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São Paulo

·12 Juni 2026

O dia em que o São Paulo jogou contra os EUA

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Estimativas apontam que os torcedores são-paulinos são entre 18 e 20 milhões de pessoas em todo o Brasil. Um público maior que populações de muitos países. Não é estranho pensar, então, que o Tricolor tenha muita história contra seleções nacionais. Aqui, o Arquivo Histórico relembra uma partida contra os Estados Unidos, uma das equipes anfitriãs da Copa do Mundo de 2026.

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Cena do jogo do São Paulo contra os Estados Unidos na Chácara da Floresta. Na imagem, intervenção do goleiro Nestor


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A PROIBIÇÃO

Essa partida quase não foi realizada. Em verdade, foram dois jogos contratados pelo Tricolor: Um entre o São Paulo e a Seleção dos Estados Unidos, no dia 10 de agosto de 1930, e o outro entre os visitantes e a Seleção Paulista, no dia 13. Os encontros foram combinados e acertados antes mesmo da realização do Mundial. Mas pouco depois da equipe tricolor publicar a pretensão, a Confederação Brasileira de Desportos – CBD informou à Associação Paulista de Esportes Atléticos – APEA e ao São Paulo que essas duas partidas estavam proibidas de acontecer.

Tudo por causa do imbróglio que impediu também que os jogadores paulistas disputassem a Copa do Mundo daquele ano. A APEA, por discordâncias políticas e rixas com a federação carioca, impediu os jogadores a ela filiados de participar daquela competição. Em resposta a isso, a FIFA, através da CBD, suspendeu a federação paulista de qualquer programação ou participação em partidas envolvendo entidades alheias à própria APEA. A situação afetaria também os convidados: Caso jogasse, a Seleção dos Estados Unidos poderia ser multada ou expulsa do quadro da FIFA.

Os norte-americanos, que chegaram à cidade de Santos no navio “Cap Arcona Norte” diretamente do Uruguai, convidaram os dirigentes são-paulinos Cunha Bueno e Luiz de Barros àquela cidade para que se fosse resolvido esse impasse, contornando-se a proibição da FIFA/CBD.

A conclusão de tal reunião foi a seguinte: A seleção norte-americana arcaria com qualquer punição que a FIFA lhe impusesse: multa ou desfiliação (os jornais chegaram a publicar que os estrangeiros não davam grande valor à federação internacional). Vale dizer também que os cariocas também tinham contratos com eles e ameaçavam rompê-los, caso jogassem aqui.

Tudo acertado (de novo), o São Paulo pôs à venda ingressos nos valores de 15$000 para numeradas, 6$000 para arquibancadas e 3$000 para as gerais da Chácara da Floresta. Na preliminar, o segundo quadro do Tricolor empatou com o time equivalente da Portuguesa por um gol.

O ADVERSÁRIO

A Seleção dos Estados Unidos foi a maior surpresa da primeira Copa do Mundo. Na primeira fase do torneio venceu a Bélgica (considerada a mais forte seleção europeia lá presente), por 3 a 0, e o Paraguai (vice-campeão sul-americano em 1929), pelo mesmo placar. Nas semifinais, contudo, caíram frente aos argentinos por 6 a 1.

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A Seleção dos Estados Unidos no Brasil em 1930

A equipe yankee era formada, basicamente, por jogadores britânicos naturalizados (Alexander Wood, James Gallagher, Andrew Auld, James Brown, Bart McGhee, escoceses, e George Moorhouse, inglês). Mas os pratas-da-casa não faziam feio. O goleiro, James Douglas, era um veterano com duas Olimpíadas nas costas e Bert Patenaude foi o terceiro maior goleador da Copa do Mundo, com 4 gols.

Um fato que deve ter pesado contra a Seleção, além do desgaste da viagem de navio, foi a decisão de jogarem com o Santos (filiado a APEA, mas também a ASEA, associação santista), um dia antes, no dia 9. Empataram em 3 a 3.

O INUSITADO

Minutos antes de começar o jogo, o São Paulo foi informado que o uniforme dos Estados Unidos era da mesma cor que o do mandante. Por cortesia, o São Paulo trocou de vestimenta, o que provocou certo atraso para o começo da partida.

