Central do Timão
·04 de fevereiro de 2026
Ausência de depoente gera embate em audiência sobre desvio de material esportivo no Corinthians

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·04 de fevereiro de 2026

A Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo do Corinthians realizou, na última terça-feira (3), no Parque São Jorge, uma audiência para ouvir pessoas citadas no relatório da auditoria interna que apontou possíveis desvios de materiais esportivos no clube. A reunião, no entanto, acabou marcada por um episódio de tensão institucional, envolvendo o presidente Osmar Stabile e a ausência de um funcionário convocado para prestar depoimento.
Compareceram à oitiva o gerente administrativo Rafael Salomão e o diretor administrativo do clube Fábio Soares. Já o funcionário do CT Francisco Vinícius Godoy, que também estava formalmente convocado, não esteve presente. Segundo apuração da Central do Timão, ele teria sido impedido de comparecer por determinação da presidência do clube, o que gerou forte reação interna e discussão durante a audiência.

Foto: Reprodução/Corinthians
De acordo com relatos colhidos pela reportagem, o momento de maior tensão ocorreu quando Osmar Stabile entrou na sala onde acontecia a audiência sem anúncio prévio e foi questionado pelo presidente do CD Romeu Tuma Júnior sobre o motivo de ter barrado o comparecimento do funcionário convocado. A situação evoluiu para uma breve discussão entre os dois, em tom elevado, que acabou contornada após pedido de desculpas e a saída de Stabile do local.
Ainda segundo fontes ouvidas, o presidente do Corinthians teria alegado que o Departamento de Futebol está sob sua responsabilidade direta e que nenhum profissional do setor prestaria depoimento a comissões do clube sem sua autorização prévia. Uma fonte ligada à Comissão de Justiça, no entanto, sustenta que todas as convocações foram feitas nos termos do Estatuto do Corinthians, por meio de ofício único e com ciência das partes envolvidas, sem distinção entre áreas administrativas ou esportivas.
Após o episódio, o próprio Stabile teria ponderado que o funcionário estaria autorizado a prestar depoimento nesta quarta-feira (4). A possibilidade de redesignação da oitiva, porém, passou a ser avaliada com cautela pela Comissão de Justiça, considerando a preocupação em preservar o colaborador após a exposição gerada pelo ocorrido.
A atitude do mandatário gerou indignação entre integrantes da Comissão de Justiça. Há, segundo conselheiros ouvidos, um sentimento crescente dentro do CD de que a presidência tem interferido de forma recorrente nas atividades das comissões estatutárias, inclusive por meio da ausência de respostas a ofícios formais encaminhados pelos órgãos de fiscalização interna.
A indignação entre os presentes foi tamanha que, segundo apuração da reportagem, houve menções à possibilidade de caracterização de obstrução de investigação. O próprio presidente do Conselho Deliberativo teria manifestado, durante o embate, que não toleraria novas atitudes do tipo, classificando-as como desrespeito aos órgãos de controle e reflexo de práticas autoritárias que contribuíram para a crise institucional vivida pelo Corinthians nos últimos anos.
Esta não é a primeira vez que um colaborador ou dirigente do Corinthians deixa de prestar esclarecimentos após convocação dos órgãos internos. Em 2025, o então executivo de futebol Fabinho Soldado chegou a ser chamado para depor no Conselho de Orientação (Cori), mas acabou não comparecendo após intervenção da presidência. Desta vez, o episódio causou ainda mais estranheza pelo fato de que foi o próprio Osmar Stabile quem solicitou a realização da auditoria interna e, posteriormente, encaminhou o relatório ao CD para apuração das responsabilidades.
Procurado pela Central do Timão, o presidente do Conselho Deliberativo afirmou que não comentaria o caso, alegando que tanto a audiência quanto a investigação tramitam sob sigilo. Questionado especificamente sobre o desentendimento com Osmar Stabile, Tuma informou que está refletindo sobre o ocorrido para avaliar a adoção de eventuais providências em conjunto com a Comissão de Justiça.
Também procurado pela reportagem, o presidente Osmar Stabile informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não houve impedimento formal, apenas a solicitação de uma nova data para o depoimento do funcionário à Comissão de Justiça, sem detalhar os motivos.
Contexto da investigação
O episódio ocorreu em meio a uma apuração mais ampla sobre irregularidades na gestão de materiais esportivos do Corinthians. Uma auditoria interna, concluída em novembro do ano passado, identificou um esquema de venda clandestina de uniformes oficiais dentro das próprias dependências do clube, além de apontar falhas graves nos processos de gestão, controle e distribuição dos materiais fornecidos pela Nike ao Timão.
Diante da gravidade dos apontamentos, o caso também passou a ser investigado pela Polícia Civil, após o Ministério Público identificar indícios de furto qualificado e de “comercialização paralela” de materiais destinados ao clube. O inquérito está sob responsabilidade do delegado César Saad, da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), que já ouviu o auditor Marcelo Munhoes e o vice-presidente Armando Mendonça, citado no relatório como responsável pela diretoria na gestão dos materiais esportivos.
Paralelamente à investigação policial, a apuração interna segue sob responsabilidade da Comissão de Justiça do Corinthians, que deverá avaliar eventuais implicações administrativas e estatutárias à luz do relatório de auditoria e dos depoimentos colhidos.
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