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JB Filho Repórter

·07 de agosto de 2026

A derrota maravilhosa do Inter contra o Corinthians

Imagem do artigo:A derrota maravilhosa do Inter contra o Corinthians
  • Derrota maravilhosa. Parece contraditório, mas talvez seja a definição mais justa para o que o Internacional fez diante do Corinthians. O placar marcou 2 a 1 para os paulistas, mas quem saiu comemorando foi o Colorado. Com a vantagem construída no Beira-Rio, o time de Paulo Pezzolano soube exatamente qual jogo precisava fazer. Não foi bonito, não foi dominante, mas foi eficiente. E em mata-mata isso costuma valer muito mais do que posse de bola.
  • Muita gente vai olhar para os números e dizer que o Corinthians amassou. Teve quase 73% de posse, finalizou 19 vezes contra apenas seis do Inter e empurrou o adversário para trás durante boa parte do jogo. Só que futebol não é estatística isolada. Dessas 19 finalizações, apenas cinco acertaram o gol. O Inter aceitou sofrer, mas sofreu do jeito que queria sofrer. A estratégia estava desenhada desde o início: proteger a vantagem e explorar os espaços quando aparecessem.
  • E aqui entra o grande mérito de Paulo Pezzolano. Pela terceira partida consecutiva, o treinador mostrou que encontrou um caminho para esse elenco. O 5-3-2 pode não agradar quem gosta de futebol ofensivo, mas hoje ele potencializa praticamente todas as principais peças do sistema defensivo colorado. Maripán é o maior exemplo disso.
  • Quem diria que, poucas semanas atrás, um zagueiro tão criticado seria apontado como um dos melhores jogadores do time? Pezzolano entendeu que Maripán não pode jogar exposto. Protegido por uma linha de três zagueiros, usando sua força física e o jogo aéreo como principais armas, virou outro jogador. Ao lado de Mercado, fez mais uma partida gigantesca. Na minha opinião, os dois foram os pilares da classificação.
  • Mas se Maripán foi o melhor defensor, Bernabei foi, mais uma vez, o ataque inteiro do Internacional. Além do gol que praticamente decidiu a vaga, foi dele praticamente toda a produção ofensiva do time. Sempre que o Inter conseguia respirar, era pelo lado esquerdo que a jogada aparecia. Hoje, se eu tivesse que dividir o prêmio de melhor em campo, faria exatamente isso: metade para Maripán, metade para Bernabei.
  • Outro jogador que merece muito destaque é Bruno Henrique. A ausência de Vilagra obrigou o volante a assumir uma função mais centralizada, e talvez tenha sido sua melhor atuação desde que chegou ao clube. Organizou a saída de bola, protegeu os zagueiros e deu equilíbrio ao meio-campo. É daqueles jogadores que não aparecem tanto nos melhores momentos, mas fazem o time funcionar.
  • Agora, nem tudo foi perfeito. Matheus Cunha falhou. O primeiro gol do Corinthians nasce de um rebote totalmente evitável. Ali o goleiro complicou um jogo que estava absolutamente controlado. No segundo gol existe mais discussão, mas o primeiro pesa bastante na conta dele. Se o intervalo chega em 0 a 0, provavelmente a classificação teria sido ainda mais tranquila.
  • No ataque também há um problema evidente. Alan Patrick está sendo sacrificado por esse modelo de jogo. Ele participa da jogada do gol, domina uma bola dificílima e encontra Bernabei, mas joga longe da função onde rende mais. Alan não é atacante. Ele precisa receber, pensar e servir quem chega. Quando atua praticamente como segundo atacante, acaba ficando isolado e perde muito do seu principal diferencial.
  • E quem também caiu bastante de rendimento foi Carbonero. Não acho que seja falta de vontade. Pelo contrário. O colombiano corre mais, marca mais e se entrega muito mais do que antes. O problema é que esse novo modelo joga o time muito distante da área adversária. Carbonero é um jogador de espaço curto, que desequilibra perto do gol. Hoje ele precisa percorrer o campo inteiro antes mesmo de conseguir receber uma bola em condições de decidir.
  • Outra preocupação está no banco de reservas. Allex, Alerrandro, Juninho, Ronaldo, Braian Aguirre… sinceramente, é um banco que não passa grande confiança. Pesolano praticamente não tem jogadores capazes de mudar uma partida importante quando precisa recorrer às opções. Isso explica por que o Inter segue insistindo tanto na contratação de um centroavante.
  • No fim das contas, porém, nada disso tira o principal mérito da noite. O Internacional soube jogar uma eliminatória. Entendeu que classificação vale mais do que espetáculo. Aceitou sofrer quando precisava sofrer, foi competitivo o tempo inteiro e mostrou que, finalmente, existe uma identidade clara construída por Paulo Pezzolano.
  • Agora o Colorado está entre os oito melhores da Copa do Brasil. E aí o cenário muda completamente. São apenas mais quatro jogos até uma possível final. Mais do que o sonho do título, existe um prêmio enorme em disputa: chegar à decisão significa garantir uma vaga na Libertadores. Há pouco tempo isso parecia distante. Hoje, pelo menos, já voltou a ser um objetivo perfeitamente possível.
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