Foi assim que o São Paulo entrou no gramado com a camisa da Associação Athlética das Palmeiras (um dos times que deu origem ao clube, poucos meses antes). A camisa da AA das Palmeiras era negra, com um emblema e sigla do clube ao lado esquerdo do peito e as mangas e gola eram brancas.

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Hugo-bandeirinha; Luizinho; Siriri; Nestor; Romeu; Friedenreich; Abate; Bino; Ribeiro-massagista; Barthô; Clodô; Milton; Armandinho

Uma outra versão (não verificada por documentos) para o motivo do Tricolor jogar com outra camisa envolveria o receio do São Paulo ser punido pela CBD. Para escapar a qualquer sanção, os diretores do Tricolor teriam apostado em uma ideia ousada: o São Paulo jogaria com as camisas da finada progenitora pois, considerada extinta, não se encontrava ela federada à APEA, estando, dessa forma, livre para jogar com os norte-americanos.

Ao menos essa seria, em caso de problemas (que nunca aconteceram, de fato), a suposta justificativa.

O JOGO

Às 16h10 começou a partida apitada por Attílio Grimaldi. Logo aos 30 segundos, após cruzamento de Romeu e cabeceio de Friedenreich, Armandinho ajeitou e tocou a bola para o fundo do gol. 1 a 0.

Os norte-americanos partiram para o ataque, provocando defesas de Nestor e falhas na defesa são-paulina. Em uma delas, aos 6 minutos, após levantamento de Patenaude, ainda do meio-campo, Barthô trombou com o goleiro e o atacante adversário. A bola rolou mansa para dentro da meta tricolor. 1 a 1.

Não tardou e o Tricolor desempatou mais uma vez a partida. Novamente Romeu começou a jogada: desarmou o oponente e, driblando Gallagher e Wood, cruzou para Friedenreich escorar, de cabeça, para as redes do goleiro Douglas. São Paulo 2 a 1.

A disputa tornou o jogo um tanto quanto violento. Os zagueiros das duas equipes apresentaram contusões, mas se recusaram deixar o campo. Aos 17 minutos, Luizinho arrancou pela ponta direita e tocou para o centroavante Friedenreich marcar, com um forte chute, o terceiro do time da casa. 3 a 1.

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Aos 21 minutos de jogo, Bino tocou para Luizinho e esse passou para Siriri que encontrou Friedenreich desmarcado, mas a 20 metros de distância do gol. Sem perder tempo, Fried arrematou para o gol. Douglas ainda tentou defender, espalmando, mas a bola balançou as redes. 4 a 1.

Wood, contundido, enfim aceitou a substituição e Vaughn entrou no jogo. A seguir, em escanteio do lado esquerdo do goleiro e cobrado por Florie, Brown pulou sozinho e cabeceou livre, diminuindo o placar. Agora, 4 a 2 para o Tricolor. A bola só voltou a estufar as redes novamente no segundo tempo. Aos 15 minutos da etapa final, Siriri e Luizinho tabelaram pela direita e o primeiro cruzou para área, onde Romeu ajeitou, por um momento quase perdendo o controle da bola, e chutou alto no gol adversário. Era o quinto gol do São Paulo no jogo.

Três minutos depois, Brown lançou Patenaude em profundidade pela esquerda. O norte-americano cortou para dentro e arrematou para o fundo do gol de Nestor. O tento foi largamente aplaudido pela torcida presente à Chácara da Floresta.

Fim de jogo. Final da primeira partida internacional da história do São Paulo, e como não poderia deixar de ser, em grande estilo e ótima vitória. A Seleção dos Estados Unidos, depois, cancelou a partida contra a Seleção Paulista sem mesmo avisar o contratante, pressionada pela FIFA e CBD, e partiu para o Rio de Janeiro.

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10.08.1930

Amistoso InternacionalSão Paulo (SP) Estádio São Paulo Futebol Clube – Chácara da FlorestaSÃO PAULO Futebol Clube (SP) 5 X 3 Seleção dos ESTADOS UNIDOS

Árbitro: Attílio Grimaldi

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