Jorge Amaral e o que gostava de ver de Farioli no 2.º ano no FC Porto: “Ter um plano B é importante” | OneFootball

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·6 juillet 2026

Jorge Amaral e o que gostava de ver de Farioli no 2.º ano no FC Porto: “Ter um plano B é importante”

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Um ano depois da chegada de Francesco Farioli ao FC Porto, Jorge Amaral olha para a próxima época como um teste à capacidade de repetir e refinar. O antigo guarda-redes vê no bicampeonato a grande força motriz, avisa que a Liga dos Campeões exigirá outra gestão e aponta uma necessidade clara de evolução tática: mais soluções, mais nuances, mais imprevisibilidade. No essencial, a ideia fica resumida numa frase que atravessa toda a reflexão: “Ter um plano B é importante”.

No momento em que se assinala o primeiro ano de Farioli no comando do FC Porto, a análise de Jorge Amaral parte de uma certeza e segue para uma exigência. O treinador italiano, campeão em 2025/26, convenceu pela forma como agarrou a identidade competitiva do clube; agora, a fasquia sobe, não apenas pelo que já foi conquistado, mas pelo que terá de ser confirmado.


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Questionado sobre a motivação de uma equipa que já não parte do orgulho ferido da época anterior, Amaral foi direto ao ponto e recusou a ideia de vazio competitivo. Para o antigo guarda-redes, a continuidade do sucesso é, por si só, um desafio suficientemente forte.

“Na época passada, Farioli conseguiu captar o orgulho e o ADN de Porto, de antes quebrar do que torcer. Este ano, acho que não pode haver motivação maior do que dar continuidade a esse trabalho, do que conquistar o bicampeonato.”, apontou. “Depois a afirmação da equipa, individual e coletivamente. No fundo será confirmar tudo aquilo que se fez, provar que o que se fez foi bem feito, valeu a pena e teve continuidade.”

Há, nesta leitura, uma ideia de validação permanente. Ganhar uma vez pode ser consagração; repetir, no entendimento de Amaral, será a prova definitiva de que o caminho seguido por Farioli tem consistência e não apenas impacto imediato.

Quando o tema mudou para a gestão entre campeonato e Liga dos Campeões, o discurso tornou-se mais cauteloso. Amaral reconheceu desde logo que o enquadramento competitivo agora é outro e que isso obriga a uma afinação mais fina dos recursos.

“Não acredito que na Liga dos Campeões essa gestão possa ser feita da mesma forma.”, afirmou. “No ano passado a meta principal era o campeonato, mas agora o FC Porto já foi campeão e está na Liga dos Campeões, uma prova com um nível de dificuldade e de visibilidade muito superior, pelo que queremos ver a melhor versão da equipa. Para isso será preciso de um grupo mais homogéneo e aí sim, mesmo sem fazer uma gestão tão radical como no ano passado, pode mudar algumas peças aqui e ali para manter a equipa fresca e forte em todas as frentes.”

O sublinhado vai para a profundidade e para o equilíbrio do grupo. Sem defender uma rutura com o modelo de rotação anterior, Amaral deixa claro que o novo patamar competitivo pedirá outro tipo de elasticidade, menos extrema e mais cirúrgica.

Foi, ainda assim, no plano tático que a reflexão ganhou maior densidade. Perante uma equipa muito fiel ao modelo e já estudada pelos adversários, Amaral apontou a conveniência de acrescentar alternativas sem desfazer a estrutura que funcionou.

“Ter um plano B é importante. Esta equipa andou sempre a ganhar, poucas vezes teve necessidade de recorrer ao plano B porque o A funcionou muito bem.”, explicou. “Farioli foi muito racional, tem um sistema muito trabalhado, todos os jogadores sabiam o que fazer em campo e as substituições eram sempre peça por peça, nunca era para mudar o modelo. Mas acho importante que isso aconteça.”

O antigo guarda-redes sublinhou ainda que essa mudança não terá necessariamente de ser uma revolução.

“O André Silva, por exemplo é um 9 diferente dos que havia, e isso pode ajudar a criar nuances diferentes pelo menos no ataque. Ainda assim, parece-me que o plano B do FC Porto vai ser sempre um plano A ligeiramente diferente.”

A formulação é reveladora: Amaral não pede que Farioli se afaste da sua matriz, mas que a torne mais larga. Ou seja, não uma segunda vida para a equipa, mas versões distintas da mesma identidade, suficientes para a manter competitiva quando o contexto apertar.

No fecho da análise, a conversa desceu ao terreno concreto da construção do plantel. E aí Amaral desenhou um mapa de carências e prioridades, entre perfis em falta e alternativas que considera urgentes.

“Diria que faz falta um ponta-de-lançա mais móvel, diferente de André Silva e Samu, com mais capacidade técnica, para jogar um contra um, para tabelar e que possa jogar nas costas de outro ponta-de-lançա. Depois um lateral-esquerdo, por mais que goste de Zaidu, acho que é urgente arranjar outra solução.”, descreveu. “No meio-campo, poderia chegar alguém para o lugar do Alan Varela e sobretudo um jogador que possa dar descanso ao Froholdt, como o Fofana fez desde janeiro. Os extremos estão bem, apesar de que é importante que o Borja faça melhor do que fez na época passada para ser uma boa alternativa ao Pietuszewski. É uma equipa equilibrada e com qualidade, mas os bons jogadores são sempre bem-vindos.”

Mais do que uma crítica estrutural, o retrato é o de um plantel que, aos olhos de Amaral, precisa de afinações para responder ao salto de exigência. A base está lá; o que falta, sugere, são peças que permitam a Farioli manter a identidade sem ficar refém dela.

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