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·27 gennaio 2026

Em duelo apertado, a Juventus superou o Monaco nas quartas da Champions League 2014-15

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Em abril de 2015, a Juventus viveu um dos capítulos mais dramáticos de sua bela trajetória na Champions League daquele ano. Num confronto fechado, a Velha Senhora garantiu vaga nas semifinais da edição 2014-15 da competição ao eliminar o Monaco com vitória por 1 a 0 em Turim e empate sem gols no estádio Louis II. O duelo, válido pelas quartas de final, foi decidido por detalhes: um polêmico pênalti convertido por Arturo Vidal no jogo de ida e uma atuação defensiva rigorosa na volta, suficiente para conter a equipe francesa e confirmar a classificação bianconera com placar agregado de 1 a 0. Ao avançar pela margem mínima, a equipe de Massimiliano Allegri demonstrou que a gigante podia competir no mais alto nível europeu sem precisar negar sua identidade, tampouco se apoiar no discurso de insuficiência técnica ou financeira que marcara o fim da gestão de Antonio Conte.

A temporada 2014-15 da Juve trazia consigo a vontade de desmentir uma narrativa que Conte tentou cristalizar na reta final de sua passagem como técnico da equipe. Ao justificar as eliminações continentais, o comandante afirmara que “não se pode ir a um restaurante de 100 euros com apenas 10 no bolso”, sintetizando a ideia de que a Juventus, sem reforços de elite, estaria condenada a limites claros na Champions League. Para ele, elenco era dominante no cenário doméstico, mas tinha qualidade insuficiente para sonhar mais alto fora da Itália. Allegri assumiu sem reforços de peso, sob desconfiança aberta da torcida e da imprensa, mas provaria que o antecessor estava errado: conduziu um grupo muito similar, com reforços pontuais, a um patamar que parecia interditado nos anos anteriores.


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Uma das primeiras mudanças estruturais implementadas por Allegri foi o abandono do 3-5-2 que definira a Juventus de Conte. Max estabeleceu o 4-3-1-2 como base, reforçando o controle do meio-campo e oferecendo maior liberdade para adaptações conforme o adversário. A meta seguia sendo a manutenção da supremacia na Serie A, mas o horizonte era mais amplo: tornar a Vecchia Signora relevante na Champions League significava, em última instância, desmontar o argumento do antecessor e reescrever o lugar do clube no futebol europeu.

O percurso continental começou em um Grupo A traiçoeiro. A Juventus terminou na segunda posição, com os mesmos 10 pontos do Atlético de Madrid, beneficiada por um empate em jogo de compadres entre italianos e espanhóis na última rodada – o que eliminou o Olympiacos, surpresa de uma chave que ainda incluía o modesto Malmö. Classificada, a equipe italiana encontrou o Borussia Dortmund nas oitavas de final. O confronto, à primeira vista equilibrado, acabou resolvido com autoridade: 5 a 1 no agregado, incluindo um contundente 3 a 0 no Signal Iduna Park, resultado que reposicionou a Juve entre os candidatos reais ao título do torneio.

Nas quartas de final, o adversário seria o Monaco, em encontro que remetia à edição 1997-98 da Champions League, quando Alessandro Del Piero protagonizara um duelo histórico, com quatro gols em uma classificação por 6 a 4 no agregado. Em 2014-15, no entanto, o contexto dos jogos de número três e quatro entre as equipes era outro. O time do principado vivia uma reconstrução sob comando de Leonardo Jardim, após o vice-campeonato francês de 2013-14 com Claudio Ranieri. Com um elenco jovem, disciplinado e veloz, que contava com o italiano Andrea Raggi e os brasileiros Fabinho e Matheus Carvalho, os monegascos haviam liderado o equilibrado Grupo C, com 11 pontos, ficando à frente de Bayer Leverkusen (10), Zenit (7) e Benfica (5). Depois, nas oitavas, surpreenderam o Arsenal com triunfo por 3 a 1 no Emirates Stadium e, mesmo com a derrota em casa por 2 a 0, avançaram à fase seguinte devido ao gol qualificado.

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Em seu primeiro ano de trabalho em Turim, Allegri mostrou contra o Monaco a face do allegrismo (AFP/Getty)

Aquela eliminatória sintetizaria bem o momento vivido pela Juventus naquela temporada. Sob o comando de Allegri, a equipe italiana avançava na Liga dos Campeões não pelo brilho contínuo, mas pela capacidade de controlar contextos, reduzir riscos e explorar com precisão as poucas brechas oferecidas, com exceção do baile sobre o Dortmund. Contra o Monaco, que também se destacava pelo equilíbrio defensivo, pelas transições rápidas e pela disciplina tática, essa lógica foi levada ao limite – e funcionou.

