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·10 de setembro de 2026
Análise: Giay se destaca em noite magra do Palmeiras

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·10 de setembro de 2026

O Palmeiras fez 27 finalizações, teve 60,5% da bola, cobrou dez escanteios e venceu por 1 a 0. Os dois primeiros números descrevem uma noite de domínio; o último, uma noite magra. É nessa distância que mora a análise de Palmeiras x LDU.
O gol saiu do lugar menos provável do campo. Agustín Giay é ala direito, joga com a linha de fundo às costas e cruza mais do que finaliza. Aos 26 minutos, apareceu dentro da área como centroavante para cabecear a sobra de um chute cruzado de Vitor Roque que Gonzalo Valle havia desviado. A bola bateu no travessão e entrou. Era o primeiro gol dele com a camisa do Palmeiras, depois de quase cem jogos — e veio de quem tinha menos obrigação de fazê-lo.
A escolha de manter os três zagueiros, contrariando a expectativa de volta à linha de quatro, entregou o que prometia. Barboza, Gustavo Gómez e Murilo deram cobertura suficiente para Giay e Joaquín Piquerez subirem sem medo, e o Palmeiras empurrou a LDU para dentro da própria área.
O resultado apareceu no mapa do jogo: dez escanteios contra um, 27 finalizações contra seis. Os equatorianos terminaram a noite com uma única bola no alvo e 22 faltas cometidas — o retrato de quem passou 90 minutos apagando incêndio.
O problema é que a construção parava sempre no mesmo ponto. Das 27 tentativas, apenas seis foram no gol. O Palmeiras chegou muito e chegou mal: cruzamentos para uma área povoada, chutes de fora sem ângulo e a insistência em um lado só quando o outro estava livre.
Escalar Flaco López e Vitor Roque juntos foi a aposta ofensiva de Abel, e ela tem lógica: dois centroavantes prendem os três zagueiros adversários e abrem corredor para quem vem de trás. Foi exatamente assim que o gol nasceu — com a defesa da LDU presa nos dois e Giay livre para atacar o espaço.
O que faltou foi a dupla se cobrar o próprio quinhão. Vitor Roque, na primeira grande chance em jogo eliminatório na temporada, brigou por tudo e finalizou pouco. Flaco se movimentou bem entre os zagueiros, mas não teve a noite de definição que teve em outras decisões. Em um mata-mata que se decide na altitude, cada gol não marcado em casa é um problema adiado.
A ausência de Andreas Pereira, suspenso, era o ponto de interrogação da escalação. Marlon Freitas e Lucas Evangelista responderam com um jogo de controle: pouca perda, ritmo administrado e nenhuma transição perigosa concedida.
Carlos Miguel fez uma defesa em toda a partida. É elogio ao sistema defensivo e, ao mesmo tempo, a medida do desperdício: um time que anula o adversário por completo e sai com um gol de vantagem trabalhou muito para ganhar pouco.
O que o Palmeiras leva para Quito
Vantagem de um gol e a obrigação de marcar fora de casa. Um gol da LDU no Rodrigo Paz Delgado leva o confronto aos pênaltis; dois eliminam o Verdão. A altitude de 2.850 metros é o fator que a vantagem construída em São Paulo não neutraliza.
A LDU saiu de São Paulo derrotada e satisfeita. Perdeu por um gol, não sofreu o segundo e leva o confronto para o terreno onde é mais forte. No ano passado, foi ali que o Palmeiras tomou 3 a 0 antes de reverter tudo em casa — só que desta vez a ordem dos jogos é inversa, e não haverá volta no Nubank Parque para consertar.
O retrospecto entre os clubes reforça o alerta: em cinco encontros pela Libertadores, o visitante nunca venceu. O Palmeiras precisa quebrar esse padrão ou torcer para que o gol de Giay seja suficiente. Pelo que a noite mostrou, ele deveria ter vindo acompanhado.


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