Calciopédia
·20 mars 2026
Na prorrogação, o Bologna venceu a batalha no Olímpico e tirou a Roma da Europa League

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·20 mars 2026

A imprevisibilidade no futebol é, na maioria dos casos, o que nos conecta emocionalmente com o esporte e, por mais que um 4 a 3 resolvido apenas na prorrogação remeta à resolução passional, foi a lógica – claro, banhada de sentimento – que consagrou o Bologna nestas oitavas de final de Europa League contra a Roma, em pleno estádio Olímpico. O empate por 1 a 1 na ida preservou os gols para os últimos 120 minutos do histórico duelo italiano na competição continental. E, claro, as maiores emoções, que contrariaram o favoritismo dos mandantes e resultaram na celebração rossoblù.
Desde o primeiro minuto da volta das oitavas, o confronto esteve aberto. Em um raro momento de superioridade, a estratégia de Vincenzo Italiano em explorar os contra-ataques funcionou muito bem e os rossoblù chegaram a abrir 3 a 1 no placar. Porém, incendiada por seus torcedores, a Loba buscou o empate com Pellegrini, que havia começado no banco de reservas e foi a campo para incendiar a partida com seu coração giallorosso. No segundo tempo dos suplementares, foi Cambiaghi o herói na capital, responsável por colocar os campeões da Coppa Italia nas quartas.
Na escalação inicial do Bologna, em comparação ao time que foi a campo na semana passada, apenas Ravaglia entrou no lugar de Skorupski, por lesão, e Zortea no de Miranda, suspenso pelo cartão recebido na ida. Já na Roma, um time assolado por problemas físicos e com muitas mudanças: Svilar foi mantido na meta, Mancini, Ndicka e Hermoso atuaram na zaga. Çelik, Koné, Pisilli e Wesley estiveram mais à frente, enquanto Cristante atuava atrás da dupla El Shaarawy e Malen.
O ímpeto inicial naturalmente seria da Roma, e os mandantes controlaram o jogo até a metade do primeiro tempo, sem muitas oportunidades claras. Logo cedo, aos 20 minutos, Koné sentiu uma lesão e saiu para a entrada de Pellegrini. O Bologna recuperou a posse e, apenas poucos segundos depois da substituição, Castro fez a movimentação arrastando a zaga rival, recebeu uma bola pelo alto vinda da defesa e tocou para Rowe que, livre de marcação, dominou e finalizou de fora da área para marcar um lindo gol e abrir o placar, na primeira chegada dos petroniani.
Com bomba de fora da área, Rowe abriu o placar no Olímpico (Getty)
A Roma respondeu com Pellegrini em cobrança de falta, mas, assim como na ida, a trave esteve ao lado rossoblù; no rebote, Freuler afastou para escanteio. Se a primeira não entrou, na sequência o camisa 7 giallorosso cobrou o tiro de canto na cabeça de Ndicka para igualar o marcador. A igualdade, porém, não durou até o intervalo. Aos 44 minutos, Zortea invadiu a área e foi derrubado por El Shaarawy. O árbitro István Kovács não hesitou e marcou o pênalti. Na cobrança, Bernardeschi, artilheiro da equipe na competição, recolocou o time da Emília-Romanha em vantagem.
Na volta do intervalo, o cenário se repetiu: a Roma, agora mais incisiva, controlava mais a posse e criava oportunidades, sobretudo com Malen, porém sem precisão. Não demorou muito e, aos 57 minutos, em um chutão da defesa do Bologna, Rowe venceu o duelo físico contra Ndicka; a bola sobrou para Castro que, de primeira, marcou um golaço, sem qualquer chance para Svilar. Com 3 a 1 no placar e já se vendo com um pé na próxima fase, o time de Italiano recuou. A Loba cresceu e, aos 67, foi a vez de Freuler cometer pênalti em Vaz, que havia entrado no lugar de El Shaarawy. Malen converteu e recolocou o time da capital na disputa.
Italiano decidiu renovar sua equipe, que apresentava sinais claros de desgaste: saíram Castro, Vitík e Rowe para as entradas de Dallinga, Casale e Cambiaghi, respectivamente. Pouco depois, Orsolini substituiu Bernardeschi. Antes das trocas, Pellegrini havia cobrado outra boa falta e exigido defesa de Ravaglia. Se na ida o capitão romanista buscou o empate no fim, na volta o cenário flertava com o bis.
Pellegrini mudou o jogo para os mandantes e, novamente, foi destaque (Arquivo/AS Roma)
E essa repetição de roteiro se concretizou. Aos 80 minutos, Vaz serviu o camisa 7 na entrada da área, livre de marcação, e a finalização colocada de canhota, no canto direito de Ravaglia, foi letal. Destaque da Roma na eliminatória, Pellegrini mostrou que os que o criticaram, na temporada passada, pesaram a mão – seu amor pela Loba falava mais alto. Com 4 a 4 no agregado e as duas equipes exaustas, a definição viria apenas na prorrogação.
A primeira oportunidade do tempo extra, após o espetáculo da torcida presente no Olímpico, veio dos pés de Çelik para a Roma, mas Ravaglia fez a defesa sem dificuldades. As oportunidades se reduziram depois e já nos minutos finais, aos 111, Dallinga recebeu uma bola pelo alto, tabelou com Cambiaghi e serviu o próprio camisa 28 dentro da área. Formado na Atalanta, mas jamais aproveitado por Gian Piero Gasperini, Nicolò fustigou o antigo técnico com um chute rasteiro com a perna esquerda: antes de entrar, a bola ainda tocou caprichosamente na trave.
Dois jogadores que saíram do banco deram a classificação para o Bologna – muitos e merecidos méritos a Italiano, apesar de o time ter caído de rendimento logo após as trocas. Tirando um pedido de pênalti em Vaz no último lance, que chegou a ser revisado, mas não foi assinalado, os giallorossi pouco produziram.
Com uma assistência e um gol, Castro foi um dos grandes nomes da classificação épica do Bologna (Getty)
Desta maneira terminou o confronto histórico entre Roma e Bologna pelas oitavas de final da Europa League – uma pena que tenha ocorrido tão cedo na competição. Em um momento de instabilidade, em meio a tantas lesões, Gasperini não conseguiu retomar o futebol apresentado no início da temporada, que por algum tempo colocou sua equipe na briga pelo topo da Serie A. Agora, sem chance de título em 2025-26, o foco será um lugar no G4. Um objetivo que também se complicou devido à derrota no confronto direto para o Como, que empurrou a Loba para a sexta posição.
Do outro lado, como citado anteriormente, não foi a sorte ou o acaso que levaram o time de Italiano às quartas: existe todo um processo por trás da ascensão do clube nas últimas temporadas, com direito a vaga em Champions League, título de Coppa Italia e, agora, uma ótima campanha europeia. Vale lembrar que, por detalhe, os rossoblù não terminaram entre os oito primeiros nesta edição da Liga Europa, ficando logo atrás da própria Roma.
O Bologna está a um passo de repetir sua melhor campanha europeia – excluindo o título da extinta e introdutória Copa Intertoto em 1998, que lhe permitiu disputar a Copa Uefa de 1998-99 e alcançar as semifinais. O adversário dos rossoblù agora será o Aston Villa de Unai Emery, técnico com mais títulos na competição, num outra eliminatória que promete ser eletrizante. O jogo de ida será no Renato Dall’Ara, em 9 de abril. Antes disso, o Bologna enfrentará o outro time da capital, a Lazio, em confronto direto pela Serie A. Já a Roma receberá o Lecce antes do duelo contra a líder Inter.
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