Prestianni, Vini Jr. e um Real Madrid à procura de se encontrar: a visão de <i>nuestros hermanos</i> | OneFootball

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Zerozero

·25 febbraio 2026

Prestianni, Vini Jr. e um Real Madrid à procura de se encontrar: a visão de <i>nuestros hermanos</i>

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Madrid acordou com mais ruído do que se poderia esperar. A suspensão provisória de Gianluca Prestianni parecia retirar um dos focos de tensão da segunda mão, mas o Benfica trouxe o argentino para a capital espanhola e, ao que foi possível perceber, continua à espera de uma resposta da UEFA face ao recurso apresentado. O cenário não está totalmente fechado e permanece a possibilidade de o argentino poder ir a jogo.

Ainda assim, por detrás do 'caso Vinícius Jr.', há um Real Madrid que continua à procura de si próprio.


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Adivinhava-se que a mudança no banco trouxesse mais serenidade, mas a verdade é que os problemas se mantêm. A derrota pesada frente às águias há um mês (4-2 na Luz) expôs fragilidades que já eram criticadas com Xabi Alonso e o desaire em Pamplona, este sábado, frente ao Osasuna, reforçou a ideia de uma equipa irregular, capaz de entusiasmar num dia e de se perder em campo no seguinte.

Para perceber melhor o momento dos merengues, o zerozero falou com dois jornalistas que acompanham o Real Madrid diariamente: Agustín Martín, correspondente do AS, e Joel del Río, correspondente da Marca. As leituras coincidem em vários pontos e ajudam a enquadrar o que tem acontecido e o que pode acontecer no Bernabéu.

Porque, mais do que o episódio entre Vinícius e Prestianni, o que está em jogo é a identidade de um Real Madrid que ainda não encontrou equilíbrio.

Arbeloa e um plantel desequilibrado

Agustín Martín acredita que o principal mérito de Arbeloa foi emocional. «O que Arbeloa trouxe até agora foi instaurar alguma tranquilidade num plantel que caminhava para o fracasso», explica, recordando a sequência negativa que antecedeu a mudança técnica, com derrotas na Supertaça e na Taça.

Mas a tranquilidade não resolve tudo. Para o jornalista do AS, o problema é estrutural: faltam médios, faltam líderes e há um desequilíbrio evidente na construção do plantel. «Há um desequilíbrio notório na forma como o plantel foi construído», resume, apontando ainda a defesa como exemplo de fragilidade, com veteranos marcados por lesões e jovens ainda sem experiência para noites grandes.

Del Río segue uma linha semelhante, ainda que com enfoque ligeiramente diferente. Do ponto de vista futebolístico, considera que pouco poderia ter sido alterado em tão pouco tempo. A missão de Arbeloa, diz, era reconectar o balneário e apagar os «constantes incêndios em Valdebebas». Taticamente, menciona o 4-4-2 como tentativa de compensar o coletivo, mas o diagnóstico é claro: «Tudo se sustenta em Mbappé e Courtois… e agora nas individualidades de Vinícius».

O escasso jogo coletivo é, para ele, a principal preocupação.

Irregularidade e uma Champions distante

A derrota frente ao Osasuna não surpreendeu Agustín Martín. «Era previsível», afirma, explicando que o Real sente dificuldades perante equipas que se fecham e exploram o contra-ataque. Além disso, a cabeça estava ainda em Lisboa. O foco da semana tinha sido o Benfica e o El Sadar acabou por apanhar um Madrid pouco preparado para o contexto.

Joel del Río fala num problema de fundo: falta de regularidade. «Capazes do melhor e do pior», descreve, acrescentando que, frente a equipas bem organizadas, o Real vive de momentos. «As opções do Real Madrid são como lançar uma moeda ao ar, 50 por cento para o bem, 50 por cento para o mal».

Quanto à Liga dos Campeões, as respostas oscilam entre tradição e realismo. Para Joel, a Champions «é sempre o principal objetivo», mas reconhece que há rivais num patamar mais elevado. Agustín é mais direto: neste momento é «um objetivo inalcançável», apontando Arsenal, Bayern, Manchester City e PSG como candidatos mais fortes.

Num clube habituado a medir-se pela Europa, esta perceção diz muito sobre o momento atual.

Vini, Prestianni e o ambiente no Bernabéu

A eventual ausência de Prestianni altera o cenário, mas não apaga o que aconteceu na Luz. Para Agustín Martín, a decisão da UEFA serve sobretudo para evitar problemas dentro e fora de campo. «É uma medida para ficar bem com toda a gente.», comenta, numa leitura crítica. Considera que a UEFA só o fez porque assim protege Prestianni, Vinícius e «o negócio».

O jornalista espanhol colocou em cima da mesa um cenário hipotético para reforçar a necessidade da UEFA em resolver o assunto: «Imagina que na saudação inicial os dois não se cumprimentavam, ou tinham um duelo quente a meio do jogo, com milhões a ver... não podiam correr esse risco.»

Sem o argentino em campo, acredita que o ambiente será o de uma noite europeia intensa, mas sem excessos. Haverá memória do que aconteceu em Lisboa e da derrota por 4-2, mas nada que transforme o jogo num ajuste de contas.

Joel del Río interpreta a decisão disciplinar como um primeiro passo. «É uma sanção provisória… que aponta para uma muito maior», afirma, sugerindo que a UEFA terá elementos suficientes para avançar. Ao mesmo tempo, admite que a ausência evita que Prestianni enfrente «uma assobiadela histórica» no Bernabéu.

Quanto à reação do Benfica, ambos veem normalidade. Um clube a defender o seu jogador e a sua versão dos factos. Em Espanha, diz Agustín, isso é compreendido. O que gerou estranheza foi a insistência de Rui Costa no caso Valverde, depois de a UEFA ter afastado qualquer sanção ao uruguaio.

É uma mão cheia de dúvidas que segura esta segunda ronda de Benfica - Real Madrid. Existem dúvidas em torno de Prestianni, dúvidas em torno de Vinícius Júnior, dúvidas em torno de Arbeloa e até de Mourinho. No entanto, só pedimos que não haja dúvidas numa coisa: esta ter sido, aquando do soar do apito final, uma eliminatória digna de Liga dos Campeões.

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