Zerozero
·1 febbraio 2026
Saída de André Luiz pesou em demasia? O retrato de um Rio Ave <i>despido</i> de criatividade

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·1 febbraio 2026

Após ter sido cobiçado durante várias semanas pelo Benfica, André Luiz acabou por rumar ao Olympiacos e não à Luz, despedindo-se, assim, do Rio Ave ao fim de 39 jogos. O emblema da Caravela perdeu, desta forma, um dos seus maiores ativos e as consequências desta saída foram imediatas.
Certo é que a exibição deste sábado nos Arcos, frente ao FC Arouca - muito abaixo da esperada, diga-se - pode estar em nada relacionada com a perda do criativo brasileiro, mas um dos fatores prejudiciais ao conjunto da casa na disputa frente aos Lobos de Arouca foi precisamente a falta de criatividade e de ideias após alcançar as zonas mais subidas no terreno.
Faltou poderio ofensivo à equipa da casa, que se apresentou algo nervosa, desconectada, com algum medo no momento do choque - em duelos, refira-se - e que operou sempre num ritmo próprio que em nada beneficiou o objetivo de terminar o confronto com três pontos na bagagem. Foi um verdadeiro Rio de ideias, sem ninguém para as concretizar.
Mas, então, a saída de André Luiz teve assim tanto peso no emblema rioavista? Bem, colocando a lupa nesta preocupante exibição, a resposta mais provável prende-se com um sim. Ainda assim, o melhor é mesmo analisar de forma detalhada o que correu menos bem ao Rio Ave nesta desaire frente ao FC Arouca. Venha connosco!
Comecemos pelo óbvio, caro leitor. Considerando que André Luiz era um titular absoluto, indiscutível, nesta equipa do Rio Ave - e vale a pena afirmar também que se entendia na perfeição com todos os elementos, especialmente com Clayton Silva -, qualquer que fosse o seu substituto, iria sempre atuar uns furos abaixo das expectativas.
Perante esta alteração forçada, Sotiris Sylaidopoulos decidiu lançar o jovem Antonis Papakanellos para o lugar de extremo direito, no apoio a Clayton por um dos flancos - Olinho situou-se no lado oposto da frente de ataque. Os primeiros minutos foram algo interessantes, com o avançado a registar aproximações de perigo modestas, mas pensadas, no ataque à profundidade.
Ainda assim, o tempo não foi amigo para o atleta grego, que acusou dois fatores: alguma fadiga, ou seja, falta de ritmo e também falta de rotinas. Nada disto é estranho, já que a situação referida deve ser vista como a substituição de um elemento crucial até então - portador de uma magia e virtuosismo raros, capaz de resolver jogos sozinho.
Aos 73 minutos, o camisola '19' - que estava a fazer um jogo discreto no ataque e vistoso, pelos maus motivos, no processo defensivo, já que teve dificuldades em acompanhar os colegas no posicionamento referido -, foi rendido por Dario Spikic - que atua frequentemente pela esquerda, no lugar que foi ocupado este sábado por Ole Pohlmann.
Sendo assim, a solução para encontrar mais versatilidade, vertiginosidade e alguma dinâmica à frente de ataque dos vilacondenses pode passar por juntar o croata e o alemão nos polos opostos do setor ofensivo. Ainda que tenham jogado alguns minutos juntos frente ao FC Arouca, a amostra não foi suficiente - o jogo estava praticamente resolvido nessa altura.
André Luiz era o maior espalha-brasas do emblema de Vila do Conde, isso é certo, mas o toque refinado de Brandon Aguilera nunca deixou ninguém indiferente. O camisola '10' espalha perfume no meio-campo quando tem espaço - algo que dificilmente encontrou no duelo em análise - e costuma percorrer largos metros com a redondinha.
Ainda assim, as notícias não são animadoras para o lado dos Arcos. Perto dos 79 minutos, o internacional costa-riquenho saiu muito maltratado de uma dividida com Trezza, agarrando-se prontamente ao joelho. As queixas e o seu lamento eram visíveis - e audíveis -, pelo que Brandon teve de abandonar o terreno de jogo através de uma maca.
Quem esteve no estádio compreendeu certamente a gravidade da lesão. Tratou-se de um choro compulsivo, daqueles que atiram um atleta para os pensamentos mais negativos e que podem comprometer um sonho, uma época ou um objetivo. Não foi, de todo, o jogo mais brilhante de Aguilera e terminar desta forma apenas tornou este duelo bastante mais cinzento para a turma da casa.
Desta forma, Sotiris Sylaidopoulos terá de encontrar uma solução para o miolo relativamente aos próximos jogos do Rio Ave. Na partida em questão, o '10' foi rendido pelo jovem Karem Zoabi, mas o técnico grego pode optar por colocar Tamás Nikitscher no lugar vago no meio-campo. É uma questão de ver para perceber.
Neste último capítulo do artigo em questão, importa salientar as dificuldades que o Rio Ave teve no processo de saída com bola - algo que era facilitado pela irreverência de André Luiz. Ole Pohlmann teve de abandonar a sua posição frequentemente para recolher a linha de passe no miolo, o que levou a uma menor ameaça pelos flancos devido à inferioridade numérica nessas situações.
Por outro lado, a linha defensiva também não esteve ao mais alto nível - nem no seu dia de maior atenção, entenda-se. Nelson Abbey fez um jogo competente, principalmente na primeira parte - anulou Trezza com solidez e coesão defensiva -, mas Pancho Petrasso e Julien Lomboto tiveram uma tarde/noite para esquecer.
Nada correu bem ao central francês, que terminou a partida como um dos piores em campo. Além de ter anotado um autogolo que conferiu alguma tranquilidade ao FC Arouca, o ex-Torreense também ofereceu um golo de bandeja aos Lobos, que apenas não foi concretizado devido à posição irregular de um dos elementos envolvidos na jogada.
Além disso, o defesa mencionado anteriormente abordou com alguma desatenção e nervosismo os lances de maior perigo, tentando antecipar-se - sem sucesso - por diversas vezes a bolas longas pelo ar. Certo é que Barbero não teve uma partida inspirada pelo meio, mas Lomboto concedeu permeabilidade à linha defensiva da casa.
Mas há mais. A equipa foi, também, criticada pelos próprios adeptos por demorar na fase de construção, quando o marcador apontava uma desvantagem caseira. Faltou um fio condutor no seio dos caseiros, capaz de unir esforços e levar ambição e coesão para a filosofia de jogo pretendida pelo técnico grego.
Por último, mas não menos importante, o mercado de transferências encontra-se, para já, aberto e a saída de Clayton Silva é ainda um cenário em aberto. Este seria um duro golpe para o Rio Ave, que iria perder, na mesma janela de transferências, os dois principais ativos.
Questionado pelo zerozero sobre essa possibilidade, Sotiris Sylaidopoulos recusou comentar: «Não podemos responder a 'ses'. Se algo acontecer, temos de estar prontos. Para já, está cá, treina e trabalha connosco, ainda faz parte do clube. Vamos ver como as coisas correm.»
Conseguirá o Rio Ave dar a volta a este momento negativo de forma?









































