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·07 de junho de 2026

Ana Vitória destaca felicidade no Corinthians e revela metas para sua segunda passagem pelo clube

Imagem do artigo:Ana Vitória destaca felicidade no Corinthians e revela metas para sua segunda passagem pelo clube
  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

A meio-campista Ana Vitória concedeu entrevista ao portal Meu Timão e falou sobre diversos temas envolvendo sua segunda passagem pelo Corinthians. A volante comentou o retorno ao clube após sete anos atuando na Europa, projetou objetivos para a temporada, analisou a troca no comando técnico, relembrou o período de recuperação de uma concussão e revelou a expectativa de atuar pela primeira vez na Neo Química Arena com a camisa alvinegra.

Ao falar sobre o retorno ao Parque São Jorge, Ana Vitória admitiu que sempre carregou o desejo de voltar ao Corinthians desde que deixou o clube para atuar no futebol europeu. Segundo ela, a saída aconteceu muito cedo e deixou a sensação de que ainda havia muita coisa para viver com a camisa alvinegra.


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Foto: ©Cris Mattos / Ag. Corinthians

“Eu saí daqui muito nova, foi até o que eu falei na época (na coletiva de apresentação), e saí com a sensação de que tinha mais para viver por aqui. Não sabia se um dia ia conseguir voltar, o amanhã a gente nunca sabe, mas sempre tive esse desejo. E hoje, acho que desde a minha volta, a experiência mais marcante, sem dúvida, foi o Mundial, que a gente teve tão próximo ali de conquistar. E depois disso, também tivemos uns desafios muito interessantes. Só pena que a gente ainda não conseguiu jogar os clássicos mesmo na nossa casa. Quer dizer, jogamos um contra São Paulo, mas contra o Palmeiras, ainda estou desejosa para a gente jogar na nossa casa”, iniciou a jogadora.

Questionada sobre quais são seus principais objetivos nesta nova passagem pelo Corinthians, a camisa 17 foi direta ao destacar a ambição de conquistar todas as competições possíveis: “Os títulos, óbvio. Não tem nem o que falar. Copa do Brasil, Brasileiro, Paulista, Libertadores. Todos que puderem. Se der para ser todos”, continuou.

Outro assunto abordado foi a troca no comando técnico das Brabas, que passaram a ser comandadas por Emily Lima. Acostumada a mudanças de treinadores ao longo da carreira, especialmente durante sua passagem pela Europa, Ana Vitória destacou a necessidade de adaptação constante por parte das atletas.

“Acho que essas mudanças elas existem no futebol né, já tô um pouco acostumada. Nos últimos anos já perdi a conta de quantos treinadores eu tive. Só no Atlético de Madrid eu tive três, no PSG eu tive 2, no Benfica tive menos. Então a troca é uma coisa que acontece, a gente tem sempre que se adaptar e, agora, já respondendo também a questão da diferença, cada treinador tem seu modelo de jogo. Não apenas seu sistema. Quando eu falo de modelo de jogo eu falo da abordagem que aquele que é atleta tem tem que entender as situações. Meu caso, por exemplo, tem treinador que pede pra que fique mais protegendo área, tem treinador que pede pra que salte mais, que morda mais. E você tem sempre que tá muito atento nas informações pra executar da melhor forma”, disse Ana Vitória

A volante também relembrou a concussão sofrida enquanto estava à disposição da Seleção Brasileira. A lesão acabou impedindo que ela atuasse justamente em Mato Grosso, seu estado natal. Apesar da frustração inicial, a jogadora explicou como encarou o processo de recuperação. Na sequência, ela detalhou os impactos que a lesão trouxe para o dia a dia e comemorou o retorno aos gramados sem limitações.

“Acho que a palavra é uma naturalidade, né? Porque assim, é natural que você fique triste. Então, dentro desse cenário, eu fiquei bem triste no início. Até no início a gente não achou que seria tão sério, né? Porque os primeiros sintomas não foram tão fortes. Até me levaram para fazer o exame mais por conta da dor atrás do pescoço, que era o sintoma mais forte que eu tinha de confusão. Eu achei que seria algo rápido. Quando eu fui me dando conta que não era tão rápido assim, eu fui batendo alguma frustração. Mas logo em seguida também já… A gente já tem que mudar a chavinha e agora, passo a passo, eu tenho que focar na minha recuperação para não ter depois sequelas. Um problema que se arrasta, que é o maior perigo nesses casos, né? Você não tratar direito e aí você ficar com sintomas e são sintomas que realmente atrapalham muito”, comentou.

“Eu não tinha noção disso, não só no futebol, não só nos treinos, que atrapalha demais mesmo, sobre reflexo, que fica esquisito, que fica ruim, mas também no dia a dia, coisa assim. Então, rapidamente já, e naturalmente, como a gente sempre faz, fica triste ali no início da lesão, mas logo em seguida, já foca na recuperação para voltar bem, voltar voando, e é uma coisa que me deixou muito feliz também, eu ter conseguido voltar tão pronta. Fiquei um tempinho ali sem poder treinar com o grupo, mas quando voltei já consegui ajudar a equipe, corresponder, e me deixou contente”, prosseguiu a meio-campista.

