Jogada10
·18 Mei 2026
Barboza: uma despedida dura e emocionante no Estádio Nilton Santos

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Em dezembro, o cronista foi à loja oficial do Botafogo para se mimar com um presentinho de Natal e aumentar a coleção. A ideia era colocar o nome de um dos campeões de 2024 na nova camisa da final da Copa Libertadores. Por uma questão técnica, entretanto, não havia como estampar dois algarismos no mesmo uniforme. Ou seja, ficaria limitado do “1” ao “9”. O escrivão escolheu, então, o “7”. Antes de pedir “Luiz Henrique”, no entanto, reconsiderou a decisão.
“E se amanhã esse cara jogar pelo Flamengo?”, pensou.
Melhor ficar somente com o número místico e seguir adiante, pois os jogadores vão e vêm, conforme versa a linda canção que embala as arquibancadas. Os alvinegros de hoje podem ser os alviverdes, tricolores ou rubro-negros de amanhã.
No dia seguinte, as suspeitas se confirmaram. Capitão em 2024/2025 e símbolo do time alvinegro, Marlon Freitas não pensou duas vezes e trocou o Botafogo pelo Palmeiras. Um choque. O volante liderou o Mais Tradicional até aquele sábado, 30 de novembro, batizando o Monumental de Núñez de Terra Santa. Com forte oratória no vestiário, o camisa 17 impulsionou também o elenco a grandes façanhas, com a retomada da liderança do Brasileiro na reta final, um título continental com dez em campo desde os 30 segundos de jogo e um triunfo histórico sobre o Paris Saint-Germain, o temido campeão europeu.
Luiz Henrique, Almada, John e Igor Jesus estão na Europa e, por ora, não arriscam arranhar a idolatria. Freitas é persona non grata no botafoguismo por conta de frases infelizes. Savarino terminou empurrado para o Fluminense e conservou o carinho dos escolhidos. E chegou, enfim, o dia de Barboza, um dos estandartes de um Botafogo multicampeão e nome que guarda a maior recordação afetiva para o reles contador de histórias.
Em maio de 2025, antes do Mundial de Clubes dos Estados Unidos, o cronista, muito convicto, comprou a camisa alvinegra com o patch da Libertadores e estampou “20 Barboza” nas costas. O zagueiro foi o único jogador do Botafogo que dedicou aquele título à imprensa que acompanha o clube – geralmente, os jornalistas são os grandes vilões. Guardado com muito orgulho, o item reluz na coleção de uniformes, pois foi uma forma de retribuir a enorme cordialidade do zagueiro de Villa Celina.
Um ano depois, estava lá o cronista, no último jogo de Barboza no Colosso do Subúrbio, repetindo, em um fraternal aperto de mãos, as mesmas palavras de Núñez, quando o zagueiro já havia falado com todo mundo e estava a um passo de deixar a zona mista do estádio do River Plate, palco da final contra o Mineiro.

Identificado com o Botafogo, Barboza leva a família para vê-lo – Foto: Leonardo Pereira/Jogada10
“Obrigado por tanto”, pontuou o escriba.
A belíssima vitória do Botafogo sobre o Corinthians por 3 a 1, neste domingo (17), no Engenho de Dentro, pelo Campeonato Brasileiro, não pode ficar em segundo plano. Barboza, porém, apareceu com toda a família para uma espécie de “entrevista final”, em um dos momentos mais emocionantes deste intrincado 2026. A SAF opera com a lógica empresarial. O futebol, contudo, envolve memórias. Impossível ignorar este aspecto. O cronista já deixou o Estádio Nilton Santos eufórico, em paz, angustiado, feliz, chateado… Mas, com os olhos marejados, foi a primeira vez.
A saída de Barboza para o Palmeiras é um golpe duríssimo no botafoguismo e uma despedida difícil por conta do contexto que envolve um clube que precisa vender um dos seus ativos para honrar os compromissos. A despedida simboliza tempos nebulosos e escancara o curso errado da gestão de John Textor, principalmente a partir de janeiro de 2025. Ao menos, ao contrário do ex-capitão, o zagueiro tem feito tudo para sair pela porta da frente.
Langsung







































