Jogada10
·20 luglio 2026
Roberto Assaf: “A Fúria da Espanha é bi mundial. Com justiça”

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Em decisão de Copa do Mundo sem muita técnica, com pressão integral da Espanha, e oportunidades desperdiçadas, em mais de 120 minutos, acabou ocorrendo o óbvio revelado ao longo da partida: na 20ª conclusão, e nenhuma da adversária, a seleção europeia venceu por 1 a 0, gol de Ferran Torres, derrubando a tendência – injusta, é claro – da possibilidade de uma cobrança de pênaltis.
Não, dessa vez a Espanha não amarelou, mesmo que tenha iniciado o torneio empatando com Cabo Verde. Não seria absurdo dizer que Lionel Scaloni falhou na escalação inicial, nas trocas, e na opção tática.
O jogo começou a mil. A Espanha atacando, sem tréguas, e a Argentina mostrando dificuldade para sair, esbarrando na marcação da adversária. Aos cinco minutos, Lamine Yamal finalizou livre, e a bola acabou nas mãos de Emiliano Martinez, na primeira chance da partida. O ritmo do duelo diminuiu após 20 minutos. Mas a equipe europeia continuou com a bola, enquanto o sul-americano tentava manter o jogo arrastado, para evitar qualquer ameaça.
Mas a Espanha criou duas oportunidades, em chutes de Oyarzabal, para defesa do goleiro, e Cucurella, à esquerda, para fora. Se a Argentina queria segurar o empate, pelo menos até o intervalo, para correr mais na etapa final, quando o calor seria menor, o objetivo foi alcançado. Com a Espanha ocorreu o contrário, pois não conseguiu vantagem no placar, apesar de jogar prioritariamente de forma ofensiva. O time de Lionel Scaloni perdeu Lisandro Martinez, com cartão amarelo e contusão, substituído pelo veterano Nicolas Otamendi.

Messi incrédulo. Espanha abre o placar. Pouco depois, celebra o bi. Montagem com Reprodução CazéTV
A Argentina voltou para o segundo tempo com Leandro Paredes no lugar de Nico Gonzalez, o que teoricamente reforçaria o meio-campo, mas a postura de ambas as equipes pareceu a mesma do início da partida. Aos seis minutos, ele, Leandro Paredes, deu uma cutucada em Alex Baena, surgiu um princípio de confusão, e o apoiador do Boca Juniors recebeu o amarelo.
A estratégia da Argentina era, definitivamente, pôr em prática o seu velho estilo de cadenciar o duelo, com faltas eventuais, e com toques para os lados, deixar o relógio correr, para, quem sabe, aproveitar um contra-ataque fatal. Mesmo assim, o time europeu ameaçava, e a adversária tomava precauções defensivas, tanto que trocou o lateral direito, Gonzalo Montiel por Nahuel Molina, para ganhar maior vigor lá atrás.
Aos 15, a Espanha mudou, lançando Ferran Torres e Pedro Gonzalez nas vagas, respectivamente, de Fabian Ruiz e Mikel Oyarzabal, para provavelmente ganhar maior habilidade. Aos 18, Dani Olmo bateu de longe, o goleiro pôs para escanteio, mas quase engole um frango.
A Espanha, enfim, tomava a iniciativa por todo o tempo, mas a Argentina travava o espetáculo. Aos 21, Ferran Torres cabeceou em cima de Emiliano Martinez. Mais substituições efetuadas, mas a o panorama era igual: os europeus massacrando, e os sul-americanos resistindo, rechaçando escanteio após escanteio, e finalizações que encontravam o goleiro do Aston Villa bem colocado.
A TV enfim focalizou Donald Trump, que entende de futebol tanto quanto este vos escreve de eletrônica. Conversava com Gianni Infantino sobre o Estreito de Ormuz. A Argentina sonhava com a prorrogação, sinalizando, estranhamente, que era inferior. Aos 41, Ferran Torres bateu mal, para fora. Aos 43, Rodrigo Hernandez, o Rodri, chutou em Madri. Quatro de acréscimos. Aos 45, mais três, Enzo Fernandez foi expulso ao atingir Pau Cubarsi. Aos 45, mais sete, Leandro Paredes derrubou Ferran Torres. Lamine Yamal mandou à equerda e Dibu pôs para escanteio. Prorrogação. A pergunta óbvia: como a Argentina poderia suportar?

Ferrán Torres celebra o gol do titulo espanhol. Foto: David Ramos/Getty Images
Logo aos três minutos, Nico Williams cabeceou livre à direita e Emiliano Martinez defendeu. Dezesseis conclusões a zero. A Argentina recuada, com um a menos, levou um gol, de Nico Williams, mas Mikel Merino havia empurrado Nicolas Otamendi e a arbitragem anulou. Mais mudanças. E a pressão espanhola continua. Dezenove finalizações a zero. Aos da prorrogação, Nico Williams cabeceou para trás, e Ferran Torres fuzilou, sem chance pasra o goleiro, fazendo enfim 1 a 0. Na realidade, só um milagre daria o título à Argentina. Aos 23 da prorrogação, Ferran Torres fez 2 a 0, mas estava em posição irregular, e o gol também não valeu. Nos acréscimos, Giuliano Simeone mandou a bola na lua. Erro fatal.
É fato, no entanto, que este cronista, que previu o bi da Argentina, errou por “una cabeza”, como diria Carlos Gardel, e que a Espanha foi a melhor da seleção do Mundial. Dessa vez, os deuses do futebol optaram pela justiça. E a Espanha conquistou o seu segundo título. O primeiro foi em 2010, na África do Sul. Aguardemos mais quatro anos.
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