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·26 de março de 2026

Andrés abre mão de depor na Comissão de Ética, e caso avança no Corinthians

Imagem do artigo:Andrés abre mão de depor na Comissão de Ética, e caso avança no Corinthians

Por Tiago Salazar e Thais Bueno

Andrés Sanchez abriu mão do depoimento a que tinha direito na Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians. O ex-presidente do Timão teme descumprir a decisão judicial que o proíbe de ter contato com pares do clube e desistiu de prestar oitiva ao órgão alvinegro, que, por determinação de Leonardo Pantaleão, havia solicitado à defesa de Andrés comprovação de alguma medida junto à Justiça para que ele pudesse participar da oitiva.


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Andrés Sanchez, investigado pelo suposto uso irregular do cartão corporativo do Corinthians, tinha depoimento agendado para esta quinta-feira, por videoconferência. Contudo, segundo apurou a Gazeta Esportiva, o ex-presidente cedeu após insistência da Comissão e desistiu desta parte do processo.

A defesa do ex-presidente já havia solicitado o adiamento da oitiva por entender que a audiência, ainda que de maneira virtual, poderia ferir as medidas restritivas impostas a Andrés pela Justiça. Uma delas é a proibição de qualquer contato com dirigentes do clube. O mesmo argumento foi utilizado no documento enviado a Leonardo Pantaleão, presidente da Comissão de Ética, nesta quinta-feira.

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(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

A audiência na Comissão de Ética tem o intuito de oportunizar o esclarecimento, de forma documentada, das despesas indicadas nas faturas do cartão corporativo utilizado por Andrés Sanchez entre 2018 e 2020 e comprovar que tais gastos tinham relação com o cargo de presidente do Corinthians.

Leonardo Pantaleão, assim como já havia feito com Augusto Melo, em caso recente, não atendeu aos pedidos da defesa e marcou a oitiva, inclusive antes do prazo máximo previsto no Estatuto.

E agora?

A próxima fase do processo, portanto, é a apresentação final da defesa de Andrés, que será encaminhada por escrito em um prazo de até cinco dias úteis a partir do recebimento da intimação, que deve ocorrer nesta sexta-feira. Isso significa que os advogados do ex-presidente têm até o fim da próxima semana para entregar o documento.

No cenário jurídico, ao abrir mão da oitiva, Andrés Sanchez consente com o andamento da apuração no órgão corintiano. Além de perder a possibilidade prestar novas explicações, ele também teria direito de arrolar três testemunhas para sustentar sua tese, que poderiam participar por conta própria, mas perdeu tais opções ao desistir da etapa processual.

O ex-presidente do Corinthians ainda fica impedido de recorrer à Justiça para, eventualmente, pedir a nulidade do processo em caso de alguma punição no clube.

Ética usará depoimento da Comissão de Justiça

Em dezembro do ano passado, antes da Justiça solicitar as medidas restritivas, Andrés Sanchez esteve no Parque São Jorge para depor à Comissão de Justiça do clube sobre os gastos corporativos no cartão do Corinthians na sua última gestão, entre 2018 e 2020.

Na oportunidade, a reunião durou cerca de 40 minutos. Andrés foi questionado sobre cada uma das 50 despesas suspeitas no cartão do Corinthians e justificou as compras. Os advogados do ex-presidente também estiveram presentes no encontro, mas não se manifestaram.

Leonardo Pantaleão acompanhou as explicações. À época, Pantaleão pediu a Andrés para que a oitiva fosse válida também para a Comissão de Ética, e o ex-presidente acenou positivamente. Com a desistência selada nesta quarta-feira, o mesmo depoimento será válido para o órgão presidido pelo advogado.

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(Foto: José Manoel Idalgo/Corinthians)

Próximos passos

Pantaleão aguarda, agora, a defesa por escrito por parte dos advogados de Andrés. Após analisar o exposto, o dirigente, designado como relator do caso, ficará responsável por apresentar seu parecer final.

A decisão, entretanto, não está apenas nas mãos de Pantaleão. O veredito é formado pelo advogado e outros três membros da Comissão de Ética, que irão deliberar e entregar seus respectivos votos com o veredito final.

Após este processo, fica a cargo de Pantaleão enviar o parecer final ao Conselho Deliberativo do Corinthians, que irá pautar o caso para deliberação final no plenário do CD. Caberá aos conselheiros decidirem o futuro de Andrés Sanchez no clube.

Segundo apurou a Gazeta Esportiva, Pantaleão enviará não só o parecer final do colegiado, mas também os votos divergentes, caso ocorra esta situação.

Entenda o caso

Conforme revelou a Gazeta Esportiva, a Comissão de Justiça do Corinthians identificou uma série de gastos considerados suspeitos durante o último mandato de Andrés Sanchez (2018-2020) que não teriam relação com os compromissos de um presidente.

O órgão listou, a princípio, 50 despesas, com identificação de locais e valores que, somados, chegam a R$ 190.523,54. Entre as principais cobranças separadas e revistas pela CJ, estão despesas com hospitais, clínicas e farmácias, em lojas de móveis e eletrônicos, além de custos com uma empresa de táxi aéreo e centros automotivos.

Os membros da Comissão de Justiça do Corinthians entendem que não há nenhum tipo de comprovação de que tais compras foram feitas para uso do clube ou necessidade do mandatário. As despesas não possuem nenhum tipo de comprovante anexado.

Denúncias do MP

Andrés Sanchez também foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) duas vezes. A primeira denúncia de apropriação indébita agravada continuada, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário, foi parcialmente rejeitada pela juíza da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, Marcia Mayumi Okoda Oshira.

Contudo, o MP-SP, por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, recorreu da decisão. Diante disso, a magistrada determinou a suspensão da decisão favorável ao ex-presidente do Timão e repassou o caso ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Posteriormente, Andrés foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e crimes tributários. O MP cobrou, ainda, um novo ressarcimento financeiro ao clube do Parque São Jorge. A nova denúncia do órgão diz respeito a supostos gastos pessoais do ex-presidente no cartão corporativo do Corinthians entre os meses de agosto e setembro de 2020, seu último ano de gestão.

A juíza Marcia Mayumi Okoda Oshira, no entanto, rejeitou as denúncias. A magistrada entendeu que “não havia justa causa” para a abertura de uma ação penal. Vale lembrar que a acusação de apropriação indébita ainda não foi descartada e está sendo investigada pela vara criminal comum.

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