O primeiro jogo, disputado no Juventus Stadium, confirmou essa leitura desde os minutos iniciais. O Monaco mostrou-se compacto e reativo, enquanto a Juventus buscou assumir o controle territorial – diferentemente daquela que atropelara o Borussia Dortmund, ao invés de apostar no contra-ataque, a equipe foi mais paciente, manteve a posse e ditou o ritmo do confronto. Carlos Tevez, que vinha de três gols no duelo com os alemães, parecia disposto a manter o protagonismo.

Logo no começo, Carlitos teve duas boas chances: na primeira, Aymen Abdennour bloqueou; na sequência, Danijel Subasic saiu bem do gol para abafar a finalização do argentino na entrada da área. Além disso, Álvaro Morata quase marcou após lançamento de Andrea Pirlo e Layvin Kurzawa respondeu acertando o travessão. O Monaco criou a melhor chance da primeira etapa quando Anthony Martial superou Leonardo Bonucci e Stephan Lichtsteiner na corrida e acionou Yannick Ferreira Carrasco, que arriscou de perto em um chute traiçoeiro, obrigando Gianluigi Buffon a intervir.

O primeiro tempo foi marcado por um equilíbrio tenso. A Juventus rondava a área, mas encontrava dificuldade para romper a última linha francesa. Tevez quase completou um cruzamento de Claudio Marchisio aos 26 minutos, mas foi novamente parado por Subasic. Pouco antes do intervalo, Roberto Pereyra encontrou Patrice Evra na área, só que o lateral francês isolou. Já nos acréscimos, Vidal finalizou para fora após passe inteligente de Tevez, encerrando uma etapa em que os italianos haviam sido mais presentes, ainda que sem contundência.

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Morata foi calçado fora da área, mas a arbitragem marcou pênalti e Vidal deu a vantagem à Juve (AFP/Getty)

Se o ataque juventino não alcançou o mesmo brilho exibido na Alemanha, a defesa foi exemplar. Lichtsteiner, Bonucci, Giorgio Chiellini e Evra – além de Andrea Barzagli, que entraria no segundo tempo – neutralizaram a velocidade de Martial, Ferreira Carrasco e Nabil Dirar com posicionamento, disciplina e leitura de jogo. Ciente de que podia aproveitar, o Monaco voltou do intervalo tentando adiantar suas linhas. Bernardo Silva, que substituiu Dirar, apareceu na área ao fim de uma transição rápida e obrigou Buffon a efetuar uma defesa segura com o pé esquerdo.

O jogo parecia caminhar para um desgaste progressivo da Juventus quando, aos 57 minutos, surgiu o lance decisivo da eliminatória, em outro lançamento de Pirlo para Morata. Derrubado por Ricardo Carvalho, o espanhol ganhou um pênalti que gerou controvérsia, já que o contato ocorreu fora da área. Vidal converteu com precisão, batendo forte e no canto, sem chance para Subasic.

O gol não alterou o roteiro da partida, mas reforçou o plano juventino. Pouco depois, Geoffrey Kondogbia tentou surpreender Buffon com um chute de longe, defendido com tranquilidade pelo goleiro. Percebendo qualquer possibilidade de reação monegasca, Allegri sacou Pirlo e reforçou a defesa com Barzagli, sinalizando que a vantagem mínima seria protegida sem concessões. O Monaco ainda tentou pressionar, mas sua capacidade ofensiva foi progressivamente neutralizada e a Juventus conseguiu administrar a vantagem até o fim, permitindo apenas uma cabeçada de Dimitar Berbatov como ameaça real.

A vitória simples deixou a equipe italiana em posição confortável, ainda que o desempenho tivesse sido mais funcional do que vistoso. Após a partida, Allegri foi direto ao explicar sua visão de jogo: se alguém quisesse se divertir, que fosse ao circo. Não se tratava de espetáculo, mas de eficiência. Vencer, naquele estágio da competição, era o objetivo central – e os números sustentavam o método do treinador, que ainda estava gestando o famoso “allegrismo”.

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Em partida de sacrifício, a Juventus se limitou a conter o Monaco (Getty)

Na semana seguinte, a volta, no estádio Louis II, escancarou de vez a opção estratégica da Juventus. Em jogos eliminatórios, não sofrer gols costuma significar metade do caminho percorrido, e a equipe italiana entrou em campo disposta a levar essa máxima às últimas consequências. Com a vantagem construída em Turim, fruto de pênalti discutível, os bianconeri desaceleraram o ritmo, fragmentaram o jogo e aceitaram longos períodos sem a bola, confiantes na própria estrutura defensiva. Consciente de que a vantagem mínima exigia concentração absoluta, o time foi ao principado extremamente focado.

Allegri surpreendeu ao escalar uma linha de três zagueiros, que não era frequentemente utilizada naquela temporada, mas recorrente no ciclo anterior. Sem Paul Pogba, lesionado, a Juventus alinhou Barzagli, Bonucci e Chiellini atrás; Pirlo, Marchisio e Vidal no meio; Lichtsteiner e Evra como alas; Morata e Tevez à frente. A formação era robusta no papel, embora o futebol apresentado fosse deliberadamente pragmático.

