido de procurar aquelas opções que nos estavam a dar mais sucesso”, explicou. “Tivemos várias situações em que ele assumiu o jogo, mas os outros também se sacrificaram para que as coisas lhe corressem bem. Não olhei para as percentagens dele, olhei para as da equipa, mas evidentemente que o Cornelius Hudson fez um jogo fenomenal. Um jogador que marca 41 pontos tem de ter tido uma eficácia muito boa, mesmo com vários lançamentos difíceis. Ele teve uma postura muito competitiva e de vencedor, acreditou até ao fim e puxou a equipa com ele.”
A leitura é reveladora do tom de Fernando Sá: elogio inequívoco ao talento individual, mas sempre enquadrado numa lógica de equipa. Hudson surgiu como a figura da noite, ainda que nunca desligado do sacrifício dos que lhe abriram espaço e sustentaram a avalanche ofensiva.
O treinador deteve-se ainda num nome que, para além da rotação e do rendimento, representa uma ligação mais profunda ao clube: Miguel Queiroz.
“Creio que todos nós treinadores, no geral, sentimos as derrotas. Quando estamos num Clube com o qual temos uma ligação além da profissional, ainda nos custa mais”, reconheceu. “O Miguel Queiroz tem uma paixão muito grande pelo FC Porto, um sentido de responsabilidade muito grande, um profissionalismo intocável e inabalável. Está sempre disposto a dar um passo em frente, seja em que papel for. Seja no banco, em campo, com os treinadores, com os colegas ou com outras pessoas. É uma coisa rara hoje em dia, mas o Miguel Queiroz é uma pessoa muito atenta aos outros.”
Ao falar de Miguel Queiroz, Fernando Sá foi além do jogador e traçou o perfil de um líder de balneário. Num contexto de final, essa dimensão humana surge no discurso do treinador como parte da competitividade, quase como um cimento invisível para suportar os momentos de maior pressão.
Com a série empatada, a conversa virou-se depois para o que se segue: dois jogos no Dragão Arena e um adversário que, na ótica do técnico portista, continua a exigir máxima lucidez.
“A única coisa que garantimos é que vamos ter dois jogos em casa. O que vai sair dali, não sabemos”, sublinhou. “Primeiro vamos descansar, depois pensar, executar, perceber o caminho que as coisas estão a levar e tomar as decisões certas. Se não estivermos em superação, as coisas vão ser sempre difíceis. Estamos a jogar contra um adversário que é tetracampeão, que mostrou ser a melhor equipa durante a época e sabemos que estão habituados a estes momentos. Uma equipa com a experiência e o talento que tem sabe arranjar soluções e controlar as emoções. Temos de conseguir controlar as emoções e mantermo-nos empenhados nos dois jogos que vamos ter em casa.”
Sem triunfalismos, Fernando Sá fechou a noite com uma combinação de aviso e método. A vitória na Luz recolocou o FC Porto na final, mas o treinador fez questão de recentrar tudo no essencial: descanso, leitura, execução e cabeça fria perante um Benfica experiente e habituado a este tipo de palco.







































