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·20 Januari 2026

O primeiro a representar Sporting e PSG: «Ser campeão é sempre bom, mas daquela forma...»

Gambar artikel:O primeiro a representar Sporting e PSG: «Ser campeão é sempre bom, mas daquela forma...»

Bicampeão nacional e tetracampeão francês encontram-se, esta terça-feira pelas 20h, numa competição que ainda é tão aptamente apelidada de Liga dos Campeões. Evidentemente não são da mesma dimensão, já que falamos também do campeão europeu em título, mas há coisas que unem estes dois clubes. Ou, melhor ainda, há pessoas que unem Sporting e PSG.

A primeira que vem à cabeça é Nuno Mendes, lateral que esta terça-feira regressa a Alvalade, quatro anos e meio depois da saída - recorde as origens do lateral nesta reportagem. Pablo Sarabia, envolvido nessa troca, foi um emprestado que apaixonou adeptos e também Manuel Ugarte juntou os dois emblemas na mesa de negociações nestes últimos anos.


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De resto, Gabriel Heinze, anónimo em Lisboa, destacou-se em Paris alguns anos antes de Jesé Rodríguez e Carlos Bueno serem atacantes cujas cedências, embora memoráveis por diversos motivos, não deixaram saudade no coração verde e branco.

Mas antes de todos estes nomes houve Edmílson Pimenta. Foi esse o primeiro futebolista a unir os dois clubes, tendo trocado o PSG pelo Sporting, diretamente, no mercado de inverno de 1998! Vários anos depois, o brasileiro esteve nas instalações do zerozero e recordou essas aventuras.

Em Paris, sem língua e nem paciência

O legado deste antigo atacante, em Portugal, vai para lá do Sporting. Afinal, foi duas vezes campeão nacional nos dois anos que passou ao serviço do FC Porto e fê-lo com importância nas equipas de António Oliveira e Bobby Robson, registando 30 golos e 13 assistências nesses dois anos.

Em boa forma e ainda jovem, o brasileiro atraiu a atenção de outros clubes. Esteve perto do Deportivo e chegou a viajar até à Corunha, mas Paris falou mais alto, na voz do treinador do vice-campeão francês (Ricardo Gomes) e Edmílson rumou ao PSG para ser colega de campeões do mundo como Leonardo ou Raí.

«Eu fui para substituir o Leonardo. Cheguei a jogar uns jogos com ele, mas depois ele foi para o Milan. Ele até partilhava o quarto com o Raí e depois fui eu fazer isso», começou por dizer ao zerozero, numa recente participação no podcast DESTINO: SAUDADE

«O Raí em França é um rei. Onde tu ias com ele... E até hoje é assim! Às vezes estava no quarto com ele, queria dormir, e ele estava a estudar para tirar um curso lá em França. Depois quando ele queria dormir, eu dormia também, por respeito. Foi bom ter convivido com ele», recordou.

Certo é que esse compatriota não foi companhia suficiente e a adaptação à vida em França provou-se difícil para um atleta que ainda só conhecia Brasil e Portugal. O idioma foi um desafio que ficou por superar e que contribuiu muito para que a passagem pelo PSG não fosse além da meia temporada de duração.

«Senti um pouco a língua... Podia ter persistido, mas não foi muito fácil. Os jogadores deixavam um pouco de parte quem não falava, até o Raí me dizia que precisou de um ano e meio para se adaptar. Senti isso e optei por sair», diz, recordando um episódio em particular que ilustra os motivos da despedida prematura.

«O Ricardo Gomes começou a colocar-me no banco. Colocou-me para jogar na equipa B, num lugar que não gostei, com um frio do caraças e um campo com buracos. Depois disso, falei com ele e disse-lhe que não queria mais fazer isso, que ia arranjar um clube novo e ia embora.»

Passado quase três décadas, não tem problemas em admitir que «não era muito paciente». «Foi um erro da minha parte. Eu devia ter persistido, ficado esse ano, e as coisas ia acabar por correr bem e eu iria aprender a língua», disse, antes de avançar a narrativa até ao regresso a Portugal.

«Os adeptos do Sporting são grandes, foi um presente bonito»

Edmílson Pimenta admite que houve outras opções além de Alvalade. Estava no Brasil a negociar com o Flamengo, mas também tinha o Bordeaux à perna e o próprio FC Porto tentava o regresso, mas a escolha foi outra.

«Não achei o FC Porto má ideia, mas o Sporting tinha o Carlos Manuel, que conhecia do Salgueiros, e o adjunto Manuel Pedrosa, de quem eu era muito amigo, então optei pelo Sporting. Vi a história do clube, de 18 anos sem ser campeão e pensei "vou para lá". Foi uma boa opção», recorda.

De leão ao peito repetiu as façanhas conquistadas a norte: Liga e Supertaça. Uma delas bem mais relevante, claro, pois foi o tão ambicionado regresso do Sporting ao trono de campeão nacional.

Ao lado de nomes como Peter Schmeichel, Beto Acosta André Cruz e Beto - «os nossos pilares nesse título em 1999/00», diz o próprio -, som o comando de Augusto Inácio mas também de Materazzi, italiano de quem Edmílson admite ter saudades, o leão desbravou terreno até uma conquista muito aguardada. Tudo bastante semelhante ao que o clube viveu mais recentemente, diga-se.

«O clube estava muito desorganizado a nível interno, mas começou a organizar-se e as coisas correram bem», disse-nos, em 2025. «O Sporting é uma equipa grande que tem de estar na luta, não pode estar 18 anos sem ganhar um título. Lembro-me até hoje da viagem até Alvalade depois de sermos campeões, foi uma loucura.»

«Ser campeão é bom em todo o lado, mas é bastante memorável ser campeão daquela forma. Os adeptos do Sporting são grandes, foi um presente bonito para eles. Eu gostei muito de estar no Sporting», rematou.

A conversa com Edmílson foi muito além de PSG e Sporting. Mesmo dentro desta PARTE II da conversa com o antigo extremo, falou-se ao detalhe sobre antigos colegas, sobre quase ter virado agente de Ronaldinho Gaúcho e sobre ter entrado no futebol só nos juniores, depois de ter feito formação «nas ruas» e chegado a trabalhar como contabilista. Vale a pena descortinar esse vídeo completo, disponível abaixo, ou até a PARTE I da mesma conversa, na qual FC Porto foi tema principal.

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