O Monaco tomou a iniciativa desde o início. Tentou acelerar o jogo, buscou chutes de média distância e tentou surpreender Buffon sempre que possível. Foram 12 finalizações ao longo da partida, mas apenas uma na direção do gol. O volume existiu, o perigo real não. A Juventus, por sua vez, ensaiou alguns contra-ataques, quase sempre mal resolvidos. Tevez segurou demais a bola em uma jogada promissora no primeiro tempo; Morata, em outra, demorou a soltar o passe e perdeu a chance de encaixar a transição.

Com o passar dos minutos, o jogo ganhou contornos de ansiedade para os franceses e de absoluto controle emocional para os italianos. Faltava criatividade ao Monaco, e sobrava disciplina à Juventus. A equipe da casa insistia, mas esbarrava em uma defesa posicionada, que bloqueava cruzamentos, fechava linhas de passe e aceitava correr poucos riscos. O empate sem gols se desenhava como um resultado protocolar – não por ausência de intenção dos mandantes, mas pela diferença de maturidade competitiva entre os times.

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Feio é sofrer gol: Chiellini fez de tudo para impedir que o Monaco vazasse a Juventus, inclusive mergulhar para meter a mão na bola (AFP/Getty)

Houve momentos em que o castigo pareceu possível. Chiellini não teve vergonha de apelar, interceptou um ataque com a mão e recebeu apenas cartão amarelo. Em outra jogada, um cruzamento atravessou toda a pequena área e Evra afastou no instante em que Abdennour se preparava para finalizar. A Juve também contou com a sorte quando Barzagli quase marcou contra após cruzamento de Bernardo Silva. Ainda assim, o cenário não se alterou. Buffon fez defesas pontuais, sem ser excessivamente exigido. A Juventus caminhava com o regulamento debaixo do braço, consciente de que o relógio era seu principal aliado.

O 0 a 0 final selou uma classificação sem apelo estético, mas absolutamente coerente com o que a eliminatória pediu. Contra o Monaco, a Juventus venceu sem dominar amplamente, avançou sem empolgar e confirmou que sabia jogar o tipo de partida que a Champions League frequentemente impõe em suas fases decisivas. O confronto foi bem menos espetacular do que o anterior contra o Dortmund, mas talvez mais revelador.

A vaga nas semifinais recolocou a Juventus entre os quatro melhores da Europa após 12 anos, algo que o futebol italiano não alcançava desde a campanha da Inter, em 2009-10 – terminada em tríplice coroa. Para Buffon, aos 37, era o reencontro tardio com um estágio da competição que parecia ter ficado para trás em sua carreira. Para Allegri, significava ir além da meta inicial estabelecida pelo clube e consolidar um trabalho que desmontava, na prática, a ideia de insuficiência estrutural.

O sorteio ainda reservaria um obstáculo maior: o Real Madrid de Carlo Ancelotti, então campeão europeu. A Juventus, contudo, levaria adiante o mesmo espírito que a classificara contra o Monaco: organização, paciência e leitura de contexto, além de muita garra. Em dois jogos intensos, venceu por 3 a 2 no agregado e voltou a uma final europeia após 12 anos – desde a decisão com o Milan, em 2003.

Na decisão, diante do Barcelona, os bianconeri buscavam o tricampeonato continental e uma histórica tríplice coroa. Encontraram, porém, um trio ofensivo em estado absoluto de maturidade. Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar impediram a consagração, fazendo com que a Vecchia Signora se consolasse com a dobradinha nacional. Ainda assim, era um desfecho que confirmava a temporada como um marco e referendava que a equipe havia reaprendido a competir na elite continental – e sem os tais “100 euros” na carteira.

Juventus 1-0 Monaco

Juventus: Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Vidal, Pirlo (Barzagli), Marchisio; Pereyra (Sturaro); Tevez, Morata (Matri). Técnico: Massimiliano Allegri. Monaco: Subasic; Raggi (Berbatov), Ricardo Carvalho, Abdennour, Kurzawa; Fabinho, Kondogbia; Dirar (Bernardo Silva), João Moutinho, Ferreira Carrasco; Martial (Matheus Carvalho). Técnico: Leonardo Jardim. Gol: Vidal (57′) Árbitro: Pavel Královec (Chéquia) Local e data: Juventus Stadium, Turim (Itália), em 14 de abril de 2015

Monaco 0-0 Juventus

Monaco: Subasic; Fabinho, Raggi, Abdennour, Kurzawa; Toulalan (Berbatov), Kondogbia; Bernardo Silva, João Moutinho, Ferreira Carrasco (Matheus Carvalho); Martial (Germain). Técnico: Leonardo Jardim. Juventus: Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner, Vidal (Pereyra), Pirlo, Marchisio, Evra (Padoin); Tevez, Morata (Llorente). Técnico: Massimiliano Allegri. Árbitro: William Collum (Escócia) Local e data: estádio Louis II, Mônaco (Principado de Mônaco), em 22 de abril de 2015

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