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·2 Juli 2026

Varandas e a curiosa defesa do indefensável na arbitragem

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Antes de mais, que seja o próprio leitor a ler o que disse Frederico Varandas, para não virem depois dizer que somos nós os maus da fita. “A perceção do Sporting, em relação aos presidentes do CA que conheci, Fontelas Gomes e Luciano Gonçalves, é que são pessoas íntegras que não se deixam influenciar, por isso isto seria grande surpresa para mim”, afirmou o presidente leonino.

E foi mais longe. “O que penso é que a denúncia de Duarte Gomes é de uma gravidade enorme. Ele é uma pessoa responsável, ao fazer isto Duarte Gomes tem de ter provas, tem de provar o sucedido. O Sporting ficou muito surpreendido nestas 24 horas, tentámos ter informações. É público que se trata de um jogo do E. Amadora, onde o árbitro Hélder Malheiro tinha sido informado por uma pessoa que porventura foi assistente de Duarte Gomes durante anos, o Pedro Garcia, sendo que este trabalha em vários clubes como consultor de arbitragem. O Sporting não quer consultores de arbitragem na sua estrutura, queremos uma arbitragem completamente livre, mas não deixa de ser curioso que a informação que temos é que um ex-assistente do Duarte Gomes informou Hélder Malheiro que ia fazer o jogo do E. Amadora.”


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Fica claro, então, o alvo do dedo apontado. Não os visados na denúncia, mas quem denunciou. Enquanto o Benfica pediu uma reunião de emergência para se colocar na linha da frente do caso e exigir a demissão imediata de Luciano Gonçalves do Conselho de Arbitragem, por entender que não tem condições para desempenhar o cargo, o Sporting, na pessoa do seu presidente, achou por bem pegar na cartilha que anda por aí a circular.

E que cartilha é essa? A que defende tanto Luciano Gonçalves como Fontelas Gomes, precisamente as pessoas com passado ligado a Alvalade. Só faltou mesmo falar de Rui Caeiro para o quadro ficar completo.

É deveras interessante ver que o Sporting é o único clube a sair em defesa destas duas pessoas. E a pergunta que fica é simples: porque será? Porque será que usaram o argumento de que Pedro Garcia foi assistente de Duarte Gomes, de que Malheiro e Garcia são amigos, dando a entender que a denúncia não passa de uma manobra para afastar quem, segundo essa narrativa, nunca deveria estar à frente da arbitragem?

Respondam, se tiverem coragem. Que motivos levam o clube a colocar-se ao lado dos incompetentes? Será para ter mais jogos com dedos na cara que dão penálti? Basta ir recordar o que o presidente do Sporting já disse sobre João Pinheiro e depois contar quantas vezes o árbitro foi nomeado para os jogos leoninos.

A verdade é que a defesa da integridade só é conveniente quando serve os interesses de quem a invoca. E quando um clube passa de crítico feroz da arbitragem a advogado de defesa dos seus dirigentes, a coincidência deixa de ser coincidência. O caso ainda vai dar muito que falar na Liga Portugal, mas há posições que se explicam sozinhas.

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