Mesmo após retornar ao Corinthians, Ana Vitória ainda não teve a oportunidade de atuar na Neo Química Arena. A atleta revelou que aguarda esse momento há anos.

“Gosto muito de jogar na Fazendinha. Gosto mesmo, Desde 2018, que foi a primeira vez que o Corinthians também jogou na Arena, coincidiu que justamente naquela data eu tava com a seleção sub 20, né? Porque a gente tava se preparando pro Mundial. E aí eu não joguei. E aí depois voltei pro Corinthians também nos jogos que tive, que tivemos um não joguei pro controle de carga, que tava com algum desconforto, e o outro por opção técnica mesmo. Então ainda não consegui, que foi contra o América Mineiro, não consegui jogar na Neo Química. E tô na expectativa e já não espera desde 2018, por esse momento”, afirmou.

A jogadora também comentou o gol marcado contra o Red Bull Bragantino, em sua primeira partida após o retorno da concussão. O lance teve um significado especial por ter sido marcado de cabeça.

“A coisa curiosa é que foi de cabeça, né? Eu acho que eu já fiz alguns gols de cabeça na carreira, e mesmo quando eu joguei aqui lá em 2018, também era o que eu mais fazia, assim, proporcionalmente falando, posso estar enganada, mas tenho a ideia de que o que eu mais fazia era gol de cabeça. Eu gosto bastante, acho que é um dos meus favoritos. Então eu fiquei bem contente de marcar com os Corinthians, até comemorei com a torcida, tá, foi bem simbólico”, relembrou Ana Vitória.

Ao comparar o cenário atual do futebol feminino brasileiro com o europeu, Ana Vitória destacou o crescimento da modalidade no país e explicou os motivos que facilitaram seu retorno ao Brasil.

“Era outro momento naquela época. Hoje o futebol brasileiro cresceu muito, as condições que a gente encontra no nosso país, dentro da nossa casa, são bem diferentes. Lá fora, a gente encontrava algumas coisas que aqui ainda não tinha, que ainda estava engatinhando. E hoje você já encontra boas condições nos clubes, segurança crítica, contratos, contratos que te dão a segurança de se acontecer alguma coisa eu não vou ficar na mão. Acho que isso explica um pouco o movimento no geral, não é bem o meu caso. O meu caso foi mesmo quando eu tive sete anos lá fora, saí muito nova, ainda tinha 18 quando eu saí, depois é que eu fiz 19. E surgiu a oportunidade de voltar para o Brasil, a conversa, a sondagem. Corinthians jogando competições interessantes, antes também não tinha Copa do Brasil, Mundial, Copa do Brasil, brasileiro, tendo uma Copa do Mundo aqui no Brasil no próximo ano. Foi o coração aberto. Daqui depois eu tenho essa oportunidade de viver as coisas que eu queria ter vivido lá atrás e sentir que tinha que sair daquele momento”, revelou a camisa 88.

Ana Vitória também confirmou que mantém contato frequente com diversas brasileiras que atuam no exterior, mas brincou ao negar qualquer influência para convencer atletas a retornarem ao país: “Sim, em contato sim, a gente faz muitas amizades né, mas esse papel de agente aí não fazemos não. Profissional, profissional e pessoal pessoal, sua amiga dela, só porque a gente manda brincar uma com a outra: ‘ó, tô te esperando pra ir treinar aí’.”

Por fim, a volante falou sobre a responsabilidade de defender o Corinthians, clube que frequentemente entra nas competições apontado como favorito aos títulos. Apesar disso, a jogadora afirmou que prefere não trabalhar com esse tipo de rótulo.

“Eu não gosto de colocar ninguém como favorito, mesmo o Corinthians. Eu coloco a gente como a responsabilidade de representar bem toda a história e a camisa do clube. E o resultado vai ser consequência dessa responsabilidade que a gente entra em campo. Dessa seriedade, dessa entrega, dessa garra, desse desejo por vencer. Não gosto muito dessa palavra ‘favorito’.”, pontuou Ana Vitória.

Na sequência, ela comparou o cenário vivido no Corinthians com experiências que teve durante a passagem pelo Benfica, destacando a intensidade da torcida brasileira.

“No Benfica você encontrava um pouco disso, se tem garra tudo a nível nacional, só que jogar no Brasil é diferente. A torcida brasileira é mais indigente, mas também é mais fervorosa. Tem pro bom e pro mal. Não tem lado do ruim ter torcida. É uma cobrança mais forte, mais inclusiva, só que também é uma torcida que te dá uma energia dentro de campo que é absurdo. Eu estou falando que você está dentro do estádio do Arsenal e a torcida do Corinthians está fazendo barulho pra caramba. Então é muito bom se você tirar partes ruins nisso.”, finalizou.

Em duas passagens pelo Corinthians (2017/2018 e 2026), Ana Vitória soma nove gols e três assistências em 69 jogos (42 como titular), sendo 51 vitórias, 10 empates e oito derrotas – 78,74% de aproveitamento. Além disso, são dois títulos conquistados: Conmebol Libertadores (2017) e Campeonato Brasileiro (2018). Antes de retornar ao Brasil, passou pelo futebol europeu e atuou por Benfica (Portugal), PSG (França) e Atlético de Madrid (Espanha).

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