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·02 de maio de 2026

Apontamentos sobre o balanço financeiro do SPFC relativo à 2025

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Apontamentos sobre o balanço financeiro do SPFC relativo à 2025


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O balanço financeiro do São Paulo Futebol Clube relativo ao exercício 2025 foi publicado ontem e se trata do mais complexo e cheio de nuances dos últimos anos.

A depender da forma que se olhe pra ele, sem atenção ao contexto e aos detalhes, quem o lê pode acabar induzido a conclusões ilusórias ou precipitadas.

Há boas e más notícias que se misturam quando os números frios são confrontados com as melhores práticas da indústria do esporte (ou as piores…) conforme alguns pormenores que vou expor a seguir.

No macro, o balanço do exercício 2025 em relação ao balanço do exercício 2024, apresentou um aumento de receitas totais, que em 2025 chegaram pela primeira vez na casa do bilhão (1.07Bi), propiciando um superávit total operacional de 56MM de reais.

Parece indicar um caminho correto, não é mesmo? Não exatamente. Há muito a atentar:

De plano, vale olhar para o endividamento total do clube, que diminuiu, passando de 968MM em 2024 para 858MM em 2025.

Para chegar a tal resultado fiscal o SPFC utilizou toda espécie de artifícios de alavancagem que dispunha visando acelerar a melhoria dos números de um ano para outro, porém muitas vezes em prejuízo do fluxo natural das mesmas receitas nos anos vindouros. Vejamos os pormenores:

a) Vendeu direitos econômicos de atletas como nunca antes, em prejuízo do potencial de valorização dos atletas formados em sua base e do próprio desempenho esportivo ao não contar mais com eles apressadamente. A estratégia resultou num incremento acelerado artificialmente de receitas com vendas dos direitos sobre os atletas de 205% (de 93MM em 24 para 283MM em 25);

b) Tantas negociações pioraram muito algo que já era um problema, os enormes gastos com comissionamentos de terceiros, que em relação às vendas aumentaram 68% (de 31MM em 24 para 52MM em 25). Vale observar que as despesas totais do clube com comissionamentos à terceiros continua sendo um problemaço (163MM em 24 e 164MM em 25).

c) A relação entre o volume de dinheiro gasto com comissionamentos e o montante transacionado em direitos é absolutamente desproporcional, o que evidencia uma parte da operação que custa muito caro e drena muito os recursos do clube, se constituindo um entrave à desejável melhoria da competitividade e sua eficiência fiscal;

d) Houve aumento preocupante do endividamento bancário, que subiu 7% de um ano para outro mesmo diante da existência de um FIDC criado para ensejar um movimento contrário. O endividamento bancário que era de 259MM em 2024 passou a 277MM em 2025, tudo, sabemos, à taxas de juros que já não são as melhores para o clube diante do permanente descontrole orçamentário e necessidade por dinheiro rápido; Correlato à isso, as despesas financeiras dispararam 21% (foram de 96MM em 24 e passaram a 116MM em 25), mesmo tendo o clube tomado menos empréstimos em 25 (174MM) que em 24 (196MM). Estranha desproporção;

e) Tal quadro agravou a busca por antecipações de receitas e a consequência foi a atabalhoada renovação antecipada de alguns grandes contratos com os principais parceiros do clube, o que resolveu muito pouco no momento das operações, estrangulando o fluxo de caixa nos anos seguintes e mais que isso se tornando um obstáculo e tanto para que os gestores futuros obtenham contratos mais vantajosos para o clube;

f) Aumento de gasto com pessoal da ordem de 10,5% (de 204MM em 24 para 225 MM em 25), relevando um aumento de despesa que vai na contramão do nível de eficiência que o clube demanda para se recuperar;

g) Os resultados do FIDC lançado pelo clube no mercado foram impactados pela alocação de recursos próprios, tudo ao mesmo tempo em que o clube tomava os empréstimos acima mencionados junto às instituições financeiras. A conta não fecha e o clube anda em círculos;

h) Mesmo com o volume bilionário de receitas e quase isso de despesas, o clube obteve resultados esportivos aquém do esperado no ano de 2025 e no futebol profissional não obteve êxito nas competições que participou ou sequer se posicionou ao final do Campeonato Brasileiro de modo a obter classificação para o principal torneio continental no ano corrente;

i) Preocupante também foi a queda de 35% na arrecadação com bilheteria de jogos (de 96MM em 24 para 64MM em 25), fruto não só da queda do desempenho esportivo como de menos jogos realizados em seu estádio, o qual muitas vezes não estava disponível para utilização por conta dos shows, atividade que em 2025 alguém mais desavisado poderia confundir com a principal da entidade, dados os absurdos ocorridos;

j) Mais uma vez houve estouro do orçamento e não só no futebol. Uma prática péssima, recorrente e lamentável no SPFC. No futebol o estouro foi de quase 30% (o que representou 156MM gastos além do orçado, pois o orçado era de 530MM e as despesas foram de 687MM). Um descontrole gritante que fala por si sobre o descomprometimento dos envolvidos com a saúde financeira do clube e sobre as consequências para o futuro.

Ao fim e ao cabo, temos um combo de más decisões administrativas em progressão geométrica, onde cada má decisão acabou gerando tantas outras, o que só restou ofuscado pelo já mencionado inflacionamento artificial das receitas no exercício e também por uma polêmica renegociação de débitos de tributários, cuja melhor técnica torna discutível o exercício em que foi lançada.

O balanço do exercício 2025 nos conta uma história de decisões menos voltadas para o bem do clube no médio e longo prazo e mais voltadas para a necessidade de curto prazo dos seus então gestores apresentarem números que lhe fossem mais favoráveis do que os apresentados nos terríveis balanços dos anos anteriores, quem sabe visando questões políticas nas próximas eleições.

Tudo isso sem contar outras minúcias que veremos em outras análises mais aprofundadas habitualmente publicadas por grandes profissionais mais especializados em finanças . Certamente há muitas nuances mais que não enxerguei e estou ansioso para ler as análises dos melhores no assunto, como a do Rodrigo Capelo, do Cesar Grafietti (se a atuação na ANRESF ainda lhe permitir fazê-lo) e, em se tratando de SPFC, a do expert Flávio Marques.

Lendo esses apontamentos você diria que o ano fiscal foi bom ou ruim? Penso que a história que o balanço do exercício 2025, publicado em 30 de abril de 2026 nos conta, com seus números e contextos, é a de um clube gigante que como todos sabemos merece ser melhor gerido e tem um potencial incrível ainda mal explorado por conta de uma governança ainda muito ineficaz.

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